quinta-feira, 20 de julho de 2017

AMADEU LOPES


Amadeu Lopes Neto, nada tem a ver com Wolfgang Amadeus Mozar, cujo nome de batismo era Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart, compositor austríaco do período clássico, um dos gênios da música. Pensando bem, ele tem muito em comum, foi um dos nossos grandes nomes a se destacar na música.

Mais Amadeu, que herdou o nome do avô Amadeu Lopes, foi também um dos gênios musicais das nossas cercanias, nascido no Sítio Aroeiras, no distrito de Sant’Ana dos Garrotes, pertencente a época a Cidade de Santo Antônio do Piancó. O sétimo filho do casal João Lopes Ferreira e Francisca Maria da Anunciação, veio ao mundo no dia 20 de julho de 1929. Sempre foi uma criança, raquítica, magra e fraca, ao contrario dos irmãos que eram todos musculosos e fortes, criados no sítio, passaram algumas necessidades, mais nunca chegaram a passar privações.

Na seca de 1942, sem muito o que fazer, descobriram no vizinho de propriedade uma plantação de “taboca”, onde os irmão “roubavam” as tabocas, para fazer pifes (pífanos) e cada um que caprichasse mais na confecção do seu instrumento e a tocar, sem professor nenhum. Amadeu se desenvolveu no instrumento melhor que seus irmãos, dom herdado de seu pai que era músico, clarinetista. O pai tinha negócios em Nova Olinda, onde passava a maior parte do tempo e o velho clarinete, ficava abandonado na casa do sítio onde moravam, Amadeu, muito curioso, fez de taboca uma palheta para o clarinete e passou a tocar tudo que tocava no pife, tocava ainda melhor no instrumento.

No ano seguinte, em 1943, foram morar em Nova Olinda, povoado que fica próximo a Sant’Ana e o seu pai vendo o interesse de Amadeu pela música, colocou ele que já era pratico, para estudar a teoria com o maestro Antônio Solidônio de Oliveira, que explicou, de forma didática os meandros desta arte e entregou um caderno de “solfejos” para que ele estudasse e em trás ou quatro dias teve de prestar exame ao mestre, que depois de algumas perguntas, mandou que ele tocasse e o maestro foi acompanhando e marcando o compasso, da primeira lição até a lição 45, sem titubear nenhuma vez, abismado, o professor falou que o aluno era apto a receber qualquer partitura, de dobrado a marcha, samba ou xote, o que aparecesse.

Passou a compor a banda do distrito de Nova Olinda, até o ano de 1947 e tocando nos “sambas” que apareciam. Neste ano vai estudar com músico saxofonista Pedoca, Pedro Leite de Azevedo, na cidade de Piancó, onde mudou de intrujento, deixando a clarineta e passando a usar o saxofone, como seu instrumento. Comprou um sax e pouco tempo depois, passou para um melhor, de “segunda mão”, que ainda hoje se encontra no poder de seus filhos. Vale salientar, que o maestro Severino Araújo, da Orquestra Tabajaras, atestou que esse era o único instrumento, no Brasil fabricado pela Strasser Mariguax Lemaire – SML, 144-146 Boul. de la Villette, Paris, France. O Sargento Severino, maestro da Filarmônica Cônego Manoel Firmino, quando viu o instrumento, propôs a troca do mesmo por um Fusca zero quilômetro.

Em 1950 faz amizade com seu grande parceiro musical José Chagas que escrevia as partituras e Amadeu as executava. Como cantor era péssimo, mas tinha uma cabeça fenomenal para a música, bastava tocar duas ou três vezes, com a partitura e daí por diante não mais precisava dela.

Para continuar os estudos, junto com os irmãos vai morar em Misericórdia, onde se enamora de Desterro de Tibúrcio, cunhada de Zé Nedez (José Figueiredo). Depois conheceu Arli Costa e desta não escapou. Casando-se em 1952, com quem teve os filhos: Maria Arlene (Leninha), arquiteta; Francisco Averaldo, músico; José Aderaldo, engenheiro elétrico; Maria Auricélia, médica e enfermeira e Maria Amadélia, eletrotécnica, todos morando em Recife - PE, menos Averaldo, que ultimamente voltou a sua terra natal, Itaporanga.

Paralelo a sua vida musical, Amadeu também era comerciante em Nova Olinda, onde mantinha na rua principal, uma loja de tecidos e confecções e uma sinuca. Mas o ano de 1958, foi também assolado por uma grande seca; houve “emergência”, as famosas Frentes de Trabalhos, bancadas pelo governo federal, para amenizar os problemas provocados pela grande estiagem. O pagamento aos “cassacos”, que trabalhavam nestas frente era feita por uma “papeleta”, que era um espécie de folha de pagamento, que era vendida aos comerciantes que tinham dinheiro, para que o pagamento fosse feito e depois seria ressarcido pelo governo. Este pagamento era feito em Coremas.

No entanto houve um atraso, por conta do governo federal e estas folhas não foram pagas em 1958, so sendo no ano seguinte, no fático dia 25 de abril de 1959, quando ia pra Coremas, justamente receber o dinheiro dessas folhas, na parede do açude Estevam Marinho, um acidente com o Jeep em que guiava e junto com seu irmão Joaquim viajava, levando de carona um rapaz, Amadeu perdeu a vida, um pouco antes de completa 30 anos de idade, vitimado que foi por uma pancada na cabeça, provocada por uma peça da barra de direção, que quebrou e provocou o acidente. O Jeep pertencia ao seu tio Zifirino, financiador das papeletas em questão. Os outros dois passageiros sobreviveram.

Homem sem vício nenhum todo o dinheiro que que ganhava e não era pouco, era para o sua sobrevivência e a da família. Agostinho afirma que em Santana dos Garrotes, passaram cinco homens que até hoje não apareceram substitutos:

- O primeiro Chagas Juvino, em artes e ciências. O problema que você levasse pra ele, ele resolvia, fosse ferro, madeira, bronze, solda, pólvora, etc.  
- O segundo foi Zifirino, em fortuna. O dinheiro dele nunca acabava e nunca serviu para o mal, só quem tinha recurso era ele.
- O terceiro foi Amadeu Lopes, na música. Tocava divinamente clarineta e saxsofone, ainda não teve substituto.
- O querto foi um médico, o Dr. Djama Leite. Clinicou durante muito tempo, com sua medicina gratuíta, nunca recebeu um centavo de ninguem. Atedia a todos sem distinção.
- E o quinto foi Agostinho Delfino, na força. Ele cansou de pegar quatro sacos de oiticica de sessenta quilos, amarava com uma corda e quatro homens colocavam na sua cabeça e ele levava do sitio até a cidade, distante quatro quilometros.

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