sexta-feira, 2 de junho de 2017

Paciência... E, com muito humor!


Se perguntarmos quem foi Paciência Paiva? Talvez poucas pessoas saibam responder; mas tudo bem, não faz mal! Espero que através deste pequeno relato você possa saber a importância cultural de Paciência. Basta ter um pouco de paciência e ler até o fim! Desculpem o trocadilho.

Nascido em Misericórdia (Itaporanga) e levado a pia batismal com o nome de Manoel Paiva, em homenagem ao tio Manoel Paiva. Ainda na adolescência recebe o apelido ou pseudônimo, “Paciência”, apelido dado pelos seus familiares... Talvez tenha sido uma criação de seu pai, o velho Ferreiro Benedito Paiva, uma pessoa que era muito benquista com os amigos e que gostava de contar causos, causos muito engraçados. Creio eu, que foi seu Benedito que mudou o seu nome de Manoel, para “Paciência”, por bem ou por mal, o nome pegou e, o rapaz se tornou artista.

Homem simples e humilde que sempre mereceu o respeito e a admiração de todos, sabia, como ninguém, fazer amizades, desde a criança ao ancião; era um homem que trazia na alma a vontade de vencer na vida. Mesmo com as dificuldades como todos aqueles que vêm de família humilde, tinha sua pequena oficina de consertos de rádio; era técnico em rádio, isto era na Argemiro de Figueiredo nos anos 60 e começo de 70, mas não era somente consertar rádio que Paciência queria, ele queria mesmo era ser artista e mostrar seu talento ao povo de sua terra.

Ser humorista ou comediante era seu desejo, mesmo acirrado pelas intempéries do tempo que havia, não procurou outras terras, preferiu ficar aqui na sua Itaporanga. Quem conheceu Paciência Paiva percebia logo que ele era um humorista nato, que sabia comunicar com o seu povo, com seu jeito irreverente e desengonçado, sabia mesmo fazer presepada e de causar risos e aplausos a quem teve o prazer de conhece-lo. 

Seu ídolo maior foi com certeza o coronel Ludugero, era quase uma veneração a esse grande humorista pernambucano, que fez sucesso em todo país, era um pouco parecido com Mazaropi, com seu jeito caipira ou matuto.

Quem conheceu Paciência Paiva percebia que ele era engraçado por natureza, estava sempre bem humorado e olha que ele tinha todos os motivos do mundo para ser triste e envergonhado, devido a seu problema de saúde, adquirido no pleno gozo de sua juventudo que limitava suas atividades físicas, mas felizmente não afetou o seu intelecto. Tinha talento e era uma pessoa inteligente que sabia fazer humor a todo momento, tristeza não tinha, quem assistiu suas apresentações não esquece o valor que tinha esse artista que marcou época em nossa terra.

Não podemos esquecer seu programa radiofônico na extinta rádio Cruzeiro do Sul, do saudoso Crispim Pessoa, programa que tinha como patrocinador a Casa de Rádio de João Vicente Neto.

Fez apresentações no Circo Teatro Cearense onde foi bem aplaudido, inclusive Chico Cândido se apresentou ao seu lado cantando os boleros de Waldick Soriano, isto foi em 1969 aqui em Itaporanga.

Em 1970 com Paulo Pereira, Paciência fundou uma pequena rádio na antiga maternidade, esta rádio era concorrente da emissora de Crispim, mas não passou muito tempo no ar, era a rádio PP, abreviatura do nome dos fundadores, Paulo Pereira e Paciência Paiva.

Paciência fazia apresentações no comércio de Itaporanga, lembro-me de uma de suas apresentações no armazém São Paulo, do comerciante Paulo Costa, era um “showman”, cheio de novidades com aquelas músicas do repertório do coronel Ludugero, ele também cantava sua modinhas bem apimentadas, era só alegria e o povo gostava.

O nosso artista deixa sua terra e fixa residência na cidade de Diamante, instala uma pequena rádio, com um pequeno transmissor e coloca no ar “A Voz de Diamante”, recebe o apoio dos diamantenses e o reconhecimento do seu trabalho. Mas não é fácil manter uma rádio, mesmo na ilegalidade e perante as Leis; sem lograr êxitos, Paciência desiste da rádio e em seguida coloca um serviço de som na principal Avenida de Diamante e assim o seu meio de comunicação perdurou por muito tempo, era a alegria da cidade, creio que este grande comunicador-humorista fez história por onde passou e que seu legado maior, que era o riso e a alegria ficará na lembrança de todos  aqueles que o conheceram.

Hoje 13 de dezembro faz um mês que nosso artista-comunicador nos deixou, fazendo o que mais gostava que era a comunicação (com seu programa que ia ao ar das 06 ás 08 horas da manhã na rádio alternativa de Diamante.
Obs.: “O texto acima não representa a biografia do artista, mas parte de sua obra”.

Por Inácio Farias

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou da matéria... Comenta, vai!