quarta-feira, 19 de abril de 2017

Polícia confirma caso de jogo da “baleia azul” na Paraíba

O que temos feito é um relatório, reunindo todos os casos que chegam a nosso conhecimento, para enviar depois para a Civil


Vários casos de adolescentes envolvidos com o jogo "Baleia Azul" estão sendo confirmados na Paraíba, mas a recusa dos familiares em prestar queixa está dificultando a investigação da polícia, que poderia identificar os responsáveis pelo game que induz os participantes a praticar o suicídio. Segundo o coronel da PM, Arnaldo Sobrinho, especialista em crimes pela internet e responsável por lançar o alerta, na semana passada, os casos confirmados mostram que o jogo já circula entre os adolescente paraibanos há cerca de um mês e que um deles já teria chegado ao nível 10.

Um dos últimos casos que chegou ao conhecimento da polícia foi de uma adolescente, estudante de um colégio da zona Sul da Capital, que teria passado a se mutilar e, há cerca de 25 dias, subiu no telhado da escola, chegando a ser suspensa. "Os pais não estavam entendendo a mudança de comportamento da filha e, quando viram o alerta, perceberam que ela estava cumprindo as tarefas do jogo. Eles inutilizaram o celular da filha, que teria parado de seguir os passos ordenados pelo curador", contou Arnaldo.

Da cidade de Guarabira, veio a notificação de um caso em que o adolescente estaria no nível 10 do jogo, em que o jogador precisa fazer o desenho da baleia no braço, usando um
objeto cortante e, em seguida, enviar a foto do desenho para o curador. "Pelo tempo em que o jogo está circulando, é bem provável que alguns adolescentes estejam até mais avançados que isso", acrescentou o oficial.

O problema que está surgindo, após a confirmação dos casos é a dificuldade de investigação do jogo. Isso porque, segundo Arnaldo, as famílias só se interessam em fazer o adolescente parar de jogar, mas não querem expor os casos, nem prestar queixa. "Para que a Polícia Civil consiga fazer uma investigação, era necessário primeiro haver o registro da queixa, também ter acesso aos celulares, ouvir os adolescentes e nada disso os pais querem. O que temos feito é um relatório, reunindo todos os casos que chegam a nosso conhecimento, para enviar depois para a Civil. No entanto, isso não garante que os responsáveis serão identificados e presos, sem que haja a colaboração das vítimas", acrescentou.

Origem
O jogo da Baleia Azul surgiu na Rússia, entre os anos de 2015 e 2016, onde foram registrados vários casos de adolescentes que tiraram a vida. As tarefas são passadas diariamente, sempre às 4h20 da manhã, durante 50 dias. Cada missão passada pelo curador deve ser fotografada e publicada na rede social, pelo jogador, para provar que cumpriu a tarefa e está "apto" a receber a próxima e passar de nível. Com o argumento de vencer os medos e demonstrar coragem, o curador vai incentivando os participantes, geralmente jovens e adolescentes, a cumprir tarefas cada vez mais dolorosas e perigosas. Ao se aproximar do fim, o jogador já passou por várias experiências preparatórias para o suicídios e o curador marca o dia da morte, que deve ser aceita pelo participante.

Morte no Brasil
Na semana passada, uma adolescente de 16 anos foi encontrada morta em uma lagoa, na cidade de Vila Rica, no estado de Mato Grosso. A garota estava desaparecida desde as 3h da manhã e, na margem da lagoa, a polícia encontrou os chinelões da vítima, indicado que essa se jogou na água. Para a família, a garota deixou uma carta dizendo que se mataria, porque estava participando do jogo. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e pode ser confirmado como a primeira morte relacionada ao jogo, no Brasil.

Portal Correio

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