quinta-feira, 27 de julho de 2017

Mulher perde visão durante o Carnaval e se recupera após transplante de células-tronco na PB


Uma dona de casa de 27 anos que ficou sem visão depois de uma brincadeira de “mela-mela”, durante uma festa de Carnaval na Paraíba, conseguiu se recuperar através de uma cirurgia de transplante de células-tronco. Lais de Sousa ficou quase cinco meses sem enxergar com o olho direito. Ela mora em Lagoa Seca e fez o tratamento e cirurgia em Campina Grande.

A perda da visão aconteceu em 28 de fevereiro deste ano. Lais conta que estava na frente de casa, no sítio Cana, onde vizinhos faziam uma brincadeira de mela-mela, tradicional nas festividades carnavalescas do estado.

“Um vizinho veio em minha direção, mas eu não imaginava que ele fosse fazer o “mela-mela” comigo. Ele jogou cal no meu rosto e acabou pegando no meu olho. Sei que ele não fez por mal, mas na hora já começou a queimar e eu não consegui mais abrir os olhos. Foi um desespero”, disse ela.

A mulher foi socorrida e levada para o Hospital de Lagoa Seca, mas devido à complexidade do caso ela foi levada para o Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande, que é referência para atendimento na região. “Os médicos começaram a fazer uma limpeza no
meu olho e aí já estava bem inchado. Mesmo quando eu tentava, não conseguia abrir o olho pelo inchaço e pela sensibilidade à luz. Só via sombras”, explica ela.

Sem avanços no Hospital de Trauma de Campina Grande, a mulher foi transferida para a Clínica Escola Unifacisa, na mesma cidade, onde fez o tratamento e cirurgia. O médico oftalmologista responsável pela cirurgia, Diego Gadelha, destacou que Laís teve o tipo de queimadura química mais grave que pode acontecer no olho, mais crítico que queimadura por ácido.

O médico explicou que o cal causou uma deterioração de toda a parte externa do olho e podendo comprometer a parte interna, levando a cegueira ou perda do globo ocular. “Ela teve sorte de ter sido atendida rapidamente e encaminhada para o Hospital de Trauma. Lá foram feitos os primeiros procedimentos e evitado que o dano fosse maior”, explicou Diego Gadelha.

Segundo o médico, diante da situação, a "sorte" de Laís foi que o produto atingiu apenas o olho direito, possibilitando que fosse feito o transplante de células-tronco do olho esquerdo para o olho direito. O procedimento aconteceu em junho deste ano. Após alguns dias de recuperação ela voltou a enxergar.

O tratamento antes da cirurgia começou com medicamentos e colírios. Com o problema, a rotina de Laís mudou por completo. No sítio onde morava não havia água e encanada e ela precisava da ajuda de vizinhos para pegar baldes e cuidar da casa. Ela é mãe de três filhos. “Foi uma luta diária. Fiquei dependendo de muita gente para fazer coisas que antes eram simples”, disse.

Laís disse que a maior felicidade foi poder voltar a cuidar e enxergar bem os filhos. “Eu fiquei impossibilitada de muita coisa. Até para arrumar a casa, pegar um balde com água, cuidar dos meus filhos", disse.

Vale do Piancó Notícias

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