sexta-feira, 7 de julho de 2017

As revelações de um médico sobre o desprezo do Governo do Estado ao hospital de Itaporanga

Por Redação da Folha – É difícil até mesmo para alguns dos médicos que atuam no hospital de Itaporanga entender o motivo de tanto desprezo do Governo do Estado ao hospital de Itaporanga, que, embora distrital e sem boas condições de funcionamento, é o mais procurado do Vale, e, em razão disso, deveria merecer uma atenção governamental maior.
            
Nos últimos anos, em vários momentos, o hospital não tinha, sequer, soro. A falta de remédios deixou os médicos em situação embaraçosa diante dos pacientes, muitos dos quais voltaram para casa sem serem medicados ou tiveram que arcar do próprio bolso com os custos da medicação prescrita.
            
Outro grave problema foi a suspensão das cirurgias eletivas, aquelas agendadas previamente, no hospital de Itaporanga, exatamente por conta das condições hospitalares impróprias. Depois de quase um ano sem cirurgias, prejudicando centenas de pessoas, somente agora as operações retornaram, mas ainda limitadas.
            
Para um dos médicos da região, cujo nome é preferível não ser publicado, é impressionante como há duas realidades bem diferentes entre os hospitais de Itaporanga e Piancó. “Enquanto no hospital de Piancó você tem medicamento que chega a quase mil
reais, em Itaporanga teve momentos que o hospital não tinha nem soro, e não se entende porque hospitais tão próximos são tratados de forma tão diferentes e desiguais pelo governador”, disse o médico.
            
Na última passagem do governador Coutinho por Itaporanga, um grupo de políticos locais e regionais mostraram a ele a situação de precariedade do hospital de Itaporanga, mas o governador disse que não tinha conhecimento da situação. No entanto, foi desmentido por um prefeito regional, que tirou do bolso um celular e mostrou ao próprio Ricardo uma mensagem que havia enviado a ele e que foi visualizada, provando que Coutinho tinha conhecimento sim da realidade e sua secretária de saúde também.  Apesar desse constrangimento e dos pedidos de providência, poucas melhorias ocorreram no hospital nas últimas semanas, e talvez mais em função da pressão dos órgãos judiciários de que propriamente do governo.
            
Toda essa situação de precariedade hospitalar levou a um aumento expressivo nos óbitos hospitalares. Recentemente, o Ministério Público entrou com uma Ação Civil Pública na Justiça contra o governo, exigindo melhorias para o hospital, que já passou por uma inspeção judicial no mês passado. Há anos, a função humanitária José Francisco de Sousa pede documentalmente ao governo reforma e ampliação do hospital durante os ditos Orçamentos Democráticos, mas o pleito, embora importante para a população local e regional, é ignorado pelo estado.  

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