quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Sexo sem dúvidas: saiba o que é mito e o que é verdade sobre o tema

No dia mundial do sexo, é hora de deixar a vergonha de lado e falar sobre o que é real e o que é mito a respeito desse assunto.

Falta de conhecimento sobre sexo pode gerar medos que afetam a vida sexual e até afetar a saúde.

Ainda hoje, muitas pessoas consideram assuntos relacionados ao sexo como tabus e não se sentem confortáveis o suficiente para discuti-los. Em contrapartida, dados a respeito de prevenção e transmissão de doenças e até queixas ou dúvidas frequentes que as pessoas têm quanto os próprios hábitos sexuais tornam extremamente necessário trazer o tema à tona.

De acordo com o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, a forma de transmissão mais comum do vírus do HIV entre homens e mulheres maiores de 13 anos ainda é por meio de relações sexuais. Enquanto isso, segundo a educadora sexual e fisioterapeuta íntima Débora Padua, muitas mulheres sofrem com dores durante o sexo e cerca de 5% da população feminina tem vaginismo ( condição que faz os músculos da vagina se contraírem e impede a penetração ), mas demoram a buscar tratamentos por vergonha ou falta de
conhecimento. Aproveitando o Dia do Sexo, o Delas reuniu alguns mitos, verdades e curiosidades sobre o tema; confira:

A camisinha é o método contraceptivo mais eficaz
Não necessariamente, já que a porcentagem de eficácia da camisinha na hora de prevenir uma gravidez indesejada é parecida com a de outros métodos contraceptivos, como as pílulas anticoncepcionais e o DIU (todos ficam em torno dos 99%). Ainda assim, de acordo com a ginecologista Mariana Maldonado, a camisinha – tanto a masculina quanto a feminina – é o único método contraceptivo que também é capaz de prevenir a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis por criar uma barreira que impede a passagem de fluidos.

Entretanto, para que a camisinha cumpra o que promete, deve ser usada corretamente. É importante sempre escolher a camisinha do tamanho correto, não armazená-las em locais quentes e propícios a atrito (como a carteira, por exemplo), seguir as instruções corretamente na hora de colocá-la e ter certeza de que está tudo bem lubrificado para que ela não se rompa (evitando lubrificantes que não sejam à base de água).

A lubrificação é uma das coisas mais importantes na hora H
Verdade! Ao lado do consenso e da proteção, a lubrificação é essencial para que o a relação sexual seja prazerosa e segura para todos os envolvidos. De acordo com a sexóloga Carla Cercarello, do site C-date, a vagina normalmente se lubrifica sozinha conforme a mulher vai ficando excitada, mas algumas têm dificuldades nessa hora. Segundo a especialista, negligenciar as preliminares e não usar um lubrificante artificial quando a mulher não consegue ficar úmida o suficiente faz com que a mucosa vaginal não se expanda como deveria, tornando a penetração dolorosa.

Carla afirma que, para que as preliminares sejam adequadas, é necessário que a mulher conheça os próprios desejos e que os parceiros estejam empenhados em dar prazer um ao outro. Masturbar-se e conversar com a pessoa com quem está fazendo sexo são duas boas formas de contornar a situação.

Se isso não for suficiente, um lubrificante artificial ajuda e muito, mas é importante ficar de olho na composição. Já que lubrificantes à base de silicone e óleo podem interferir na eficácia da camisinha, Carla recomenda o uso de produtos à base de água. Além disso, nada de apostar em “lubrificantes quebra-galho”, como óleo de coco, cremes hidratantes e saliva. Apesar de escorregadias, essas substâncias podem atrapalhar a brincadeira causando desconforto e até infecções.

Sentir dor durante o sexo é normal
Isso é, definitivamente, um mito. Ainda assim essa queixa é frequente para um número bastante grande de mulheres. De acordo com um estudo realizado com cerca de 7 mil mulheres britânicas e publicado no “British Journal of Obstetrics and Gynaecology” mostra que 7,5% das mulheres entre os 16 e 74 anos que são sexualmente ativas afirmam sentir dor na relação.

São diversos os fatores que podem gerar esse tipo de desconforto durante o sexo. Na menopausa, por exemplo, o desequilíbrio na produção de hormônios faz com que a vagina fique menos lubrificada, aumentando a fricção na relação sexual e gerando ardência. De acordo com Débora, é possível contornar a situação com lubrificantes especiais, reposição hormonal e até fisioterapia íntima, que estimula o canal vaginal com exercícios, tornando-o mais hidratado.

Há ainda outras questões físicas que podem causar dor durante a relação, como a dispareunia e o vaginismo. Na primeira condição, a mulher sente dores durante e até depois do sexo, enquanto, na segunda, a penetração simplesmente não ocorre, já que os músculos da vagina se contraem e impedem a entrada de qualquer coisa, tornando o processo doloroso.

Esse tipo de problema pode, sim, ter causas físicas, como infecções ou DSTs , mas, de acordo com Débora, na maior parte das situações, as causas são psicológicas. Há a possibilidade de medos, quadros de depressão e ansiedade afetarem a relação que a mulher tem com a sexualidade , fazendo com que ela “trave”. De acordo com ela, é preciso consultar um ginecologista para que ele possa fazer o diagnóstico e encaminhar para o tratamento adequado, seja com fisioterapia íntima ou até acompanhamento psicológico.

O hímen não é o principal responsável por queixas de dor na primeira vez
Verdade! Apesar de o rompimento desse pequeno trecho de pele que fica dentro do canal vaginal ser apontado como a causa de dores excruciantes quando a mulher perde a virgindade, não é bem verdade. De acordo com Livia Daia, ginecologista e obstetra da clínica Daia Venturieri, o rompimento do hímen pode, sim, causar algum desconforto, mas nada extremamente doloroso. A ginecologista explica que, normalmente, a dor na primeira vez está ligada à falta de relaxamento e de lubrificação da mulher na hora H.

A mulher precisa de penetração para ter prazer
Mito! Por mais que filmes adultos normalmente mostrem todas as mulheres delirando absurdamente quando são penetradas, isso não precisa necessariamente acontecer para que elas sintam prazer . Muitas delas, na realidade, mal conseguem chegar ao orgasmo se essa estimulação for a única.

De acordo com Cátia Damasceno, especialista em sexualidade e colunista do iG Delas , o orgasmo clitoriano – aquele em que a mulher atinge o clímax com estimulação do clitóris – é mais comum e inclusive mais fácil de ser atingido. A especialista explica que isso se dá pelo fato de o clitóris ser mais acessível e mais cheio de terminações nervosas do que o ponto G, localizado dentro da vagina.

Não é bom limpar exageradamente as partes íntimas após o sexo
Verdade! De acordo com ginecologistas, a limpeza da região íntima – principalmente a feminina – é um tópico cercado por mitos. Ao contrário do que muitos pensam e do que é anunciado por aí, não é necessário utilizar uma gama enorme de produtos; na realidade, algumas substâncias podem até fazer mal para a mucosa da região.

De acordo com Mariana, lavar a região com água já basta . Se a pessoa sentir muita necessidade, pode utilizar um sabonete neutro ocasionalmente, mas não depois do sexo. Segundo Leslie Page, ginecologista consultada pelo veículo “Women’s Health”, a sensibilidade do local aumenta após o sexo, e tanto substâncias de limpeza quanto banhos muito quentes nesse momento podem ser prejudiciais para os genitais.

Ingerir esperma faz mal à saúde
Parcialmente verdade. Enquanto algumas pessoas torcem o nariz, outras têm a prática de ingerir esperma após o sexo oral como hábito e, de acordo com Julio Geminiani, urologista da Clínica Unix, a substância é composta por hormônios, proteínas, açúcares e espermatozoides, tornando-a inofensiva para o organismo. No entanto, o esperma pode servir como um condutor para doenças sexualmente transmissíveis, tornando a prática algo não muito indicado, principalmente durante o sexo casual.

Consumir pornografia faz mal para o relacionamento
Depende. Essa questão divide opiniões tanto de quem gosta desse tipo de material quanto de especialistas e não é possível afirmar com certeza que assistir a filmes pornô vai necessariamente fazer com que a pessoa se torne infeliz no relacionamento ou passe a se atrair por práticas duvidosas.

De acordo com Carla Zeglio, psicóloga especialista em sexualidade, a substituição da educação sexual por filmes pornô, algo que ocorre com frequência, já que a tecnologia torna esse conteúdo cada vez mais acessível. Isso, segundo ela, é algo prejudicial porque esse material normalmente transmite imagens irreais a respeito do sexo. A psicóloga afirma que, se utilizada única e exclusivamente de forma recreativa, a pornografia não é prejudicial, mas é necessário ter em mente que nem tudo o que aparece ali condiz com a realidade .

Mulheres também têm a capacidade de ejacular
Esse é outro tópico que divide opiniões. Enquanto muitas mulheres afirmam ter a capacidade de expelir um líquido quando chegam ao ápice do prazer (assim como os homens quando gozam) e muitos especialistas acreditam que isso é, de fato, um tipo de ejaculação, alguns estudiosos afirmam que não se trata disso.

Segundo Débora, a substância expelida por mulheres que têm o “squirt” não é a mesma que lubrifica a vagina, não é tão esbranquiçada quanto o sêmen e definitivamente também não é urina. Apesar do mistério acerca do que provoca essa reação no corpo, porém, ter o “squirt” durante o sexo faz parte da realidade de muitas mulheres e não deve ser considerado uma anomalia ou algo sujo.

Delas – iG

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