domingo, 20 de agosto de 2017

CHICO PINTO


Começo da década de 40. Quem cruza o sítio Poço da Pedra e passa pela terra do pacato e benquisto Belmiro Pinto Brandão vai, inevitavelmente, avistar uma plantação de não mais do que dois hectares de fumo e, dentro dela, um jovem de aparência frágil, mas vigorosamente determinado. É um dos dez filhos do velho Belmiro. Seu nome é Francisco Pinto Brandão, mas dali a duas décadas terá o apelido de Chico Pinto e será o homem mais rico de Itaporanga.

Foi assim que começou um dos maiores comerciantes da região em todos os tempos: plantando, colhendo e vendendo fumo. A produção de Chico era juntada a que o pai comprava em Itaporanga e seguia em lombo de burros para o comércio de cidades do Rio Grande do Norte e da Paraíba, a exemplo de Sousa.

O gosto e a vocação pelos negócios, herdou do pai: Belmiro comprava e revendia não apenas fumo, mas também algodão e couro. Chico Pinto seguiu e alargou os passos paternos no ramo do comércio. Ainda era solteiro quando deixou o sítio para se dedicar ao mercado: o seu armazém foi montado inicialmente na Rua da Várzea, esquina com a Horácio Gomes, mas, anos depois, foi transferido para a Getúlio Vargas, esquina com a Osvaldo Cruz, onde funciona até hoje.

Poucos anos depois de montado, o armazém de Chico Pinto já era uma das maiores referências no comércio de estivas, cereais e bebidas da região, abastecendo dezenas de pequenos e médios estabelecimentos comerciais de Itaporanga e do Vale.

Apesar da baixa instrução escolar (não concluiu o primário), era indiscutível sua habilidade para os negócios. Da prole de Belmiro Pinto foi o único que se fixou no comércio. “Meu pai não teve condições de formar todos os filhos, mas dois se tornaram médicos (Zé e Ulisses Pinto) e Chico entrou no comércio e foi bem-sucedido”, comenta o exprefeito de Itaporanga, Sinval Pinto, o único dos filhos de Belmiro a experimentar a política partidária.

Os outros filhos de Belmiro e Antônia Pinto de Sousa são: Socorro, Lenice (falecida), Valdenir, Luzia, Terezinha (falecida) e Antônio Pinto. “Chico sempre foi um homem reservado, e nunca gostou muito de festa: eu me lembro que no carnaval de 1941, enquanto toda a juventude estava na folia, ele foi para o sítio”, recorda ainda Sinval. Talvez por isso tenha se casado somente aos 27 anos, um pouco tarde para o costume da época, mas o importante é que encontrou e conquistou a mulher (Maria Vanderli Leite Pinto) que o acompanhou por mais de meio século e lhe deu oito filhos.

Ver mais no Livro POLIDORES DA PEDRA - Volume I de Paulo Rainério brasilino

Artigo publicado no Jornal Folha do Vale

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