terça-feira, 28 de novembro de 2017

MAL DE PARKINSON. PESTICIDA É IMPORTANTE FATOR DE RISCO


Um recente estudo revela que o Mal de Parkinson ataca agricultores e pessoas que moram nas imediações de plantações agrícolas bem mais do que o resto da população. Cientistas apontam a elevada exposição dessas populações aos pesticidas e defensivos agrícolas, alguns dos quais conhecidos por sua ação neurotóxica.
  
Por: Cécile Thibert - Le Figaro Santé

Qual é o ponto em comum entre os agricultores e as pessoas que moram próximas a áreas de cultivo agrícola? Eles têm um risco bem maior de desenvolver o Mal de Parkinson. Dois estudos recentemente publicados por equipes de pesquisadores franceses confirmam e aprofundam o que já tinha sido descoberto há dois anos por cientistas norte-americanos da Universidade da Califórnia: Essas pessoas têm um risco mais elevado, respectivamente de 13% e 8,5% de desenvolverem essa doença neurodegenerativa. Entre os agricultores aposentados (entre 60 e 84 anos), essa diferença é ainda mais marcante pois eles são
18% a mais a sofrer dessa doença em relação às pessoas da sua mesma faixa etária. Os cientistas apontam o dedo para a a elevada exposição desses pacientes aos pesticidas, dos quais alguns já são bem conhecidos por suas propriedades neurotóxicas.


Doença da profissão
Desde 2012, a exposição aos pesticidas é considerada na França como um fator de risco do Mal de Parkinson. A moléstia já é inclusive reconhecida como uma doença profissional dos que militam na agricultura. Nenhum estudo, no entanto, até bem recentemente, tinha explorado a incidência (número de novos casos por ano) dessa doença entre os agricultores na França. É precisamente a questão que a cientista Sofiane Kab decidiu investigar ao desenvolver sua tese de saúde pública e epidemiologia.

Seu trabalho, realizado em colaboração com pesquisadores do Instituto Nacional da Saúde e da pesquisa Médica (Inserm), deu lugar à publicação de dois estudos em revistas científicas internacionais. Para chegar a tais resultados, a jovem cientista e seus colegas compararam os dados da Agência Social Agrícola francesa - um instituto de planos de saúde específicos para o mundo agrícola - com outros dados provenientes de outros planos de seguro-doença.

"É necessário manter uma certa prudência, pois o Mal de Parkinson é uma doença cuja origem implica em vários fatores, alerta o médico Alex Elbaz, neurologista e epidemiologista do Inserm e diretor da tese de Sofiane Kab. Até o momento, somente podemos dizer que o Mal de Parkinson é um pouco mais frequente entre os agricultores, provavelmente por causa da sua exposição a altos níveis de pesticidas. Mas podem existir também outros fatores de risco". Os dados obtidos sugerem igualmente uma possível associação, menos significativa que a do Parkinson, com a doença autoimune chamada de esclerose lateral amiotrófica.

Dentre os insetos, as abelhas são os mais prejudicados pelos pesticidas agrícolas.
  
Viticultura, um caso especial
Sofiane Kab e seus colegas foram ainda mais longe, e se perguntaram se uma exposição não profissional a doses mais fracas de pesticidas ainda desempenharia um papel no aparecimento de casos de Mal de Parkinson. "A frequência dessa doença mostrou-se efetivamente um pouco mais elevada entre as pessoas que vivem nas imediações de áreas cultivadas, sobretudo em zonas onde existem vinhedos", explica Elbaz. Com efeito, a viticultura é uma das culturas agrícolas que mais necessitam de pesticidas. "Esses resultados ainda precisam ser confirmados por estudos mais precisos e aprofundados. O Mal de Parkinson permanece uma doença não muito frequente e o aumento do risco observado é pequeno", completa o cientista.

Há poucos anos, a Califórnia teve de enfrentar uma espécie de "epidemia" de síndromes tipo Parkinson que acometeu um grande número de pessoas jovens. Descobriu-se que todos eles tinham consumido uma droga, a MPTP, uma neurotoxina que, ao destruir certos neurônios, provoca os sintomas permanentes do Mal de Parkinson. Na época, os cientistas observaram que a estrutura do MPTP era muito parecida à de um herbicida, o paraquat. Logo depois dessa descoberta, numerosos estudos internacionais confirmaram a existência de uma ligação entre a exposição profissional aos pesticidas e o 

Outros estudos estão sendo preparados pelo Inserm, em colaboração com a Saúde Pública francesa, com a finalidade de identificar quais psticidas podem estar na origem do risco aumentado de Mal de Parkinson.

Saber mais:
Kab S, Moisan F, Elbaz A. Farming and incidence of motor neuron disease: French nationwide Study . Eur J Neurol. 2017;24(9):1191-5.
Kab S, Spinosi J, Chaperon L, Dugravot A, Singh-Manoux A, Moisan F, Elbaz A. Agricultural activities and the incidence of Parkinson’s disease in the general French population . Eur J Epidemiol 2017;32(3):203-16.
Sofiane Kab. Relation entre les caractéristiques agricoles et deux maladies neurodégénératives, la maladie de Parkinson et la sclérose latérale amyotrophique . Thèse de doctorat de Santé publique et d’épidémiologie.

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