segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Cantor paraibano Chico Salles morre no Rio de Janeiro. Saiba mais!


"Minha estrada é longa, mas minha esperança é maior", costumava dizer Francisco de Araújo Salles (1951 – 2017), o cantor, compositor e instrumentista paraibano conhecido no universo musical brasileiro como Chico Salles. Para este artista que se definia com cantador, cordelista e violeiro, a estrada findou aos 66 anos de vida. No início da madrugada deste sábado, 25 de novembro de 2017, a família de Salles anunciou em redes sociais a morte do artista, vítima de insuficiência respiratória no Inca (Instituto Nacional do Câncer) do Rio de Janeiro (RJ), cidade para onde Salles migrou em 1970 e na qual morou nos últimos 47 anos, tendo recebido em 2008 o título de Cidadão Carioca.

A estrada da vida do artista começou na cidade natal de Souza (PB), situada no sertão da Paraíba. Em janeiro de 1968, Salles se mudou para Fortaleza (CE), cidade transitória na vida deste nordestino que, ao vir para o Rio, trouxe na bagagem o gosto pelos xotes, xaxados, cocos e baiões ouvidos no sertão paraibano. No Rio, Salles passou a ouvir e cultuar o samba. Tanto que o sexto dos sete álbuns da discografia do cantador, Sérgio samba Sampaio (2013), saiu há quatro anos com repertório dedicado aos sambas do cancioneiro do compositor capixaba Sérgio Sampaio (1947 – 1994) e gerou o primeiro e único DVD de Salles, lançado em julho deste ano de 2017.

Já o último CD, Rosil do Brasil – Rosil Cavalcanti por Chico Salles (2015), foi lançado há dois anos e, como o título já anunciava, se tratou de tributo do cantador à obra do compositor pernambucano Rosil Cavalcanti (1915 – 1968), autor de Sebastiana (1953) e de outros sucessos que extrapolaram as fronteiras do Nordeste, sendo cantados e conhecidos em todo o Brasil.

Formado em engenharia no Rio, Chico Salles se aproximou do samba carioca através da amizade com o cantor, percussionista e humorista carioca Antônio Carlos Bernardes Gomes (1941 – 1994), o Mussum, de quem virou amigo e parceiro na composição de sambas. A vivência carioca do artista foi refletida nos dois primeiros álbuns de Salles, Confissões (1999) e Nordestino carioca (2002).

Contudo, a discografia do artista somente conseguiu certa visibilidade na mídia a partir da associação de Salles com o produtor José Milton, iniciada no álbum Forrozando (2005) – cuja capa retratou o cantor no traço do caricaturista Ique – e estendida em discos posteriores como Tá no sangue e no suor (2007) e O bicho pega (2010).

Ao fim da estrada, Chico Salles sai de cena e deixa álbum ainda inédito, Samba nordestino, arquitetado em 2016 com produção de José Milton, fiel escudeiro deste nordestino carioca.

G1BR

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