terça-feira, 18 de julho de 2017

Minha Caloi

PENSE NISSO! MAS PENSE AGORA MESMO
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Minha Caloi “Cobal”, Anos Sessenta, Azul 
(Reynollds Augusto)

Sabe leitor, hoje eu tomei um susto. É que algo me fez relembrar a minha infância querida, que os anos não trazem mais, mas que ficou no profundo do ser. Fui na “rede” e consegui rever a minha Caloi, Cobal 68, azul. Que felicidade!
É certo que o cérebro é o maior “HD” de armazenamento de informações que existe. É que o seu construtor é um ser perfeito, a perfeição absoluta e portando, com zero por cento de errar. É por isso que “tudo está certo e tudo é causa e efeito, axioma científico.
Os neurocientistas dizem que a mente humana tem a capacidade de armazenar de 10 a 110 terabytes de informação emocionais, racionais e tudo mais. Você sabe o que é isso leitor? Um terabyte é o mesmo que mil gigabytes ou um milhão de megabytes. É muito espaço!
Alias, dizem que as mulheres usam melhor toda essa instrumentação, os homens não. Não acredito leitor, não acredito.
O Estadão, certa feita, em uma matéria própria, informava que se multiplicássemos cada um desses 100 bilhões de neurônios por mil conexões, que poderiam ser feitas, teríamos 110 trilhoes de pontos de dados, ou 100 terabyte de informação. Então, ninguém é “burro” , o que falta é o “querer”, no dizer de Jesus, o maior que esteve entre nós:
” Vós sois deuses, podereis fazer tudo que eu faço e muito mais, se o quiserdes”.
Né não?
Mas, estou divagando demais leitor. São as conexões. 
Quando eu era “menino buchudo” em Itaporanga tive uma infância feliz, “moleque de rua”, nas horas vagas, aproveitei bem a saudável paisagem do sertão de outrora, cuja simplicidade era a tônica. Chuvas, muitos invernos grandes e secas também. Os banhos de rios, as brincadeiras de ruas, as traquinagens, os esconderijos por entre as enormes folhas dos finados “pés de castanholas”. Uma molecada feliz; hoje todos pais de família e responsáveis por suas vidas. É que exercitávamos uma “molecagem consciente”. São tantas estórias leitor!

Mas nós sempre fomos de classe media baixa, cuja dificuldade, que experimentávamos, sempre foi um estímulo para o progresso, para os estudos, para que ficássemos atentos ao que interessava. Tínhamos o essencial e isso já nos bastava.
O mal do mundo é que queremos viver com mais do que precisamos ter e isso gera desequilíbrio. Quando possuímos demais, desnecessariamente, sempre estamos “tirando” do outro. Isso é princípio.
Foi por isso que Jesus disse a Marta: “Marta, Marta, andas preocupadas com muitas coisas, mas só uma é necessária. Maria escolheu a melhor parte. “
A molecada da Rua Pedro Américo tinha por hábito, no final da tarde, reunir todos, para realizarem as famosas “passeatas” de bicicleta. Cada uma mais bela do que a outra. Uma novas, outras semi-novas, mas sempre bem cuidadas. Eu, sempre ficava de fora, quando muito ia na garupa de um dos meus colegas, mas o esforço, para ele, era grande. Eu sempre fui magro, franzino, mas mesmo assim era dificultoso “passear” na garupa. A turma resolvera não mais me dar “carona” para os passeios. Era justo.
Confesso a vocês que fiquei triste leitor e meu amado Pai não tinha condições de adquirir uma bicicleta, naquele tempo, artigo de luxo. Mas, como Deus é Pai, “mandou” um velho homem da roça, que estava precisando de uns trocados, oferecer ao velho uma Caloi, azul, modelo 68.
Pense numa “bike” feia! Mas, para mim a bicicleta mais bela do mundo. Meu pai estava resistente em comprá-la, com vergonha que eu passasse vergonha. Arranhada, folgada, mas não importava. Ele a comprou e deu-me de presente. Foi o meu primeiro veículo. Dei-lhe um trato e ela ficou apresentável. Agora tinha como acompanhar os meus amigos nas “passeatas” de bicicleta.
Leitor, aqui para nós, sofri muito “ bullying”, mas eles ,naquele tempo , tirávamos de letra. Fui vítima de muitas brincadeiras de mal gosto dos colegas, criticando a minha Caloi Azul, 68. Mas, ela tinha um diferencial, era macia e corria muito e sempre ganhava quase todas as corridas, ao ponto de alguns deles pedir para trocássemos na hora dos passeios. Queriam experimentar a mina CALOI ,68, azul. Sempre limpa, bem tratada e que me fazia feliz.
Na época não existiam supermercados em Itaporanga e sim armazéns e bodegas, onde as famílias faziam as suas feiras. Sempre de quinze em quinze dias vinha uma espécie de caminhão fechado, longo, que era um mercadinho ambulante , barato e que tinha de tudo. Chamava-o de COBAL. Era uma festa para as famílias. A molecada, que não deixava nada passar, apelidou a minha experiente Byke,azul, 68 de Cobal, pela largura.
Bons tempos. Saudades da minha Caloi Cobal Azul, 68.



PENSE NISSO! MAS PENSE AGORA MESMO

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