quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Ao criar "nova polícia", Coutinho pode estar dando um tiro pela culatra

A pretexto de enfrentar a criminalidade alarmante no estado, o governador Coutinho instituiu uma arma que pode ter efeito contrário. Ricardo está criando um monstro jurídico para a segurança pública: é uma espécie de guarda com características de polícia, um tipo de milícia oficial ou um paramilitarismo tupiniquim. A criação da "Guarda Militar Temporária" foi publicada nesta quinta-feira, 17, no Diário Oficial do Estado. 
            
Deverão ser recrutados em torno de dois mil homens. Eles serão armados e treinados e terão convivência direta com os quartéis, ou seja, serão integrados aos policiais militares, mas suas principais funções vão ser a guarda do sistema prisional, atividades burocráticas nas unidades militares e o trabalho ostensivo em eventos.
            
O problema é que esses homens não terão estabilidade funcional, serão contratados temporariamente, residindo aí a primeira irregularidade, pois a Constituição proíbe o ingresso no serviço público sem o devido concurso. No entanto, este não é o problema mais grave: depois de seis ou doze meses atuando dentro da própria PM, armados, com táticas militares e com informações privilegiadas sobre o funcionamento da polícia, esses "guardas temporários" serão demitidos e, muitos deles, desempregados, poderão ser cooptados pelo crime organizado, pelo tráfico de droga ou por gente poderosa para atuar como milícia a serviço de interesses particulares e políticos.
            
Se, mesmo com toda disciplina militar e estabilidade estatutária, muitos policiais já desregram, prejudicando a sociedade e aumentado a violência, imaginem pessoas que, de
uma hora para outra, tornam-se policiais por algum processo seletivo duvidoso e, daqui a pouco, serão demitidas por não terem estabilidade. E se ferirem ou serem feridos; e se matarem ou serem mortos, que papel terá o estado na indenização de suas famílias ou de suas vítimas? Será que o estado assumirá esse ônus? É temerário e duvidoso.
          
O que o governo deveria fazer era melhorar a qualificação dos atuais policiais militares e fazer concurso para garantir o ingresso de novos, uma vez que a Paraíba necessita hoje de 18 mil policiais, e tem pouco mais da metade desse efetivo. O governador está criando cobra dentro de casa, mas não é da dele não, é da nossa.  

Curto & Grosso / Folha do Vali

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou da matéria... Comenta, vai!