quarta-feira, 12 de julho de 2017

DIETA VEGANA. MELHOR DEIXAR AS CRIANÇAS FORA DISSO?


A dieta vegana, que exclui todo e qualquer tipo de alimento de origem animal, está na moda. Mas trata-se de uma opção bastante controvertida, sobretudo para bebês e crianças pequenas. Especialistas dizem que esse tipo de dieta leva as crianças a desenvolver deficiências nutricionais das quais elas sofrerão as consequências ao longo de toda a sua existência.

Por: Prof. Patrick Tounian - Le Figaro Santé

 Os adeptos do mais recente modismo alimentar, a assim chamada "dieta vegana" (vegetalismo), se multiplicam. Esse sistema dietético consiste em rejeitar todos os produtos provenientes de animais. No entanto, na minha opinião - e na de muitos nutricionistas - é de que ele não é adaptado para a espécie humana, na medida em que aumenta o risco de carências nutricionais. É sobretudo quando a alimentação vegana é imposta a uma criança que essa opção alimentar torna-se grave.


Os pediatras informam que, a cada dia, em seus consultórios, surgem mais lactantes sofrendo de carências severas por causa da substituição do leite materno ou de vaca por
bebidas vegetais à base de castanhas, amêndoas, avelãs, arroz ou soja. Tal dieta pode acarretar consequências irremediáveis, sobretudo no que diz respeito ao desenvolvimento cerebral. As complicações podem inclusive levar à morte, como pudemos constatar várias vezes no decorrer dos últimos anos.

Quase sempre, os pais decidem retirar o leite animal e dar bebidas vegetais a suas crianças a partir das indicações de algum profissional das medicinas alternativas, ou por informações obtidas nas redes sociais. Rapidamente esses pais desenvolvem um perfil bastante estereotipado, caracterizado por uma desconfiança paranóica para com o leite. Assumem, sem maiores conhecidos nutricionais, uma alimentação inteiramente vegetariana ou vegetaliana, com uma preferência pelos produtos saídos da agricultura biológica. Isso geralmente vem acompanhado por uma recusa em fornecer vacinas aos filhos.

Existem, na verdade, preparações infantis nas quais as proteínas do leite de vaca são substituídas por proteínas do arroz ou da soja. Mas tais preparações são perfeitamente adaptadas aos lactantes que podem, portanto, tomá-las sem correr o risco de carências.


Afirmações pseudo-científicas
Os responsáveis por esse desvio alimentar mortífero não são os pais, mas sim aqueles que os incitam e convencem a assumir tais dietas. Naturopatas, homeopatas e osteopatas estão entre os principais prescriptores de bebidas vegetais para bebês. Eles utilizam, às vezes com grande poder de convencimento, o seu status de terapeuta para passar adiante falsas certezas e convencer desse modo os pais crédulos ou simplesmente sensíveis a esse modo de pensar. Tudo isso acontece apesar da vacuidade científica de seus propósitos. Os industriais que produzem e comercializam esses sucedâneos do leite infantil são cúmplices desse desvio e muitas vezes procuram recursos de marketing capazes de convencer os compradores a alimentar seus bebês com esses tipo de alimento. Os legisladores fariam bem em instaurar a obrigação de fazer constar nas etiquetas desses produtos bem como em seus sites institucionais uma menção que estipula o perigo de sua utilização pelo lactante.

É preciso observar também que a cada dia mais e mais crianças mais velhas e sobretudo adolescentes sucumbem igualmente à moda vegana. As carências nutricionais são, felizmente, menos frequentes nessas faixas etárias. Mas as carências em cálcio, e sobretudo em ferro e vitamina B12 não são raras e acarretam também consequências às vezes irreversíveis.


Cabe a pergunta: Qual a razão de uma tal atração pelo vegetalismo? A defesa da causa animal permanece a principal motivação. Ninguém pode negar que, da forma como é feita, a exploração de animais com o objetivo de nutrir os humanos é realmente chocante. Mesmo que saibamos que esses animais não seriam concebidos se não fossem destinados ao consumo, o destino funesto que os aguarda pode ser difícil de suportar. Mas todos os cientistas, praticamente sem exceção, são unânimes ao admitir que a ausência de produtos à base de carne animal, de peixes ou de leite aumenta consideravelmente os riscos de carências nutricionais, e isso acontece há milênios. Não devemos esquecer que foi a adição do consumo regular de carne a um regime essencialmente vegetariano que catalisou o processo de hominização dos primatas, notadamente em termos do desenvolvimento do seu cérebro, e permitiu dessa forma aos Homo sapiens, a nossa espécie, dominar o planeta.

Tentando contra-atacar os argumentos dos cientistas, muitos sites promovem o vegetalismo publicando informações carregadas de conceitos pseudo-científicos cujo objetivo é tranquilizar os consumidores. Ao lê-los, fiquei muito impressionado com a capacidade de inventar conceitos nutricionais aos quais nenhum pesquisador digno desse nome seria capaz de assinar embaixo. Existem, é verdade, alguns raros médicos formados que justificam o vegetalismo, e eles são regularmente mencionados pelos seus adeptos como referências.

Que fiquem à vontade, portanto, os adultos herbívoros para comer aquilo que se lhes apetece. Mas, por favor, poupemos nossas crianças desse tipo de alimentação que as conduzirá inexoravelmente a deficiências nutricionais das quais sofrerão as consequências ao longo de toda a sua existência.

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