terça-feira, 29 de agosto de 2017

HISTÓRIA - Cássio Cunha Lima traiu até Ulysses Guimarães, que o chamou de "moleque"


Marcos Maivado Marinho

A traição acompanha Cássio Cunha Lima desde os primórdios da sua vida pública. Faz parte da sua logística de ação, pode assim ser dito sem erro. E poucos entes políticos escaparam do açoite do senador paraibano.

Temos as traições mais recentes - Cícero Lucena e Ricardo Coutinho -, as mais antigas, como é exemplo aquela praticada contra José Maranhão, e até mesmo algumas históricas pouco conhecidas na Paraíba.

É o caso daquela traição que o jornal o Globo, do Rio de Janeiro, divulgou meses atrás, revelada por Dona Mora, a saudosa esposa do também saudoso deputado Ulisses Guimarães, o timoneiro da Constituição Cidadã, o homem das Diretas Já.

Na série “A História de Mora: As jogadas do craque Ulysses”, O Globo revela o lado do amor que o deputado paulista nutria pelo futebol e o envolvimento que entrelaçava na sua vida o esporte e a política.

Um dos artigos traz uma até então desconhecida informação - a de que Cássio Cunha Lima, à época o mais jovem deputado constituinte do Brasil, traiu vergonhosa e
descaradamente o grande mestre do seu partido, o PMDB.

Segue o artigo:

APOIO E TRAIÇÃO
Cássio Cunha Lima foi a Ulysses negar que iria apoiar a candidatura de Mário Covas, o que acabou fazendo.

Queria eu que Ulysses tivesse a mesma reação quando recebeu uma rasteira feia de um garoto prodígio da política, o então prefeito de Campina Grande, Cássio Cunha Lima.

Notas de jornais anunciavam que esse rapaz estava propenso a apoiar o PSDB de Covas.

Mas o próprio Cássio foi pessoalmente ao comitê de meu marido negar essas notícias.

Ulysses sugeriu-lhe que procurasse a imprensa para desmentir esses boatos. O jovem prefeito prometeu fazê-lo no dia seguinte.

Mas, no dia seguinte, no horário eleitoral do almoço, Ulysses, sentado entre Jarbas Vasconcelos, Heráclito Fortes e Renato Archer, deu um pulo quando viu Cássio Cunha Lima anunciando apoio a Covas.

— Moleque! — gritou.

Eu não me encontrava na sala naquele instante. Para ser exata, eu estava em São Paulo.

Voltei nesse mesmo dia para Brasília. Não que aquele apoio tivesse uma importância fundamental para a campanha de meu marido. Mas, no contexto psicológico de estar sendo abandonado e traído pelos companheiros, aquele gesto deixou Ulysses muito abatido.

No ano seguinte, o da Copa, meu marido até que tentou botar fé no Lazaroni. Mas não teve jeito. Decepcionado, escreveu um artigo, no GLOBO, transferindo ao técnico o que pedia aos Constituintes de 87: “Vamos jogar! Vamos jogar!”

Mas Lazaroni não seguiu seu conselho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou da matéria... Comenta, vai!