sexta-feira, 15 de setembro de 2017

DAZINHA FONSECA


Um exemplo edificante

Quem não conheceu esta figura extraordinária em forma de mulher!? 
Era uma mulher pequenina, franzina, mas de uma fibra impressionante, de dar inveja a qualquer pessoa de porte altivo.

Ficou viúva com apenas 43 anos e com sete filhos para criar. O esposo, Antônio Soares da Fonseca, mais conhecido como Totinha, morreu de um enfarto fulminante em um sábado do mês de julho de 1953, às 10 horas da noite. O mundo de Dona Dazinha desmoronou. 
Era a mais pobre das irmãs, mas, sonhava alto, juntamente com o marido, e sempre diziam para os filhos: 

- Não temos posses nem riquezas; a riqueza que vamos lhes dar não pode ser roubada por ladrões nem comida por traças e cupins. Vamos lhes dar o estudo, a cultura que é aquilo que impulsiona as pessoas para frente e para cima. 

O sonho ficou abalado com a ausência do marido, porém, em alguns dias seguintes ao sepultamento de Seu Totinha, ela juntou os filhos e disse-lhes: 

-“De agora em diante eu sou “pãe”, ou seja, pai e mãe. Só quero ver vocês na rua para ir à escola ou à igreja. Quero todo mundo estudando e, as brincadeiras, só serão aproveitadas depois que a lição estiver feita. Se for preciso e se houver desobediência, vou castigar, mesmo com dor no meu coração”. 

Ganhava um salário mínimo como contínua (porteira) do Grupo Escolar Simeão Leal; nunca teve falta no trabalho. Trabalhava grávida até o dia da parição e, nos três dias subsequentes, mesmo tendo direitos trabalhistas, não se ausentava e o Seu Totinha ia fazer a sua função.

Passou dificuldades severas para acabar de criar e educar os filhos, contudo, cada um foi entendendo que este era o caminho e procuraram retribuir esta forma de pensar, estudando com afinco e, quando arranjavam emprego, ajudavam a mãe a formar os outros irmãos. Nunca um de seus filhos ficou em segunda época ou recuperação. Todos passavam de ano com boas notas, com ótima escolaridade.

Foi estóica até o extremo; aguentou humilhações de pessoas da própria família que diziam ser o estudo um privilégio de ricos e que, pobres deveriam pegar na enxada e ir plantar milho e arroz para a sobrevivência. Quanto mais ela ouvia estas frases negativas, mais se sentia impulsionada para subir a montanha da vitória, mostrando que não existem barreiras intransponíveis, mas, falta de planejamento para a sua escalada.

Para o cumprimento desta meta, galgar este desígnio, era necessário que muito sofresse, passasse por grandes obstáculos e necessidades, sentisse o sabor salgado das lágrimas da penúria e, altivamente, vencesse o dissabor. Não poderia recuar. Era vencer ou vencer.
Como armas, foram-lhe dadas à esperança e a fé.

Da primeira arma, ela usou todo o seu potencial demonstrando que um SONHO não é um mero sonho ou apenas utopia, mas, é realizável quando se tem a força inquebrantável dos heróis.

Da segunda arma, ela fez duplicação, multiplicação. Transformou cada pedacinho de fé em mil pedaços, jamais demonstrando desânimo durante a subida tão íngreme da montanha da glória.

Acreditou em si e apostou alto na vitória.

Nas madrugadas silenciosas e solitárias, chorou o desespero e o medo de não alcançar o objetivo, mas, quando a alvorada chegava, ela espantava o fantasma da insegurança e se enchia de novo ânimo e de uma força descomunal que não se sabe como pode caber em um corpo tão pequeno e frágil.

Encheu os olhos do brilho da esperança e usou uma fé enorme na realização da sua meta. 
Venceu. Venceu uma, duas e várias vezes até transbordar a taça do dever cumprido.

Todos os sete filhos se formaram, alguns até com mais de uma formatura: são dois médicos, um dos quais também é psicanalista; outro foi padre e, posteriormente, mestrado em educação; um outro é engenheiro civil e também engenheiro sanitarista; tem um que, além de engenheiro agrônomo, é bacharel em direito e formado em geografia. Tem também um bacharel em Ciência da Computação e uma mestra em pedagogia.

Este exemplo de uma extrema força de vontade, serviu de modelo a toda a cidade de Itaporanga, fazendo com que muitos chefes de família copiassem o padrão Dazinha, impulsionando os filhos para o estudo. Havia uma frase corrente na época, décadas de 1950 e 1960, que se dizia: 

- Filho, faça como os filhos de Dazinha, vá estudar!  

Este é, pois, um exemplo edificante a ser copiado e aplaudido. 

O exemplo de Maria de Sousa Fonseca - Dona Dazinha – que morreu aos 95 anos com a consciência tranquila de que cumpriu muito bem o seu papel na Terra.

Ela era filha de Major Ábdon Leite da Costa Guimarães. Nasceu em Misericórdia no dia 15 de setembro de 1910.

Dr. Antonio Fonseca Jr.
Do Livro Polidores da Pedra

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