terça-feira, 28 de novembro de 2017

Em Itaporanga, moradores rurais se cotizam e resolvem antigo problema da comunidade


Por Isaías Teixeira/Folha do Vale - Cansados de tanto esperar por uma ação do poder público, moradores da comunidade Poço Redondo, zona rural de Itaporanga, resolveram agir por conta própria: apesar de serem pobres homens da roça, eles se cotizaram e construíram uma passagem molhada em trecho da localidade cortado por um poderoso riacho, resolvendo um problema antigo de mobilidade que impedia o trânsito de veículos e dificultava o deslocamento de pessoas em período chuvoso.

Mas, além de contribuírem financeiramente para a realização da obra, que mede 48 m2, sendo 4m de largura e 12m de comprimento, foram os próprios moradores quem também colocaram a mão na massa para a edificação da passagem molhada, conforme afirmou o agricultor e líder comunitário rural Manoel Osmindo, que é secretário da comunidade e um dos que, igualmente, trabalharam para a execução dos serviços.

Conforme ele, cerca de 15 pessoas trabalharam voluntariamente na obra, que foi construída em sete dias, entre 6 e 11 deste mês. Além das pessoas do Poço Redondo, dois pedreiros de duas outras comunidades rurais também participaram voluntariamente para realizar o sonho dos amigos vizinhos: José Coelho de Sousa, de Mamuda, município itaporanguense; e Valdeci Domingos, da Boa Vista, que pertence a São José de Caiana. 

Osmindo revela que a única doação de fora da comunidade para a construção da obra foi feito pelo Sintraf (Sindicado Regional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar), o qual
contribuiu com alguns sacos de cimento. Ele ainda disse que a Prefeitura fez a cessão de uma caçamba para o transporte de blocos de pedras.

Com 28 sócios, a comunidade Poço Redondo fica a 21 quilômetros de Itaporanga e chegou a encaminhar, em 2012, um projeto técnico ao Governo do Estado, por meio do então Projeto Cooperar, custeado, em parte, por seus moradores solicitando a construção de uma passagem molhada, mas, apesar de aprovado, o pleito nunca foi atendido. Também não foram atendidas várias solicitações encaminhadas à Prefeitura local em gestões anteriores. 

O custo da obra - A passagem molhada feita pelos moradores do Poço Redondo teria custado cerca de 3 mil reais se tivesse gastado com a mão de obra. Mas a despesa foi de, somente, um mil reais, dinheiro usado completamente para a compra de cimento. Conforme avaliações técnicas, caso o poder público tivesse feito uma passagem molhada no mesmo local com base, por exemplo, no projeto enviado ao Cooperar, o custo da obra não teria sido menor do que 120 mil reais, embora possivelmente mais estruturada.

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