quarta-feira, 17 de maio de 2017

PANDEMIA DE GRIPE. ELA VEM AÍ, É PRECISO SE PREVENIR


A vacinação contra a gripe é recomendável, salienta o Prof. Bruno Lina, chefe do laboratório de virologia do Hospital Universitário de Lyon. O objetivo é evitar em todos aqueles que apresentam um risco específico, que contraem uma forma grave de infecção gripal. O outono chegou e com ele começa a temporada das gripes. Além da vacina, outras medidas simples podem lhe proteger e limitar a epidemia

Por Pauline Léna – Le Figaro Santé

A gripe é provocada por algum vírus da  família influenzae. Eles circulam no meio ambiente frequentado pelos seres humanos durante a estação do inverno e evoluem bastante por mutações frequentes que explicam as dificuldades em prever a composição da vacina. Isto faz com que seja possível pegar gripe todos os anos. A gripe provoca uma infecção respiratória cujos primeiros sintomas são: febre, fadiga, dores de cabeça e dores no corpo, semelhantes a muitas outras infecções respiratórias virais.


Modelo tridimensional do virus Influenzae, o causador da gripe.

A consulta médica raramente é necessária: o organismo elimina o vírus sem tratamento, em uma a duas semanas, mas é possível tratar alguns sintomas para melhorar o conforto dos pacientes. O paracetamol reduz a febre e as dores e deve ser considerado em vez da aspirina, especialmente em crianças e adolescentes. A gripe não causa complicações na maioria dos pacientes, mas ela pode desencadear outras infecções que podem prolongar a duração da doença. Sendo assim, vale a pena consultar um médico caso a tosse persistir por mais de uma semana. Descanso e ingestão frequente de bebidas facilitam o trabalho do organismo: se recomenda ficar em casa, o que permite também limitar a transmissão  aos seus colegas de trabalho ou aos seus vizinhos no ônibus. Medidas de higiene como tossir cobrindo a boca com um lenço, lavar as mãos com frequência, usar uma máscara, evitar apertos de mãos, que visam prevenir a circulação do vírus da gripe, permitem além disso lutar contra as demais infecções bacterianas e virais, comuns no inverno.

Complicações graves
Geralmente, a gripe não tem maiores consequências para a grande maioria dos pacientes que se livram do vírus em 1 a 2 semanas. No entanto, em pessoas idosas, gestantes, diabéticos e pessoas obesas ou sofrendo de determinadas patologias, particularmente respiratórias ou imunológicas, a gripe pode levar a complicações graves e por vezes fatais, contra as quais os tratamentos antivirais de hoje fornecem apenas uma proteção limitada.

A vacina contra a gripe é recomendável, dizem os especialistas.

A vacinação continua sendo a melhor proteção contra este risco aumentado, sendo que a vacina não tem efeitos colaterais. «Ela foi acusada de favorecer a síndrome, mas estudos mostrado que a moléstia é bem menos frequente em pacientes vacinados contra a gripe », relembra o Prof. Lina.

Não há, portanto, nenhuma contra indicação da vacina contra a gripe, até para pacientes alérgicos a ovos, pois agora existem vacinas produzidas em cultura de células. A vacinação também é recomendada para determinadas categorias profissionais: profissionais da saúde, pessoas que trabalham em locais que acolhem pessoas com risco de gripe grave, pessoas que trabalham na indústria do turismo e das viagens, prontos-socorros, etc. Em alguns casos, a vacinação é prescrita para as pessoas que vivem próximas de pacientes em risco.

No Brasil, a vacinação é recomendada e é gratuita apenas para pacientes de risco (como os maiores de 60 anos de idade). Sua utilidade para limitar as consultas, as despesas de saúde e o custo do absenteísmo relacionados à gripe levaram muito empregadores e empresas de saúde complementar a assumir o ônus da vacinação contra a gripe.

Esses critérios no entanto mudam de país para país. Nos Estados Unidos, por exemplo, a vacinação é recomendada para qualquer pessoa com idade superior a 6 meses. Um estudo recente demonstrou que se 37 % da população em idade ativa for vacinada, a quantidade de gripes em pessoas idosas será reduzida em 20%.

Medidas de higiene
Um estudo realizado no Reino Unido demonstrou também que, ao vacinar as crianças, é possível diminuir as dimensões de uma epidemia de gripe e o número de casos em pessoas idosas. Inúmeros estudos demonstram também a importância das medidas de higiene.

Técnico de preparação da vacina antigripal.

No entanto, a vacinação contra a gripe não é infalível: a vacina é menos eficaz em pessoas muito idosas e ela nem sempre está inteiramente adequada à epidemia atual, pois as estirpes de vírus variam de ano para ano. Para as pessoas de risco grave que, vacinadas ou não, pegam a gripe, é agora possível utilizar um tratamento antiviral que, se tomado no prazo de 48 horas após a contaminação pode reduzir as complicações e reduzir em 1 ou 2 dias a duração da doença. Eles não apresentam nenhum interesse para a maioria dos outros pacientes, cujos sintomas raramente os levam ao médico, pois seus organismos sabem lutar eficazmente contra este tipo de infecção. Além disso, o risco de surgimento de resistências – que colocariam em causa a eficácia destes tratamentos para pacientes cujo organismo não pode lutar sozinho contra o vírus – deve levar médicos e pacientes a um uso racional dos antivirais.

Epidemia ou pandemia?
As epidemias de gripe registradas na França desde 1984 mostram entre 800 mil e 4,5 milhões de consultas  para gripe, conforme os anos: em média 2,5 milhões de pessoas seriam afetadas todos os anos. No Brasil, a epidemia normalmente começa entre os meses de maio e junho, e por isso é nessa época que acontecem as campanhas de vacinação.

Os sintomas da gripe podem ser muito desagradáveis. E, em alguns casos, quando a pessoa está muito debilitada, perigosos

A primeira pandemia de gripe do século 21  ocorreu em 2009: uma mutação significativa importante do vírus A (H1N1) permitiu sua rápida disseminação por todo o planeta. Ela levou a uma mobilização significativa das autoridades sanitárias para organizar uma vacinação em massa, indispensável para limitar os riscos de mortalidade de um vírus que já tinha matado, no começo do século 20, mais de 40 milhões de pessoas segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). O vírus mutante revelou-se finalmente pouco perigoso e os erros de gestão desta crise não tiveram grandes consequências. Por outro lado, eles deveriam conduzir a uma melhor intervenção durante a próxima - e inevitável - pandemia de gripe. 

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