domingo, 10 de setembro de 2017

O Velho Projeto de Cinema Caseiro, de Itaporanga

PENSE NISSO! MAS PENSE AGORA MESMO
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O Velho Projetor de Cinema Caseiro, de Itaporanga
(Reynollds Augusto)

Sabe leitor, eu descobri que experimentei uma infância plenamente feliz. É que todos que a viveram no interior têm essa sensação. O palco da minha infância, adolescência, juventude e adultice fora Itaporanga e espero terminar os meus dias por essas bandas.

É que somos imortais e temos muito tempo para conhecer o mundo, mesmo depois do "decesso" físico, sendo que o nosso espaço é o universo. A dificuldade, no interior sempre foi a instrução, hoje não mais, pois o conhecimento está globalizado. Isso é coisa de Deus.

O conhecimento racionalizado é uma das metas de todo espírito, em conjunto com a educação (bem maior) e o desenvolvimento do sentimento, que são as ferramentas para o encontro real com a felicidade, que é um estado interior de conquista. Razão e sentimento, eis as chaves das conquistas.
Nada de pô-la nas coisas, na grana, pessoas ou em algum lugar distante. Não perca mais tempo, leitor, SEJA FELIZ.

Mas felicidade mesmo fora a minha infância querida, com os meus eternos amigos de infância, Juvianês, que perdi o contato, depois que a sua saudosa mãe foi morar na outra rua e ele foi residir na capital do sertão, Patos.

“Veizim” sempre foi o cabeça pensante do grupo de “moleques” da Rua Pedro Américo. O articulador das felizes traquinagens. E tem cada uma, leitor! O bom é que agora já está prescrito. Nós fomos muito felizes, juntos, com as traquinagens de outrora.

“Capitão”, ainda está conosco e sempre o vejo. Era o galã, da turma, vez por outra nos encontramos e regredimos.
Damião Guimarães, o único filho homem de uma linda família, era a jóia do velho Chico Guimarães, o matuto mais inteligente que conheci, sábio mesmo, sempre lutou pelos direitos sociais dos trabalhadores do campo. Era Deus no céu e “miaozinho! na Terra.

_ Miaozinho, Miaozinho, tu não vais beber com esses
moleques. Tu bem magrinho e eles “roliços”. Deixa disso.

Jardel Amâncio, hoje presidente do Centro Espírita Jesus de Nazaré. Esse sempre foi o protegido da sua saudosa mãe. Só andava nos " Trinques"

- Jardel vê se não vai se misturar com esses moleques e sujar a tua roupa.

Valmir Júnior, hoje um excelente professor lá pelas “bandas” de Campina Grande, Valquimário, seu irmão, que hoje vive no Pará. A rede nos aproximou. Ainda tinha os maiores, Vilado (o Ladim) hoje meu colega de Justiça, Dielson, pelas bandas de Brasília, o Marcos de Chico Naro, “Nelsim”, Sérgio,” Tontonho “... São tantos.

Naquela época não tínhamos cinema. A televisão era a velha Rede Globo Nordeste, de Recife, que transmitia mais chuvisco que imagens, som nem se fala. Pegar uma imagem 50 por cento só para os ricos da época, que colocavam um amplificador “plasmatic” azul e dava para ver alguma coisa. Telefone?! Coisa de luxo.

Damião inventou um projetor de cinema feito com caixa de sapato. O grau era dado por meio de uma luz aberta, cheia de água, á frente da caixa. Por trás uma luz de cem velas. A fita era os velhos desenhos do Marco de Chico Naro, cada estória instigante. O cinema era o velho corredor do Chico Guimarães, o ingresso sempre foi palitos de fósforos, novos. Dez eram a entrada. O porteiro “Veizim” que organizava a entrada dos garotos. Quem desse mais de dez palitos conseguia sentar na fila primeira, "VIP" , no chão, pois a projeção não era lá essas coisas. Casa lotada.

Uma noite feliz de cinema, em um passado, sempre presente na vida da gente. Temos mais vida dentro, do que fora. E o tempo? É só um detalhe.

PENSE NISSO! MAS PENSE AGORA MESMO

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