quinta-feira, 23 de novembro de 2017

As Cadeiras Estão Ficando Vazias

118
As Cadeiras Estão Ficando Vazias
(Reynollds A Cabral)

Sabe leitor, cadeiras nas calçadas, no inicio da manhã e no final da tarde também é paisagem de interior. Apreciamos contemplar o nascer do sol e o seu pôr. Inicio e despedida de mais um dia de vida, dentre bilhões, que esse planeta já experimentou, “dançando” as glórias de Deus.

Quantas conversas, quantos sorrisos, quantas alegrias!

Muitas cadeiras na cidade de Itaporanga estão ficando vazias. Uma cadeira que nos deixou saudades e que não sai da nossa mente foi a “cadeira de balanços” da inesquecível “Dona Bila”, que morava na eterna Rua Pedro Américo, palcos dos sonhos, traquinagens da molecada de então, hoje todos casados, provando as suas cadeiras. Atualmente, lá, nem há cadeiras e tampouco a casa. No lugar está um excelente prédio do empresário Leonan, com lojas e muitos apartamentos para serem vendidos que não fica atrás dos outros da cidade. Itaporanga está diferente. Dizem que ela cresceu, está crescendo. Não sei se há muita vantagem.

Duas cadeiras, não menos especiais, foram as dos inesquecíveis CHICO GUIMARÃES E DONA TOINHA, sua esposa. Mulher serena, religiosa ao extremo, como a minha avó, “ católicas” por natureza. Por vezes parava junto aos dois, quando descia a Pedro Américo e tratava de temas espíritas. Aquiesciam, mas nada os demoviam da sua fé. Se bem que a Doutrina Espírita não tem o objetivo de atrair adeptos e todo aquele que se sente feliz, satisfeito com a sua fé, deve-lhe fidelidade. O Espiritismo é para quem quer algo mais. “Qualquer coisa” nos une e não comporta desavenças que é a moral do mestre Jesus, que se aplicada, o céu teria chegado á Terra. Mas, ainda, o nosso orgulho e egoísmo são que ditam as regras. Mas, já foi pior e a vida não tem pressa, nem Deus, somos imortais.

Ainda na Pedro Américo, estou a lembrar a velha cadeira do meu saudoso Pai Ademar Augusto, homem de poucas palavras, mas que sempre se esforçou para dar o melhor para sua família. Quantas vezes ficávamos sentados á beira da calçada, apreciando o movimento da “segunda avenida “ mais importante da cidade, a Pedro Américo. Era dia 20, ao longe podíamos divisar o “frenesi” da procissão do “Meu Padim Padre Cícero”. Fogos de artifícios, balões, girândolas,. bandas de pífanos, a cidade alegre, festiva. Os caboclos e as caboclas visitavam a cidade nesse dia. Os clubes ficavam cheios, muita festa, forró. O tempo também levou essa paisagem de interior.

Uma cadeira que não mais existe é a de João Ferreira, que tinha um filho com limitações mentais, como aminha tia, mas que sempre sentava á frente de sua casa para ver o movimento. Seu João era um homem sereno e formou os outros filhos. Também não há nem a casa. Perdemos o contato com a família.
Na vida é sempre assim, estamos sempre nos despedindo e tudo é impermanente, por isso que é importante não perder a oportunidade de servir, saber, amar. Receberemos cem, por um, como diz o evangelho.
São muitas cadeiras vazias. E as dos seus, leitor?

Nunca me esqueço da velha “Cadeira preguiçosa” do meu avô, Antônio Augusto, que com seu radio de pilha vermelho esperava as ondas da velha Rádio Tabajara chegar por essas bandas, quando o “sol descia”, se despedindo de todos. O velho charuto entre os dedos. Hoje ouvimos as rpadios do mundo , com excelente qualidade, pela “net”.

Quem não se lembra da cadeira da nossa inesquecível “Dona Branca”, lá de cima, do começo da Rua Pedro Américo, ao redor outras cadeiras como a do escritor Paulo Conserva. Deviam acontecer altos papos. Dona Branca lia muito e sempre me confidenciava que gostava dos meus artigos, ficava lisonjeado.
São muitas cadeiras se esvaziando...

A última cadeira vazia que observo por esses tempos é a do meu vizinho Miguel. Todos os dias, ao amanhecer, era a sua primeira ação, colocar a sua velha cadeira na calçada, alimentar a “cachorrada” e os gatos de rua e apreciar a paisagem do lindo e poético sertão.

- BOM DIA, MIGUEL?!
- Bom dia Reynollds.

Com esse cumprimento matinal o dia corria sem atropelos.

Todos nós estamos deixando as nossas cadeiras e por isso é importante refletir em torno do tema, para que possamos apreciar mais, sentir mais e viver mais, não apenas existindo. É certo que seguiremos , mas esse momento é único, nessa conjuntura, nessa encarnação, nesse contexto.

É por isso que o bíblico diz: “ só se morre uma vez”. Tá certo. Estamos nos despedindo desse corpo, desse RG, desse CPF, dessa posição social em que nos encontramos para continuar a vida que não cessa nunca. E tem gente mais para lá, do que para cá, como também, gente que mesmo pensando que ficará mais por aqui, logo nos deixa, pois o dia ninguém sabe. Tudo que é material é impermanente e só o espírito segue.

As cadeiras estão ficando vazias...

PENSE NISSO! MAS PENSE AGORA MESMO

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou da matéria... Comenta, vai!