domingo, 14 de maio de 2017

EMÍLIA DE ZÉ LÚCIO - * 03/10/1932 + 27/12/2016


Não sei se por ignorância de quem foi registrar ou de quem fez o registro, nome dela ficou Emília Maria Lúcio dos Santos e não Maria Emília, como era praxe a época. Mas isso é apenas um detalhe, ela sempre foi chamada somente de Emília ou como chamam seus ex-alunos: Dona Emília.

 Quando criança estudou com o professor Quinzinho Neves, no Simeão Leal, foi da turma fundadora da Escola Normal Monte Carmelo “Padre Diniz”, das Irmãs Carmelitas, sendo colega de Laura Araújo (Tia Laura), de quem era amiga íntima e de Nazaré Lima (Nazaré Lau), entre outras. Nomeada através de João Franco, como aconteceu com quase todos da família Inácio; a pedido de João Inácio de Araújo Neves, sempre exerceu, e com grande maestria, o ofício de ensinar. Já bem madura, nos anos 70, fez seu pedagógico, visando sua acepção funcional e a obtenção de mais conhecimentos.

Já “formada” normalista, o que era imprescindível para se “diplomar” professora, nesse tempo.  Depois de um namoro de mais de cinco anos, se casou com o jovem Sebastião Brasilino, por sinal, também um galã. O pároco José Sinfrônio de Assis Filho (Padre Zé), recém chegado do seminário e de Cajazeira, foi o celebrante das núpcias, isto em janeiro de 1955. Passou, portanto a assinar, Emília Maria Brasilino dos Santos. Tirando o nome Lúcio, que não era nome de família e sim o segundo nome de seu pai, José Lúcio. 

 Ela nasceu no Sítio Cantinho, nos arredores de Misericórdia e era filha do Mestre José Lúcio dos Santos, marchante, carpinteiro e construtor, dos bons e Maria Filha de Araújo, sua segunda esposa, que eu digo aqui, era uma cozinheira de mão cheia, o que passou a suas filhas. Vó fazia uma buchada que era inconfundível, minha mãe fazia um “chouriço” (doce que entre os ingredientes, leva sangue de porco) irresistível. Emília nasceu em 03 de outubro do ano de 1932.

 A maior parte de sua vida, Dona Emília morou na Pedro Américo, hoje Avenida Soares Madruga, na casa de seus pais, onde por muitas vezes, madrugava e ia estudar sentada nos túmulos do Cemitério Velho, que ficava por traz e próximo a sua residência. Depois de casada, morou na casa de número 12, da mesma rua, onde atualmente funciona a Inovapel.

 Sempre foi uma excelente dona de casa e mãe; aliás, sempre fez bem feito e com amor, a tudo que se dispunha a fazer. Lembro-me, como se assistindo a um filme, ela a preparar nossa alimentação, sempre o fazia cantando e sua canção preferida era: 

Ela é a dona de tudo,
Ela é a rainha do lar,
Ela vale mais para mim,
Que o céu, que a terra, que o mar,
Ela é a palavra mais linda,
Que um dia o poeta escreveu,
Ela é o tesouro que o pobre,
Das mãos do Senhor recebeu,

Mamãe, mamãe, mamãe,
Tu és a razão dos meus dias,
Tu és feita de amor e esperança,
Ai, ai, ai, mamãe,
Eu cresci e o caminho perdi
Volto a ti e me sinto criança
mamãe, mamãe, mamãe,
Eu te lembro chinelo na mão,
O avental todo sujo de ovo,
Se eu pudesse,
Eu queria outra vez mamãe,
Começar tudo, tudo de novo.

 As lágrimas me banham a face, só ao lembrar dos bons momentos que se foram, e mesmo que queiramos, não voltarão jamais. Esta música foi feita pra você, pena que eu não tive o privilegia de ser o autor. Mas, voltemos ao texto.

 O enamorado par produziu quatro crias: Paulo Rainério, este que vos escreve, morando em sua terra natal; Henilson Hayte, que morreu prematuramente; Sandra Regina, Enfermeira dedicada à profissão e Roberta Galba, a caçulinha do trio que restou; Doutora em Geologia, mora em Recife-PE; todos somente, por egoísmo de meu pai que foi quem fez o registro de nascimento, assinam apenas com Brasilino. Como se fossemos filhos apenas do pai.

Henilson passou poucos dias conosco, Deus achou por bem, o chamar ainda quando era criança, trazendo muita tristeza e dor. Sandra Regina casou-se e uns tempos no Rio de Janeiro, uns anos em Palmas-TO e em Natal – RN e hoje mora em João Pessoa e por sorte, com suas duas filhas Marina e Mariane servem de companhia a Dona Emília.

 Mulher de verdade. Como bem falou Mário Lago, em uma de suas composições. Lutadora pela vida, um sobrinho, a comparava com José de Alencar, o vice-presidente que lutou pela vida enquanto pode. Sua vontade de viver é contagiante. Interessante como o tempo muda. Ela quando era jovem pedia a Deus para durar, pelo menos, o tempo que durou sua Tia Toinha Paiva. Engraçado, essa nossa tia, morreu velha, com apenas 58 amos. Em 2016, aos 84 anos, Dona Emília e o exemplo de querer e se agarrar com unha e dentes, tudo que a faça viver mais.

 Mulher de fibra, lembro-me como se fosse hoje da cena: Acometido de um AVC, que entre outras coisas me levou quase toda a visão e me deixou acamado por três meses; tive que viajar, com minha irmã Sandra, a quem digo e agradeço, é meu Anjo da Guarda e sem nem ser preciso ter asas. Pois bom, fui me submeter a um procedimento cirúrgico no Recife e sem saber se seu querido filho voltaria vivo ou morto, em sua incomensurável dor, ainda arranjou força e palavras para me encorajar: - Meu filho, tenha fé em Deus, vai dar tudo certo. E quando entrares na sala de cirurgia, diga, mesmo que mentalmente: Maria Passa na Frente... Isso me lembra a famosa trova de um médico e poeta pernambucano, Barreto Coutinho, que teve seu poema de oito estrofes, publicado por Luiz Otávio no jornal da UBT, “Trovas e Trovadores”, em fevereiro de 1968:

MÃE

Mãe – alma querida e santa
– astro de divino brilho,
cuja luz a treva espanta
dos dissabores do filho.

Mãe – criatura tão cara,
do filho o mais santo altar...
– Quem perde essa gema rara
nunca mais há de encontrar!

Mesmo as aves, essa eterna
verdade mostram nos ninhos:
que se fez a alma materna
de amor, ternura e carinhos.

Quando a sorte me arremessa
às mágoas, elas têm fim,
pois minha mãe nunca cessa
de pedir a Deus por mim.

Uma vez vi-a rezando
aos pés da Virgem Maria.
Era uma santa escutando
o que outra santa dizia...

Se uma coisa me tortura
e o pranto aos olhos me vem,
minha mãe – santa criatura
chora comigo também!

E então nos seus olhos leio
meu pranto o que há lhe causado:
– Só mágoas ao santo seio
que a dor tem santificado!

Por vossa infinda bondade,
Deus que eu creio e reconheço,
dai, pois, a mais longa idade
ao ser que eu tanto estremeço!

 A estrofe em epígrafe ficou nacionalmente conhecida, apenas com um pouco de modificação, na primeira frase: Eu vi minha mãe rezando.

 Embora um pouco distante fisicamente, estamos sempre unidos, como se fora um só corpo, eu e as mulheres que me cercam e que, tenho orgulho de dizer que muito me amam. Agradeço, e, como agradeço a Deus, pela grande mãe e pelas imensuráveis irmãs que tenho. Obrigado meu Deus!

AONDE QUER QUE ESTEJA, TE DESEJO UM "FELIZ DIA DAS MÃES, JÁ QUE O MEU NÃO PODE  SÊ-LO!

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