sexta-feira, 14 de julho de 2017

É o Bicho, É o Bicho...



PENSE NISSO! MAS PENSE AGORA MESMO
.............................................................................
É o Bicho, É o Bicho...
(Reynollds Augusto)

Sabe leitor, no início da nossa “odisséia” profissional, quando nomeados para exercer as nossas funções junto à Comarca de Itaporanga, tínhamos o hábito de nos reunir nos finais de semana e, também, nos períodos festivos, para brincar, tirar a gravidade.

É que a Justiça Comum indica o essencial ambiente de a quantas anda a nossa sociedade. Aqui tem de tudo e um pouco mais. Sorrimos com as alegrias dos jurisdicionados, choramos com as suas tristezas, que na verdade implicam o movimento constante da vida, com perdas e ganhos, mas sempre ficando o aprendizado. Tudo serve de educação para as nossas almas, pois o Planeta Terra é, antes de tudo, uma grande escola, além de ser um hospital e uma prisão.

O Oficial de Justiça possui outras funções intrínsecas que são as de detetive e psicólogo. Somos uma espécie de “ouvidor” dos dramas da comunidade sendo preciso tentar promover o equilíbrio, mesmo que informalmente, das partes.

A nova legislação Civil, trouxe para o meirinho mais uma função, a de conciliador primevo, auxiliando o juiz nessa difícil arte de compor conflitos, sempre fruto do nosso orgulho e do nosso egoísmo, as duas grandes chagas sociais e os responsáveis por quase todos os litígios. Né não?

“Bem aventurados os homens de Boa Vontade” ( Jesus)

Mas eu sempre levava para esses encontros o meu aposentado violão e brincávamos até cansar. Alem dos magistrados, os maestros dessa “orquestra jurídica”, que dão cadência e emoção aos processos, na condução das histórias pontuais humanas, os servidores, como também, os advogados e promotores, atores legítimos dessas reais histórias de vida, a encenar capítulos da “novela Justiça”.

Eram dias de alegrias e muita música. Um destaque para o outrora escrivão BETO BARROS, que sempre foi alegre, companheiro, responsável, feliz. Lembro-me da linda galega Eliana, com seu sorriso largo e uma expressão de garota sensível, que desencarnou, fora do combinado.

A vida é sempre assim leitor, você pode está hoje aqui e amanha não. Estamos sempre de passagem e tudo é impermanente, até o planeta Terra, que cumpre a sua missão pessoal de planeta que está categoria de “prova e expiação”., segundo os imortais. Ou o “cabra” está aqui sendo testado ou submetido á expiação, que uma espécie de “penalidade” divina para os erros cometidos no passado e, portanto, tudo “está certo”, pois Deus não joga dado. Afinal, segundo Jesus: “Não sairás daí ( do planeta Terra) enquanto não pagares até o último ceitil” e como somos seres imortais, experimentando corpos mortais, ninguém escapa; retornaremos, o espírito ressurgira reencarnando, não tem jeito.

É por isso que sei da ressurreição do espírito e jamais da ressurreição carne, como querem alguns e que é cientificamente impossível. Deus não derroga as suas leis, por serem perfeitas.

Lembro-me, também, do Oficial de Justiça ZÉ NETO, que tinha uma voz possante, nos fazendo relembrar o saudoso NELSON GONÇALVES. No momento dos “bregas”, ele dada conta do recado:

“ Lembro o olhar, lembro um lugar, teu vulto amado
Lembro um sorriso e o paraíso que tive ao teu lado”...

Saudades do velho Zé Neto. Ele tinha uma rixa natural com Manoel. Também, Manoel o instigava de propósito, o chamando de “velho preguiçoso”, em tom de brincadeira e isso era o estopim para as “brigas”.

- Preguiçoso és tu “cabra safado”, que depois que essa comarca aderiu á distribuição de mandados por esse sistema do cão, enches a minha pasta de diligências.

Mas, era tudo brincadeira.

Hoje estávamos a relembrar, eu e Manoel, que de cabeção não tem nada, desses momentos, dessa vida que logo passa e que levamos no nosso psiquismo pessoal, mesmo depois da morte do corpo físico, que acontece a cada segundo, nessa curta existência física, que dia a dia despede-se nós.
Deixamos de fazer as reuniões, principalmente, pois sumiram com a minha pasta de músicas, com as velhas harmonias, dos roques nacionais como Titãs, Kid Abelha,Ultraje, forrós “pé de serra”, músicas baianas, com um destaque para “é o bicho, é o bicho, vou te devorar, crocodilo eu sou”...
Eu não tenho provas, mas tenho convicção que foi Manoel, que deu cabo do meu repertório.

PENSE NISSO! MAS PENSE AGORA MESMO

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou da matéria... Comenta, vai!