terça-feira, 18 de julho de 2017

Estudos mostram perfil dos jovens que apoiam Bolsonaro


De deputado inexpressivo no Congresso, onde está há 26 anos e nada ou pouco fez pelo país em termos de legislação, de baixa capacidade intelectual para o debate profundo de temas relevantes e nenhuma ascensão a cargos importantes na Câmara ao longo desse tempo, ou seja, da pequenez parlamentar, Jair Bolsonaro, de 62 anos, passou a fenômeno de popularidade, já figurando, em algumas pesquisas eleitorais, como o segundo lugar na preferência do eleitor brasileiro com vistas à eleição presidencial do próximo ano.

Isso motiva estudos acadêmicos e particulares no campo da Sociologia Política para buscar entender esse tipo de fenômeno, que não é algo novo, pois o próprio Bolsonaro (PSC) e sua família já vivem da política há muito tempo (seus filhos também são parlamentares e sua esposa já foi), e o instrumento para atrair tanto voto sempre foi o verbo: o discurso raivoso, intolerante e polêmico, que é bem mais fácil de atrair a mídia e com o qual muita gente se identifica, e cada vez mais.
                
Como apontam os estudos, em um Brasil brutalizado pela violência e a corrupção, em meio à crise política e econômica, esse tipo de discurso falsomoralista e temperado de ódio é um prato cheio para muitos brasileiros famintos por uma solução rápida e enérgica para o país, mas as soluções bolsonaristas são simples demais para problemas tão complexos e inviáveis do ponto de vista prático, como a própria realidade brasileira mostra. Na verdade,
ele é mais ator do que ativista e encontrou um caminho retórico para vender ilusões e pregar barbáries, deu um tiro certeiro na atenção brasileira, ávida por desequilibrados, e conquistou um promissor nicho eleitoral.
                
Alguns estudos sociológicos mostram que os jovens que apoiam Bolsonaro têm, em geral, boa escolaridade e renda média, mas seu nível de informação é baixo e menos ainda é o conhecimento que têm da realidade histórica nacional, inclusive desconhendo o que representa a própria extrema direita, onde estão se colocando. Os jovens veem nele algo novo, mas, na verdade, nada há de novo no discurso nem na prática política bolsonarista. Embora travestido de moderno, ele não é nada além de um velho oligarca, qual coronéis políticos do Sertão: entrou na política e, de depois, botou lá também os filhos, a mulher e, consequentemente, toda parentela empregada em seus gabinetes bancados com dinheiro público.
                
Bolsonaro grita contra a corrução de Lula, mas silencia diante da corrução de Temer em troca da liberação de verbas milionárias para o seu gabinete redistribui-las conforme seus interesses, mostrando toda a incoerência comum às velhas raposas da política. Hoje ele defende o militarismo, mas foi gritando contra as arbitrariedades dos militares que atraiu holofotes e votos.  Não tem projetos para educação nem para a saúde, e a segurança pública imaginada por ele já é o que de pior existe no Brasil de hoje e há muito tempo.
                
O país defendido por ele não é novidade, é a realidade que atualmente a gente vive e não é nada boa: Bolsonaro, por exemplo, defende uma maior exposição, repreensão e violência policiais frente à criminalidade, mas a polícia brasileira já é a que mais mata e morre no mundo e a quarta que mais prende no planeta e, mesmo assim, a violência só aumenta. Mostra-se intolerante com direitos femininos e homossexuais, mas é exatamente no Brasil onde mais crimes são praticados por motivações sexuais e de gênero: por aqui gays e mulheres morrem ou são violentados aos montes como em nenhum outro lugar na Terra. Em uma nação onde a tortura foi e ainda é uma realidade dolorida e vergonhosa, o mililtar Jair tem a ousadia de defender seus colegas da cruel, corrupta e sanguinária Didatura Militar.
              
Num nação tão violenta, ele defende mais violência, defende a vingança e não a Justiça, inclusive defende o “olho por olho, dente por dente”, preceito abolido pelo próprio Cristo, mas, mesmo evangélico, talvez Jair não saiba disso. Bem que ele poderia falar em melhor investimentos em saúde mental para enfrentar a droga, em moradia para enfrentar a exclusão, em educação em tempo integral para reduzir a marginalidade, em qualificação profissional para enfrentar o desemprego, em ciência e tecnologia para melhorar a qualidade dos produtos brasileiros, em distribuição de terras para reduzir a miséria no campo e evitar o êxodo, mas o que ele quer é o discurso fácil e falso para atrair atenções e recrutar admiradores.
                
No entanto, a tendência é a popularidade de Bolsonaro cair ou se estagnar, como preveem muitos estudos, principalmente quando ele for confrontado com temas profundos durante os debates, exatamente quando ficará mais evidenciado seu despreparo para alçar voos maiores na vida pública nacional.

Folha do Vale

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