segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Professor Francelino de Alencar Neves


Não contava bem treze anos de idade, o professor Neves, nascido Francelino de Alencar Neves, pois nasceu a 11 de setembro de 1897, quando teve de retornar com seus pais a cidade de Misericórdia, hoje Itaporanga. 

Filho de Pedro de Araújo Neves, capitão da guarda nacional, maestro e compositor de dobrados e músicas sacras, e dona Maria Rodrigues Neves. Foi matriculado no Colégio Pedro Américo, onde iniciou os primeiros rudimentos de humanidades, mostrando-se assíduo e fervoroso, lidando por sobrepujar os demais condiscípulos na faina do saber. 
A inteligência e a ambição precoce desse adolescente, numa cidade ainda carente de bons professores, fizeram com que fugisse de casa e se recolhesse, aos 17 anos de idade, ao Colégio Padre Rolim, em Cajazeiras, o educandário de maior grau e conceito da Paraíba, àquela época.

É fácil de prever as dificuldades de adaptação e a reação de comportamento no clássico ateneu, destinado aos filhos da natureza sertaneja. Superadas as emoções naturais que o impacto lhe causara, o frágil e pequeno adolescente vencia lenta e seguramente, com simpatia e inteligência, todas as dificuldades de ordem financeira e de adaptação aos novos deveres, com firmeza de propósitos e entusiasmo. Assim, serviu de copeiro, chefe de disciplina, inspetor de classe e auxiliar de professor, até a conclusão tão cobiçada - colar grau como professor normalista, o primeiro de todo o Vale do Piancó. 

Distinguiu-se como o primeiro aluno durante todo o curso normal, com fortes pendores para a literatura, entretanto, à glória tranquila das letras não o fascinava tanto quanto o ideal de se tornar mestre-escola, que já madrugava nele como uma bandeira de redenção a ser desfraldada por toda a Paraíba, rasgando as trevas da ignorância com singelas lições do saber. 

Em 1922 chega laureado em Misericórdia, terra que sempre a teve como prestimoso torrão natal, seja por méritos granjeados das famílias e autoridades, seja principalmente pelo respeito e afeto de todos os seus discípulos onde instala e dirige o Colégio Dr. Manoel Diniz, homenagem ao seu primeiro mestre. Este evento marca o início de uma carreira difícil e brilhante, de batalhas e vitórias para aquele que passou a ser conhecido simplesmente como Professor Neves. A sua escola era uma oficina para a vida, a cantoria ritmada do “b a ba”, a terrível palmatória e outros castigos foram substituídos pela pedagogia de uma Escola Nova, de uma Escola para a Vida. 

Os deveres escolares não se limitavam aos livros, os seus discípulos participavam com responsabilidade de todos os eventos sociais, comerciais, agrícolas, artísticos, cívicos e religiosos da comunidade, tornando-a alegre, feliz e sadia. Ali, na Misericórdia de 1922 se assentavam os alicerces do que hoje se constitui aquela que oferece a Paraíba o maior percentual de homens ilustres, profissionais de escola nas mais variadas atividades do saber, filhos e netos de homens cordatos, probos, laboriosos. 

Nomeado professor público em 20 de janeiro de 1923 para a Escola Masculina de São José de Piranhas, aí permaneceu por apenas um ano, retornando mais uma vez a Misericórdia, em atenção aos apelos do eminente Dr. José Gomes da Silva, um dos vultos políticos mais notáveis da sua história e seu grande mecenas. 

Começa então a sua longa e brilhante trajetória de mestre-escola da Secretaria de Educação do Estado, após ter exercido em Misericórdia, no período de 1924 a 1931, o magistério público. 

Após dirigir o Grupo Escolar “Gama e Meio”, em Princesa Isabel, de 1932 a 1934, galgou o cargo mais elevado, àquela época, de Inspetor Técnico Regional do Ensino, tendo dirigido as delegacias regionais de Souza, Misericórdia, Piancó, Patos e João Pessoa. 

Na função de mestre e coordenador de seus condiscípulos foi pródigo na transmissão da sua larga experiência e do seu profundo saber pedagógico, realizado sempre com extraordinário vigor cívico e muito desprendimento. 

Além de mestre-escola, o professor Neves foi um exímio poeta e um religioso marcadamente católico. Suas poesias relando sempre lições de história, moral, geografia do Estado, civismo e alto cunho de religiosidade, eram com frequência publicadas no caderno de Letras de “A União”. 

O Professor Neves faleceu aos 85 anos de idade, na cidade de Salvador, cercado do carinho dos seus filhos e amigos. Foi casado com Dona Santa Brasileiro Neves, deixando seis filhos, todos normalistas, alguns de nível superior.

Do Livro: Se essa rua fosse minha - Volume II
Paulo Rainério Brasilino

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