segunda-feira, 25 de setembro de 2017

CARMINHA ANANIAS


Na Misericórdia de 1930, poucos meses, depois de rechaçada a invasão da vila pelos jagunços do coronel Zé Pereira, que era contra a eleição de João Pessoa e se rebelou contra o estado, declarando como independente, o Território Livre de Princesa. Era o dia 25 de setembro, quando nasceu à primeira filha do Ananias Conserva de Sousa e Alzira Ananias de Sousa.

Estudou o “a, e, i , o, u” na escola de Toinha Vieira, chamada “o chalé” de Severino Pereira, tendo como professora a própria Toinha, logo após, foi estudar particular com o professor Zé Sobrinho. O primário estudou no Grupo Escolar Simeão Leal, depois foi estudar na escola do professor Lindolfo Ramalho, que funcionava onde hoje é o Centro Pastoral. A escola de Ramalho, foi à precursora do Colégio das Freiras, nela estudavam jovens de todas as cidades vizinha, enquanto isto, para ter um nível de estudos mais elevados, as jovens da vila de Misericórdia, aquelas que tinham posse, estudavam em centros maiores, como Princesa Isabel, para onde iam a lombo de burro e passavam todo o semestre, só retornando, no período das férias escolares. 

Ainda na escola do professor Lindolfo, teve como colegas os jovens Francisco Pinto, que depois se tornaria um grande comerciante, Antonio Pinheiro, que era irmão de Maria de Lourdes Sabino de Sousa (Didi), conhecida como Maria de Agápio e também o saudoso José Soares Madruga e que depois foram ser professores da mesma escola, pela grande capacidade que eles ostentavam.

Com a chegada, em nossa cidade, das Irmãs Carmelitas e o advento da primeira escola para formar jovens normalistas, foi estudar no Colégio Normal Padre Diniz, quando tinha apenas dezesseis anos. Isto em 1946, onde cursou até o segundo ano colegial, porque colocou namoro no pensamento e acabou tendo de repetir o ano. Deixando então de, com mais dois anos, concluir o curso e ser uma professora, o que para os padrões da época, era um grande avanço.

Na passagem para olhar as cheias do Rio Piancó, que se tornavam atração turística no inverno, quando aconteciam as enchentes, descobriu Edval Ábdon de Andrade, carinhosamente chamado de Nêgo, cujo pai, tinha uma budega, que funcionava na casa que fica quase em frente à casa de Zú Silvino, na Praça do Grupo Escolar Simeão Leal, Praça Balduíno de Carvalho.  O caso ficou sério e ela, no dia 06 de abril de 1960, após quase cinco anos de namoro, com as bênçãos de Padre Zé, com Nêgo se casou. É bom lembrar, que este casamento foi feito no meio da igreja, pois por motivo das reformas e preparativos para o centenário da paróquia, que ocorreria no dia 11 de julho de 1960, o altar estava inacessível. Vale lembrar que as comemorações de centenário da paróquia, foram adiadas para o dia 08 de dezembro, juntamente com festa da Padroeira, Nossa Senhora da Conceição.

No civil, o casamento tinha sido no dia anterior, feito por Durval Leite, que respondia pelo Juiz de Paz. Edval passou a ser conhecido, daí em diante, como Nêgo de Carminha, ele era um excelente pintor de paredes, quando a tinta usada era a cal (o carbonato de cálcio) e o pincel, tirado nas serras ao redor da cidade, de uma planta conhecida por “canela de ema”. 
Deste casamento resultaram os filhos: Ricardo Jorge, Régio Jório – que é professor de história e Rilva Jimena.

Antes de namorar Nêgo, Carminha foi à segunda locutora feminina da cidade. A primeira foi Josefa (Zefa) Justino. Seu pai, o Major Ananias, era proprietário do segundo serviço de som, chamado de difusora, de um particular em Itaporanga, adquirido quando o proprietário da loja comercial Ferreira e Filhos, fechou as portas e voltou para Patos. O primeiro serviço de som aqui implantado foi quando Pitanga colocou uma difusora na praça da prefeitura, para propagandear os seus feitos como prefeito, era a chamada “A Boquinha de Pitanga”. Foi ele o precursor do que fazem hoje todos os administradores públicos, com seus programas institucionais, geralmente, para mentir e enganar o povo; mídias pagas, e diga de passagem, muito cara e com o nosso próprio dinheiro.

Mas voltemos a Carminha. Ela usou o microfone, por quase uma década, no serviço de som “A Voz de Misericórdia”, só deixando em 1963, para melhor se dedicar a sua família, devido a grande procura pelos serviços de seu esposo. Carminha ainda ajudava a seu pai, sendo cambista do jogo do bicho, juntando fichas na roleta, na famosa mesa 36, bem como, ajudava também na “Escolinha do Major”, como era apelidado o “Ron Ball”, apelido esse, creio eu, que era devido à semelhança dos assentos, com os bancos escolares, onde ficavam duas crianças juntas, no caso, dois apostadores. Além de ajudar a mãe na lida diária, como a apanha de lenha que era feita na serra onde hoje fica a estátua do Cristo Rei e levar comida para os trabalhadores na roça, quando seu pai arrendou umas terras a Miguel Morato, que ficavam onde atualmente está localizado o 13º Batalhão de Polícia Militar. 

Devido à falta de saneamento na cidade, botou água na cabeça, do Rio Ptancó, para o consumo de casa, na tão conhecida “roladeira”, ancoreta feita de madeira e borracha de pneu, já que nesta época só possuía jumento, quem era extremamente rico, a exemplo de Diassis Leite e Seu Leite, seu irmão, proprietários dos dois únicos animais da comunidade.

Carminha ainda foi uma grande doceira, fazendo doces de leite, liso e cortado, o famoso doce de leite com caroço e o doce de mamão com coco, que eram muito apreciados pelos conterrâneos espalhados Brasil afora. 

Dados tirados de uma entrevista concidida ao autor em agosto de 2015, quando a própria Carminha, na lucidez de seus 85 anos, quase completos, sem saber que eu iria editar a sua história de vida, me relatou estes fatos. Hoje Carminha completa 87 anos.

POLIDORES DA PEDRA  - Vol I
Paulo Rainério Brasilino

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