terça-feira, 18 de julho de 2017

INSÔNIA E PESADELOS. FATORES DE RISCO PARA COMPORTAMENTO SUICIDA


Transtornos do sono são preditivos de ideação suicida aguda em adultos jovens, de forma independente da gravidade da depressão, e podem ser considerados sinais de alerta agudos, mostra uma nova pesquisa.

Por: Batya Swift Yasgur
Fonte: Site Medscape.com

Um estudo em larga escala conduzido por pesquisadores da Stanford University School of Medicine, na Califórnia, mostrou que o auto-relato de insônia e pesadelos, e a variabilidade do sono avaliada por actigrafia (exame simples para detectar alterações do sono e do ritmo circadiano), emergiram como sinais de alerta agudos para ideação suicida.

"O sono é um barômetro de nosso bem-estar e tem impacto direto em como nos sentimos no dia seguinte", disse a pesquisadora principal Rebecca Bernert.

"Acreditamos que um sono ruim pode falhar em promover um descanso emocional durante períodos de estresse, impactando em como regulamos nosso humor e, portanto, reduzindo o limiar de comportamentos suicidas", disse ela.

Uma equipe de pesquisadores observou quase 5 mil adultos jovens com idades de 18 a 23 anos, incluindo 50 que haviam sido pré-triados com base em história de tentativa de
suicídio e ideação suicida recente, em três momentos durante um período de 21 dias. O estudo foi publicado on-line em 28 de junho último no Journal of Clinical Psychiatry.

Maior sinal de alerta
A idade adulta jovem é caracterizada por "uma prevalência compartilhada de distúrbio do sono e risco de suicídio", observam os autores. Transtornos do sono têm sido reconhecidos como "dentre os maiores sinais de alerta do suicídio". Adicionalmente, "pesquisas preliminares sugerem que eles podem conferir risco para comportamentos suicidas", escrevem os autores.

No entanto, estudos prévios que avaliaram essa associação foram prejudicados por "limitações metodológicas", incluindo dependência de queixas subjetivas, como auto-relato de insônia, fadiga e qualidade do sono ruim subjetiva como fatores de risco para suicídio.

"Embora as queixas do sono anteriormente pesquisadas tenham sido avaliadas previamente como um fator de risco, ainda era preciso um estudo para investigar o sono perturbado como um indicador de risco agudo, usando um índice objetivo de sono entre adultos jovens", comentou Rebecca.

Para este estudo os pesquisadores utilizaram um desenho longitudinal, e aplicaram medidas de sintomas validadas e um período de tempo agudo, para "avaliar se essa relação emerge com o uso de medidas de sono objetivas e subjetivas".

Para fornecer uma avaliação contínua, eles utilizaram o exame de actigrafia do sono, cujo dispositivo foi usado pelos participantes por uma semana. A actigrafia já foi validada como uma forma precisa de distinção entre padrões de sono-despertar. Além disso, eles exploraram se uma "variação de humor intra-individual" esteve associada com ideação suicida e parâmetros do sono.

"Insônia, pesadelos e variabilidade de sono estiveram altamente correlacionadas, e a variabilidade do humor serviu como um sinal de alerta adicional para sintomas de suicídio, ao lado dos distúrbios do sono", disse Rebecca. "Insônia e pesadelos produziram uma maior variabilidade no momento no qual somos capazes de pegar no sono nas noites subsequentes, o que fala um pouco sobre a forma como a insônia se desenvolve", acrescentou.

Oportunidade para prevenção do suicídio
Comentando o estudo para o Medscape, Maria Wong, professora do Departamento de Psicologia, Idaho State University, em Pocatello, considerou esse "um estudo muito valioso, ligando a medida objetiva de parâmetros do sono a mudanças nos sintomas de suicídio".

"Pesquisas prévias, incluindo a minha própria, mostraram que o auto-relato de problemas de sono prediziam a ideação e as tentativas de suicídio. Esse estudo mostrou que a variabilidade do sono objetivamente relatada previu os sintomas de suicídio de forma prospectiva", disse Maria, que não esteve envolvida no estudo.

O estudo traz mensagens de rápida aplicação. "Os médicos deveriam avaliar os sintomas de insônia, variabilidade no tempo de sono, e outros parâmetros quando trabalharem com pacientes suicidas", disse Maria Wong. "Eles deveriam discutir hábitos de sono com esses pacientes, e, se necessário, prescrever medicações para ajudá-los a dormirem melhor".

Adicionalmente, "psiquiatras deveriam questionar pacientes com distúrbios do sono sobre possíveis pensamentos suicidas".

Rebecca observou que "tratamentos testados para tentativas de suicídio são escassos em comparação com a necessidade, e permanecem incompatíveis com a natureza aguda da crise suicida".

Em comparação com outros fatores de risco para suicídio, "o transtorno de sono é modificável, não estigmatizante, e altamente tratável com intervenções breves e de ação rápida", apontou ela.

"Dessa forma, acreditamos que o estudo do sono possa representar uma oportunidade importante para intervenção e prevenção do suicídio, que é prevenível, mas permanece um assassino silencioso e uma importante doença global, destacando a necessidade de novos tratamentos e estratégias de intervenção".

Ela recomendou a American Academy of Sleep Medicine e a National Sleep Foundation como "recursos excelentes" para o auxílio de médicos que tratam pacientes com transtornos do sono.

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