segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Aos 82 anos, agricultor de Itaporanga colhe algodão e diz que o bicudo não existe mais

Por Redação da Folha – Aos 82 anos de idade, mais de 70 deles na agricultura, o trabalhador rural Antônio de Sousa Sobrinho (foto), morador do sítio Caldeirão, em Itaporanga, vai colher este ano cerca de meia tonelada de algodão e a safra poderia ter sido ainda maior se ele tivesse abrangido o plantio, mas hoje o baixo  preço do produto e falta de mercado regional desestimulam a produção.
            
Parece estranho que o senhor Antônio esteja colhendo algodão em uma área castigada pelo bicudo, praga que acabou com a lavoura algodoeira na década de 80, pondo fim à principal fonte de renda do sertanejo nordestino durante muito tempo. Mas, para o velho agricultor, sua produção este ano é a prova inconteste que o bicudo desapareceu. “Não existe mais bicudo porque ele não poderia resistir todo esse tempo sem algodão, então, como a plantação acabou, a praga desapareceu também, e quem quiser plantar, pode cultivar à vontade porque bicudo não existe mais”, argumenta ele.  
            
Seu Antônio de Sousa foi um dos grandes produtores de algodão no tempo áureo dessa cultura agrícola no Sertão e ainda hoje conserva um equipamento de descaroçar a fibra e que agora poderá voltar à atividade. “A gente precisa voltar a produzir algodão e pode ter certeza que dá certo porque percebi que esta minha plantação agora carregou e deu mais até mais do que os plantios no tempo passado, quando todo mundo produzia”, disse o trabalhador rural, que, apesar de aposentado, continua na lida dura da roça.

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