sexta-feira, 2 de junho de 2017

Mau dia, sertão!


A pequena cidade de Diamante,antes chamada de São Paulo, amanheceu triste e calada. A rádio comunitária não levou ao ar a voz do grande comunicador matuto, cujo programa matinal, durante décadas, alegrou a vida dos seus sofridos conterrâneos, no sertão paraibano.

Morreu o desconhecido Manoel Paiva Sobrinho, que todos; amigos, familiares e admiradores, desde seus primeiros anos de vida conheciam e o chamavam de Paciência... Paciência Paiva, ou simplesmente Paciência.

O Radialista que por paixão, brincava com um microfone e usando as ondas do rádio, alegrava o sertanejo simples e sofrido como ele, o que fez por toda a sua vida, não apenas como um trabalho, mas, e principalmente, como um sacerdócio.

Ainda na juventude, Paciência descobriu sua vocação e devoção pela comunicação, tendo sido aqui em Itaporanga, sua terra natal, um dos pioneiros na radiodifusão, onde teve uma pequena rádio clandestina. Depois de casado, o radialista procurando manter-se no ramo, decidiu adotar a vizinha cidade de Diamante como sua terra madrasta.

Foi o precursor na comunicação em Diamante e o primeiro a colocar uma rádio na cidade e que, por não ter registro no órgão competente, nem contar com a ajuda de nenhum político para que obtivesse a concessão, foi fechada definitivamente.

Ontem, 13 de novembro de 2008, por volta das 17h20, um infato agudo do miocárdio, calou definitivamente a voz daquele que todas às manhãs, das seis as oito horas levava música e alegria aos diamantenses, principalmente aos que moravam na zona rural.

O corpo de Paciência foi velado em Itaporanga, na casa de uma prima e o enterro foi hoje, às 16 horas, no cemitério Mãe de Misericórdia, no túmulo da família Paiva. O cortejo foi acompanha por quatro dos seus nove filhos, de parentes próximos, de vizinhos, amigos e admiradores.

Paciência nasceu em Itaporanga em 02 de junho de 1937 e era filho do ferreiro Benedito Paiva da Silva e Doroteia Eufrasino, mas a maior parte de sua vida ele morou em Diamante onde deixou muitos e grandes amigos, além de admiradores do seu trabalho e do seu programa - BOM DIA, SERTÃO!

Paciência morava sozinho e o seu hobby, ou apenas como uma forma de ganhar um dineirinho a mais, trabalhava em casa como sapateiro. Os vizinhos, por ele não fazer o programa, sentiram sua falta, arrubaaram a porta da casa e o encontraram sem vida. Pior destino teve seu pai, o fereiro Benetido Paiva, que também morava sozinho, quando o encontraram, já estava em adiantado estado de putrefação.

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