quarta-feira, 29 de novembro de 2017

TENDINITE, LUXAÇÃO, ENTORSE. O PODER DO FRIO CONTRA A INFLAMAÇÃO


Bolsas de gelo sempre foram os recursos não medicamentosos mais usados contra esse mal dos tempos modernos, a tendinite, e seus primos, a luxação e o entorse. Mas agora, técnicas mais modernas e ainda mais eficazes surgiram e tomaram conta do mercado. Notadamente as crioterapias a baixas temperaturas. Na foto de abertura, uma cabine de crioterapia.

Por: Anne Lefèvre-Balleydier - Le Figaro Santé

Quem já mergulhou a mão num recipiente cheio de água gelada sabe que, muito rapidamente, começamos a sentir agulhadas e uma sensação de queimadura. O problema surge portanto do contato direto com a água muito fria e do risco de congelamento. Mas ao fazer diminuir o diâmetro dos vasos sanguíneos para limitgar a perda de calor por condução, o frio contribui para diminuir o fluxo de sangue que é gerador de uma inflamação, aliviando dessa forma todos os tipos de dores. Eis porque, desde a tradicional bolsa de gelo até as mais recentes cabines de crioterapia para o corpo inteiro, toda uma gama de cuidados através do frio tem sido proposta aos doentes. Seus benefícios, embora evidentes, ainda estão sendo discutidos, devido à falta de estudos de de dados formais confiáveis.


Há muitos anos, as bolsas de gelo e as compressas de resfriamento fazem parte do arsenal comumente empregado pela medicina esportiva para aliviar as dores de uma
distensão muscular, de uma tendinite, uma luxação ou um entorse. Todas essas técnicas tiram proveito da vosoconstrição, e são aplicadas evitando-se o risco de congelamento: o contato direto com o gelo deve ser sempre evitado e devemos proceder de maneira repetida, com aplicações sempre de curta duração (nunca por mais de 20 minutos cada aplicação). Embora, desde alguns anos, alguns médicos e massagistas recorrem a temperaturas ainda mais baixas para aliviar a dor através de métodos ainda mais diferentes.

Resfriamento quase imediato
Um desses métodos consiste em projetar no lugar da contusão ou ferimento um jato de dióxido de carbono à temperatura de 78 graus C negativos e em alta pressão. A duração do tratamento depende da extensão e da profundidade da zona que se quer tratar, mas ela nunca supera algumas dezenas de segundos. Esse tempo é suficiente para fazer com que a temperatura da pela caia cerca de 4 a 5 graus C, provocando uma reação imediata de vasoconstrição.


Essa técnica, chamada neurocrioestimulação, foi desenvolvida no começo dos anos 1990. Segundo o Dr Marc Rozenblat, médico do esporte e osteopata, ela age ao mesmo tempo sobre a inflamação local e sobre os músculos, que relaxam, e seria útil tanto para as crises de dores agudas (entorse, ruptura de tendões, lumbago, etc) quanto para problemas mais crônicos (ciáticas, lombalgias, artroses, tendinites, gota, etc). 

Um outro gênero de crioterapia, criada no final dos anos 1970 pelo médico japonês Toshiro Yamauchi para tratar de reumatismo envolve a totalidade do corpo do paciente. Muito em voga na atualidade, essa prática consiste em em colocar o paciente - sob total vigilância médica - durante curtos períodos de tempo (menos de três minutos) em uma cabine onde a temperatura se situa aao redor de 110 graus C negativos. A priori, esse tratamento parece ser eficaz contra as dores e as inflamações, ao ponto que, na França, o Insep (Instituto Nacional do Esporte e do Desempenho possua uma dessas raras cabines instaladas no território francês. É preciso no entanto informar os benefícios dessa terapia ainda não foram inteiramente comprovados, pois não existem dados confiáveis e de estudos conduzidos com um número suficientemente grande de pacientes. 

A única certeza: com essa técnica, os esportistas se recuperam mais rapidamente. Mas é preciso permanecer prudentes e respeitar rigorosamente o protocolo recomendado pelo terapeuta. Em outubro deste ano uma jovem norte-americana morreu acidentalmente após ter permanecido algumas horas trancada no interior de uma dessas cabines.

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