sábado, 4 de novembro de 2017

OBESIDADE. ATÉ QUANDO VAMOS ASSISTIR À ESSA EPIDEMIA?


A obesidade é um problema grave de saúde pública em expansão, por isso a abordagem alarmante publicada há poucos dias no JAMA[1]. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o número de obesos no mundo dobrou de 1980 a 2008[2,3,4].

Dr. Fabiano M. Serfaty / Fonte: Site Medscape.com

De acordo com um importante estudo publicado recentemente no New England Journal of Medicine[5], realizado por um grupo de pesquisadores de vários países do mundo (The GBD 2015 Obesity Collaborators), que analisaram dados de 195 países, a prevalência de obesidade mais que duplicou em todo o mundo desde 1980. Os problemas de saúde resultantes do excesso de peso agora afetam mais de 2 bilhões de pessoas.

Em 2015, 107,7 milhões de crianças e 603,7 milhões de adultos eram obesos em todo o mundo, cerca de 30% da população mundial. Entre os 20 países mais populosos, o maior nível de obesidade adulta foi no Egito (35,3%) e o maior nível de obesidade infantil foi nos Estados Unidos (12,7%)[5]. Em muitos países, as taxas de obesidade entre as crianças estão aumentando mais rapidamente do que as taxas de obesidade em adultos, particularmente na China e na Índia, que apresentou o maior número de crianças obesas[5]. Outro achado preocupante foi o aumento de cerca de três vezes da obesidade
observada em adultos jovens nos países em desenvolvimento, como o Brasil e a Indonésia[5,6].

Os pesquisadores também descobriram que, em 2015, um IMC elevado contribuiu para cerca de 4 milhões de mortes[5,6]. Quase 70% das mortes relacionadas ao IMC elevado foram devido a doenças cardiovasculares, e mais de 60% dessas mortes ocorreram entre pessoas obesas[5].

Obesidade vs desnutrição
O excesso de peso e a obesidade estão ligados a mais mortes em todo o mundo que a desnutrição. Globalmente, há mais pessoas obesas do que abaixo do peso – isso ocorre em todas as regiões do mundo, exceto em partes da África subsaariana e da Ásia, de acordo com a OMS[7].

Custos globais
Segundo um estudo realizado pelo McKinsey Global Institute em 2014, o custo referente aos gastos relacionados à obesidade representam 2,8% do produto interno bruto (PIB) global, cerca de 3 trilhões de dólares. Custo quase equivalente ao impacto global do tabagismo ou da violência armada, da guerra e do terrorismo[8].

Onde vamos parar?
Se a prevalência da obesidade continuar aumentando no ritmo atual, quase metade da população adulta mundial estará com excesso de peso ou obesidade até 2030[8].
Um estudo recente, estimou que cerca de 62 a 76% da população mundial atualmente apresenta níveis de  gordura corporal que podem ser prejudiciais a saúde[9]. Além disso, mais de 50% dos indivíduos obesos do mundo vivem em 10 países (listados em ordem de número de indivíduos obesos): EUA, China, Índia, Rússia, Brasil, México, Egito, Alemanha, Paquistão e Indonésia[10].

Obesidade como doença
Adultos, adolescentes e crianças lutam diariamente contra o excesso de peso que está associado a numerosas comorbidades, como hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia, apneia obstrutiva do sono e diversos tipos de câncer.

Um estudo publicado este ano no British Medical Journal, examinou evidências de 204 estudos publicados anteriormente, que analisaram os resultados combinados de várias pesquisas investigando a ligação entre a gordura corporal e o desenvolvimento de tumores específicos, revelando que atualmente há forte evidência da ligação entre o excesso de gordura corporal e o risco aumentado de 11 tipos de câncer: cólon, reto, endométrio, mama, ovário, rim, pâncreas, gástrico, sistema do trato biliar, e alguns tipos de câncer de esôfago e de medula óssea[11].

A obesidade é considerada mundialmente uma doença crônica por várias importantes instituições[3,12,12,14,15,16], deve ser tratada por meio de uma abordagem multidisciplinar, individualizada e em longo prazo.

Como enfrentar o problema?
É preciso encarar a obesidade como uma doença crônica, complexa e multifatorial, sem solução simples, que requer uma estratégia de intervenção internacional e abrangente urgente, que deve ser combatida de frente e com seriedade por todos os setores da sociedade.

A falta de ações efetivas nesta luta demonstram a necessidade de novas abordagens e soluções para uma problema que se apresenta como uma das grandes e graves epidemias da atualidade.

Ao contrário de outros grandes riscos globais, como a desnutrição infantil e o tabagismo, a obesidade não está diminuindo, por isso é preciso encará-la sem medo, como uma prioridade na saúde pública mundial.

Obesidade se trata com ação e educação, por isso é necessário um movimento de liderança global urgente que possa ajudar os países e as instituições a intervirem mais efetivamente nos principais determinantes que exacerbam o atual ambiente obesogênico.

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