sábado, 23 de setembro de 2017

A TORTURA DO REFLUXO. QUE FAZER QUANDO A ACIDEZ REMONTA À BOCA


O refluxo gástrico pode ser considerado uma das "doenças do século", tão grande é o número de pessoas, em todo o mundo, que se queixam desse distúrbio realmente incômodo. Felizmente, existem muitas medidas e tratamentos para aliviar os pacientes quando o fluído gastro-estomacal sobre pelo esôfago e muitas vezes chega até à boca.

Por: Aude Rambaud - Le Figaro Santé 

O refluxo ácido ou DRGE (doença do refluxo gastroesofágico) é o retorno do alimento consumido do estômago para o esôfago e em direção à boca, causando dor e inflamação. Isso acontece quando o músculo que deveria impedir que o ácido do estômago saísse do seu interior não funciona de forma adequada. Esse fenômeno costuma ser bem desagradável, e geralmente está ligado a uma refeição demasiado copiosa, ou a outros fatores como a hérnia do hiato. Nestes últimos casos, o refluxo costuma ser persistente, frequente e doloroso. A pessoa deve então procurar um especialista que saberá lhe recomendar um tratamento adequado.

A subida dos sucos ácidos são devidas a uma falha dos mecanismos fisiológicos anti-refluxo, com uma abertura intempestiva do esfincter inferior do esôfago, particularmente
nos casos de excessiva pressão sobre o abdômen (devido à obesidade ou a uma gravidez). Pode igualmente tratar-se de defeitos anatômicos como uma hérnia de hiato (quando a parte alta do estômago "escorrega" no tórax). Existem também outros fatores que favorecem o refluxo: certos medicamentos (progesterona, derivados nitrados, inibidores do cálcio, etc) e também o consumo de álcool ou de tabaco.

A principal prevenção contra o refluxo baseia-se na observância de regras higieno-dietéticas: evitar as refeições excessivamente copiosas e gordurosas, o abuso do álcool, do café e de bebidas gasosas.

Para dormir, a posição inclinada é recomendável, instalando-se por exemplo calços sobre os pés na cabeceira da cama. Deixar a parte superior do corpo um pouco mais alta do que o ventre e as pernas costuma produzir bons resultados. Se esses métodos não forem suficientes, existem medicamentos anti-acidez na forma de gel, xaropes ou em pó que possibilitam limitar o incômodo. Tomados no momento em que começa a "queimação", eles "tapam" a acidez do líquido gástrico. Medicamentos chamados alginatos (para serem tomados no final das refeições) possibilitam, em caso de refluxo, proteger a mucosa que reveste o esôfago. Esses produtos costumam ser vendidos sem necessidade de receita e podem ser tomados nas ocasiões em que o refluxo aparece.

Controlar a presença de lesões na mucosa do esôfago
Se o incômodo e as dores persistem, é importante consultar um médico para controlar o estado da mucosa do esôfago. É preciso verificar se o refluxo provocou lesões. Quando isso acontece, o médico poderá recomendar o uso dos inibidores da bomba de prótons, mas essa terapia necessita de prescrição médica. Tais medicamentos bloqueiam a produção de ácido pelas células do estômago. Mas eles têm uma ação lenta. Várias horas, às vezes vários dias são necessários para que se obtenha algum efeito. Tomá-los quando o paciente está em jejum, bem antes de uma refeição, aumenta a sua eficácia. Eles costumam ser bem tolerados mas, como todo medicamento, não devem se tornar uma coisa rotineira, de uso banal. Sua utilização está ligada a um ligeiro aumento do risco de diarréias infecciosas e de pneumopatias, por causa da modificação da flora intestinal.

Por fim, formas severas de refluxo, quotidianas e dolorosas, e que duram meses e até mesmo anos, podem necessitar uma intervenção cirúrgica que consiste em realizar uma clipagem anti-refluxo na base do esôfago. Trata-se de uma cirurgia quase sempre realizada por videolaparoscopia, que às vezes produz efeitos indesejáveis. 

 Na laparoscopia, são feitos pequenos orifícios na parede abdominal, não necessitando grandes cortes e cicatrizes mínimas. Com isso, há pouca ou nenhuma dor após a cirurgia, com internação de apenas um dia e o retorno ao trabalho pode ocorrer dentro de uma semana (até 14 dias, quando não há complicações).

A cirurgia consiste em diminuir o orifício do diafragma por onde passa o esôfago (hérnia hiatal) e construir uma válvula (fundoplicatura) que impede o refluxo. Após a cirurgia é necessário uma dieta especial por 30 dias. No início, por dois dias, deve-se ingerir apenas alimentos mais líquidos (como água, chá, leite, suco de frutas natural, caldo de sopa, gelatina e sorvete). Em seguida, além dos alimentos anteriores, podem ser ingeridos alimentos um pouco mais pastosos, como por exemplo: vitamina de frutas, caldo de feijão, sopa com hortaliças e carne batida no liquidificador, mingau, pudins e iogurte.​ Depois, alimentos como pão, frutas cozidas ou em compota, arroz, hortaliças cozidas, polenta mole, carne moída ou desfiada, macarrão e purê de batata. Geralmente após 30 dias pode-se comer normalmente, evitando frituras, carnes gordas e doces e temperos condimentados como: pimenta, mostarda, ketchup, etc.

Embora a cirurgia seja considerada muito segura, nenhum procedimento cirúrgico é totalmente isento de riscos. Apesar de raras, podem ocorrer algumas complicações após a cirurgia, como: hemorragias, lesões e infecção envolvendo a ferida, órgãos ou abdome; incapacidade de vomitar; dificuldade em engolir.​

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