domingo, 30 de abril de 2017

VIVA A BICICLETA. PEDALAR REDUZ OS RISCOS DE CRISE CARDÍACA E DE CÂNCER


As pessoas que vão ao trabalho pedalando uma bicicleta têm quase duas vezes menos risco de morrer prematuramente do que as pessoas que vão trabalhar usando automóvel ou transporte coletivo.

Por: Aurélie Franc - Le Figaro Santé

Você não tem coragem de praticar 30 minutos de esporte por dia? Não entre em pânico, pois você pode usar a bicicleta na sua rotina particular, para ir e voltar do trabalho, para ir ao supermercado ou à padaria. Esse meio de transporte irá dividir por 2 a probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares ou cânceres. Esta é a conclusão de importante pesquisa feita por uma equipe médica da Universidade de Glasgow, na Escócia, cujos resultados acabam de ser publicados no British Medical Journal.

O estudo teve uma amostragem de 250 mil pessoas, das quais a maior parte vive em zonas urbanas. Cada uma delas foi interrogada sobre o seu meio de transporte para ir para o trabalho: caminhada, bicicleta, automóvel ou transportes públicos. Dessas pessoas, um total de 2.430 faleceram nos cinco anos sucessivos ao início do estudo: 496 devido a uma doença cardiovascular e 1.126 por causa de um câncer.

Cruzando os dados dos pacientes e as causas de suas mortes, os pesquisadores
concluíram que o fato de ir ao trabalho todos os dias em bicicleta, permitiu uma redução de 41% do risco de morrer prematuramente. Os dados desse estudo foram ajustados com a idade dos participantes, o gênero, o seu índice de massa corporal (IMC, indicador de obesidade), o seu consumo de cigarros, os seus regimes dietéticos, o seu consumo de álcool, o seu comportamento (sedentário ou não), etc.

Caminhar é bom, mas bicicleta é melhor
Ir ao trabalho a pé revelou-se igualmente benéfico para as doenças cardiovasculares, já que o risco de morrer de um problema cardíaco diminui de 36% comparado às pessoas consideradas como inativas (se deslocando de automóvel ou com transportes públicos). Mas, neste caso, nenhuma conclusão pode ser tirada quanto aos benefícios da caminhada nos casos de câncer.

Os pesquisadores se interessaram também pelos modos de transporte combinados (caminhada e transporte público, caminhada e automóvel próprio, bicicleta e automóvel, bicicleta e transporte público). Conclui-se que toda atividade associada a uma bicicleta acarretava um risco menor de morrer prematuramente. Em revanche, a caminhada associada a um outro modo de transporte não permitiu a conclusão de nenhum efeito benéfico para a saúde.

"A caminhada não traz tanto benefício quanto a bicicleta porque, em geral, a distância percorrida não é a mesma. Durante uma semana, uma pessoa que vai ao trabalho de bicicleta percorre em média 50 quilômetros, enquanto as que vão a pé percorrem em média 10 quilômetros", explica o médico Carlos Celis-Morales, principal autor do estudo. Ele acrescenta que a caminhada é também um exercício menos intenso que a bicicleta. 

Tais resultados sugerem que as políticas concebidas para permitir e facilitar o deslocamento em bicicleta das pessoas, tais como as pistas cicláveis, a locação de bicicletas urbanas, os programas de compra de bicicletas subvencionadas, podem representar grandes oportunidades de melhora para a saúde pública", afirmam os autores do estudo.

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