quarta-feira, 24 de maio de 2017

Monsenhor José Sinfônio de Assis Filho


Conheça um pouco da historia do Monsenhor José Sinfrônio de Assis Filho, o nosso eterno Padre Zé:

José Sinfrônio Filho nasceu no Sítio Barroso, município de Cajazeiras em 24 de maio de 1924. Filho de José Sinfrônio de Assis e Ritinha Coelho de Assis e teve na agricultura de subsistência, sua primeira atividade. Seu genitor foi em vida um exemplo de inteligência, mesmo em meio às poucas condições escolares. Ferreiro, marceneiro, mecânico, entre outras atividades, que foram desenvolvidas pela sua criatividade natural, tanto que quando da instalação da energia elétrica de Cajazeiras, após convocado, ficou como encarregado do motor da luz, por um longo período. Para resumir, a sua grande aptidão, basta relembrar o cidadão que se tornou conhecido pelo fato de criar apelidos, intitulando a todo mundo. O mesmo lhe tratava de “Zé Conserto”, já que segundo o autor da titularidade para tudo que era procurado, o homem em destaque dava um jeito.

José Sinfrônio teve onze irmãos, com apenas ele e mais oito se criando, vez que três faleceram ainda novinhos. A vida na época era muito difícil, principalmente com relação ao aspecto educacional. O Colégio Padre Rolim era referência na área urbana, mas para ingressar na referida instituição de ensino, era preciso pagar, o que criava empecilho em uma grande parte da população. As unidades públicas eram poucas e as particulares praticamente não existiam. Mesmo assim, paralelo às atividades agrícolas, José Sinfrônio e um dos seus manos foram encaminhados ao educandário. O cronograma de trabalho era definido pelo período invernoso, e as aulas só tinham início no mês de março. Limpar mato, apanhar feijão e mais tarde com um lápis fazer a lição. Essa era a trajetória naqueles idos.

Na década de trinta, veio à doença do pai, época em que o garoto contava apenas seis anos de idade. Naqueles momentos de agonia, monsenhor Aldo Pereira era chamado para dar a extrema unção, momento em que às crianças eram retiradas das proximidades, em sinal de precaução, no aspecto emotivo. Nesse instante, a curiosidade falou mais alto e talvez como uma traquinagem de menino, Sinfrônio seguia, sem ser notado, a frecha da porta, conseguindo, observar a cena. De início, vislumbrava o médico a observar a pulsação do genitor com um instrumento intitulado de relógio, já que inexistia a conhecida figura do tensiômetro. Mesmo com a roupa e o sapato brancos do referido profissional, sua atenção não chegava a ser despertada. No entanto, com a chegada do padre para confissão, a coisa já mudou de figura. Os sacramentos da Igreja de pronto chamaram a sua atenção, trazendo-lhe o desejo de acompanhar todo o ritual até a comunhão. A batina e demais assessórios usados pelo padre, acabaram ficando na mente daquele pequenino ser, que mais tarde decidiria ingressar no Seminário. Comunicando a sua decisão a mãe, a reação chegou à tona com os elementos esclarecedores de que o sacerdote era um homem que não tinha dinheiro, desprovido de grande parte dos bens materiais. Mas isso não serviu de arrefecimento de seus propósitos.

Mesmo com todos os percalços, a vocação seguia adiante e outro exemplo chegava em paralelo, confirmando as afirmações dos genitores. Na rua em que ele morava, adoeceu uma pessoa pobre e o Padre Dom Fernando Gomes resolveu visitá-lo. No momento do sacramento, todos presenciaram que o sacerdote tirou sua própria camisa para presentear aquela pessoa. Nesse momento Sinfrônio comunicava a sua mãe que tivera reforçada a informação que lhe fora dada anteriormente com relação à missão que lhe despertara.


Decidido de sua vocação, o ingresso no Seminário, em João Pessoa ocorreu no dia 2 de fevereiro de 1939. A ordenação do Padre José Sinfrônio se deu em primeiro de novembro de 1951. O primeiro período, de trabalho, que ultrapassou um ano e meio foi na cidade de Pombal, na condição de cooperador do Monsenhor Vicente. Depois chegava a Cajazeiras para ser secretário do bispado, no tempo de Dom Zacarias Rolim de Moura. Posteriormente quando o Seminário, que teve a sua participação na edificação ficou pronto, o Padre Sinfrônio era deslocado para Itaporanga, no propósito único e exclusivo de servir ao povo.

Muitas eram as dificuldades vividas na região, momento em que a localidade classificada de Vale do Piancó era extremamente excluída, com relação às demais regiões do Estado. O início foi muito difícil, mas, segundo o pároco, culminaria com a sua total realização. Mais tarde, viria a condição de Monsenhor, no entanto jamais o fim do desejo de voltar a ser padre para continuar servindo ao próximo.

Porque o título de construtor de monumentos?
Muitas são as referências de trabalho do Monsenhor José Sinfrônio em ltaporanga. Vale lembrar que presidiu a Associação de Proteção a Infância para concluir a construção do Hospital, que até hoje representa um grande socorro à população, notadamente, os mais carentes. Relembra a grande luta que travou ao lado de pessoas identificadas com os anseios da coletividade, a exemplo de Dr. Balduíno, Dr. João Franco da Costa, Luiz Leite Guimarães, José Silvino da Fonseca (Zú), Sebastião Rodrigues, dentre outros. A construção teve início com o Dr. Pitanga, mas chegara a ser paralisada, por falta de condições, constituindo mais uma obra inacabada. A referida estrutura era erguida com verbas do governo municipal e ao final foi entregue ao estado para a necessária manutenção e equipamentos.

O envolvimento do Padre José Sinfrônio com os pleitos da população era de tal forma que viabilizou, através de seus atos, a implantação da telefonia, trazendo para Itaporanga, a SIC-Vale. Junto a Wilson Braga e o Dr. Walter Viana foi viabilizada a parte de instalação que teve o acompanhamento do sacerdote até a concretização. Com tal benefício, acabou o enorme problema da falta de comunicação com as localidades mais distantes da sede do município, melhorando a saúde, diminuindo a impunidade e assim por diante. Naquela época, o sistema era denominado de Serviço Intermunicipal de Comunicação do Vale; quando na Paraíba só existiam duas companhas telefônicas, a Telingra em Campina Grande e a Sic-Vale em nossa terra. 

A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição também recebeu uma melhoria substancial do seu coordenador, com uma ampliação de 16 metros em sua extensão, além de várias outras modificações dentro do processo evolutivo, como a substituição dos antigos janelões, um novo altar-mor e o afresco pintado acima do altar.

A Construção do Colégio é também mais uma façanha desse benfeitor, que com a ajuda do povo conseguiu melhorar consideravelmente o setor educacional, abrindo vagas para o sexo masculino, antes ocioso, e, desta forma diminuindo consideravelmente o grau de violência. Lembra que para tocar a obra tangeu burro pela zona rural, arrecadando arroz através de doações, para vender e desmanchar na educação. Aos sábados, saia em vista as comerciantes e profissionais a esmolar recurso para a enorme construção. Lembro que meu pai era cotizado com “cinco contos de réis”, toda semana.

O Padre Zé foi tão audacioso que chegou a influenciar na aquisição da energia elétrica através de contato com o então Presidente da República, Juscelino Kubistchek, oportunidade em que se fazia acompanhar pelo Bispo de Cajazeiras Dom Zacarias Rolim, em solenidade de inauguração do açude de Coremas. O pároco também foi um dos responsáveis pela criação do Funrural em nossa cidade.

O Sinal de TV, a partir da Rede Tupi é mais uma referência desse baluarte para o povo de Itaporanga. Entre outras ações podemos destacar a fundação da Banda de Música, que hoje se constitui numa oportunidade impar para os jovens, e neste ano de 2015 fez suas Bodas de Ouro, comemorada com uma bela e saudosa “retreta”, no patamar da igreja e a gráfica “Padre Zé” que proporciona um espaço de profissionalização, dentre outros, servindo, inclusive, como escola. 

Este foi, enfim, o homem que, após passar todas essas provações, comprovou sua infinidade de idéias, coragem e disposição, trazendo a Itaporanga a melhor imagem, traduzida na grande disposição de servir, tendo, finalmente, como maior referencial, o enorme Cristo que abre os braços e solta as bênçãos a todo o Vale do Piancó. Mesmo em meio a tudo isso, fazia questão de se classificar como: “Um simples instrumento de Deus”. O Cristo Rei foi inaugurado em novembro de 2000 e desde 2006, seu pedestal guarda os restos mortais do Monsenhor José Sinfrônio de Assis Filho, o inesquecível Padre Zé.

Padre Zé era conhecido por seus famosos jargões, quando um aluno chegava atrasado ou fazia algo errado, ele soltava este: - Me desça essa ladeira e não me suba mais! Contam que, após a sua chegada a paróquia, nesse tempo, por falta de outro transporte, o vigário tinha que visitar as comunidades no lombo de uma burra, daí o ditado (... sofre mais que burra de padre). Pois bem, o sacerdote ia por uma vereda, no lombo do seu animal, quando cruzou com uma menininha de seus sete, oito anos, puxando pelo cabresto, uma vaca; a menina, ao ver o Padre exclamou: – A benção Padre, me dê um santinho! O padre abençoou a criança, colocou a mão no bolso da batina, tirou um santinho e o entregou a menina. Mas estranhou, como uma criança tão nova estava a executar tal tarefa, e então indagou: - Minha filha, pra onde você vai puxando esse animal. A menina respondeu: - Ah, seu padre, é aqui pra pertinho, é pro curral do vizinho, pra ela tomar cria com o touro. O vigário achou aquilo uma heresia e bradou: - Vem cá, você não tem pai não! E a menina inocentemente respondeu: - Tenho sim, seu vigário, mais só serve se for o touro.

Contaram-me, certa vez, que o Frei Zé Maria, Capelão do exército, quando era pároco de Itaporanga, celebrava as missas armado com uma pistola 45, sob a batina. Por curiosidade, tive a oportunidade e perguntei a Padre Zé se essa história procedia. O padre, nem afirmou e nem tampouco desmentiu, apenas, rindo ele completou: - Você sabe que o povo aumenta muito as coisas... No que eu completei: Então era com um 38.

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