terça-feira, 15 de agosto de 2017

Produção de calçados em couro gera R$ 1 milhão em distrito de 600 habitantes na PB

Crescimento na economia faz jovens retornarem para Cabaceiras, na Paraíba. Estado é 2º maior produtor de calçados do Brasil.

Flávio de Lima voltou há sete meses para Cabaceiras, Cariri da Paraíba, após uma temporada no Rio de Janeiro em busca de trabalho. Flávio trabalha como curtidor - tratador de peles - em uma cooperativa de couro na cidade. O couro que ele beneficia serve para produzir calçados no estado, alavancando a Paraíba para o posto de segundo lugar no Brasil em produção de calçados, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Calçados.

Flávio de Lima, curtidor há sete meses em Cabaceiras, Paraíba, desde que voltou do Rio de Janeiro (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)

Segundo o levantamento, em 2015, a cada 10 pares de sapatos produzidos no país, dois eram da Paraíba. Há 19 anos a cooperativa de couros que Flávio trabalha foi fundada por José Carlos e outros 27 sócios, que curtiam 500 peles por mês.

A expectativa na época, em 1998, era de curtir 2 mil peles por mês em 10 anos de trabalho da cooperativa. Mas, segundo José Carlos, o resultado foi ainda melhor. “Chegamos aos 10
anos de vida curtindo 8 mil peles [por mês]”, conta. “Os que tinham deixado, voltaram a fazer o trabalho. Filhos de curtumeiros que não queriam nada, voltaram ao trabalho. Hoje tem 24 famílias que vivem exclusivamente desse trabalho”, diz.

A Diretora de Turismo e Comunicação de Cabaceiras, Mariana de Castro, garante que a produção de couros na comunidade da Ribeira - distrito de Cabaceiras com menos de mil habitantes - é responsável pelo desenvolvimento da região. A produção dos calçados movimenta cerca de R$ 1 milhão por mês.

Cerca de 8 mil peles por mês são beneficidas em cooperativa de Cabaceiras, Cariri da Paraíba (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)

Produção artesanal
Um curtume visitado pela TV Cabo Branco durante a produção da série especial “Passo a Passo” sobre a indústria de calçados na Paraíba, produz peles em processo artesanal. A casca do Angico passa o tanino para o couro através da água.

De acordo com José Carlos, é um processo que tem mais de 200 anos e que chegou até ele através do seu tataravô.

Na Ribeira, distrito de Cabaceiras, há 26 oficinas artesanais que produzem cerca de 12 mil peças por mês. “Nós produzimos sandálias femininas e masculinas”, diz Paulo Ricardo, um dos sócios da cooperativa de beneficiamento do couro produzido na região.

Paulo é outro filho de Cabaceiras que já se aventurou Brasil a fora em busca de oportunidades e afirma, com propriedade, que “valeu a pena sim” voltar para sua cidade natal pois ganhou muito mais “qualidade de vida, entre outras coisas”.

Uma loja na Ribeira, distrito de Cabaceiras, e outra no Centro da cidade escoam a produção da cooperativa (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)

Com G1

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