terça-feira, 4 de abril de 2017

MATERNIDADE TARDIA. NA EUROPA MULHERES ATRASAM CADA VEZ MAIS A PRIMEIRA GRAVIDEZ


Na França, a idade da primeira maternidade não parou de recuar desde 1974. Nessa data, as mulheres tinham seu primeiro filho em média aos 24 anos. Agora, essa média chegou aos 29 anos. Na Itália a coisa é ainda mais séria: o primeiro filho só chega em média aos 31 anos.

Por: Aurélie Franc – Le Figaro Santé

Na França, refletindo um fenômeno quase que generalizado em toda a Europa desenvolvida, as mães dão à luz seu primeiro filho em média 4,5 anos mais tarde do que em 1974. É o que revela um estudo publicado pelo Insee (Instituto Nacional da Pesquisa Estatística  e de Estudos Econômicos) publicado a 27 de março. Elas são, consequentemente, mais idosas por ocasião do segundo filho (31 anos em média) e do seu terceiro (33 anos em média).

Em toda a Europa a idade da primeira maternidade recuou acentuadamente a partir de 2010. Em 2014, a idade da primeira maternidade das mulheres europeias era de 28,8 anos
em média. É na Bulgária que as mulheres se tornam mães mais cedo, ao redor dos 25,8 anos. Ao contrário, na Itália, essa média chega aos 31 anos.

Mas, sobretudo nos países europeus com forte imigração estrangeira, como na França. Existem disparidades. As mulheres imigrantes se tornam mães mais cedo que as mulheres francesas. As futuras mamães nascidas na Turquia têm seu primeiro filho ao redor aos 24,3 anos em média, enquanto que as nascidas em Portugal dão à luz pela primeira vez ao redor dos 26,3 anos.

“Fatores culturais, bem como os índices de fecundidade nos países de origem, também podem explicar os comportamentos diferenciados entre os imigrantes”, diz o Insee.
Fatores sociológicos

A primeira razão desse recuo da idade da maternidade seria o prolongamento da duração dos estudos. As mulheres com diploma de curso superior em geral vivem mais tempo com seus maridos ou companheiros antes de ter um filho. Ao contrário, as mulheres sem diploma e com pouco estudo têm seu primeiro filho mais cedo, ao redor dos 25,6 anos em 2012, ou seja quatro anos antes das que têm curso superior.

“Existe também uma progressão do emprego feminino, e uma clara redução do número de concepções não desejadas por causa do desenvolvimento dos métodos contraceptivos”, comenta Gilles Pison, professor do Museu Nacional de História Natural e pesquisador associado do Ined (Instituto Nacional de Estudos Demográficos). “Sobretudo, o que se depreende dessa tendência, é o desejo dessas mulheres de só engravidarem e terem filhos quando se sentirem seguramente instaladas na vida, ou seja, com seus diplomas, um emprego, uma casa e uma vida regular de casal”.

Esse recuo da idade do primeiro filho deverá progredir mais ainda? Isso é bem possível, segundo o professor Pison: “Mesmo se existe o fato de que as mulheres não podem recuar indefinidamente a idade em que terão seu primeiro filho, as que desejam ter muitas crianças têm interesse em não esperar os 40 anos para ter o primeiro”.

De qualquer forma, essas maternidades mais tardias parecem não ter impacto no índice de fertilidade das mulheres francesas. Cerca de 790 mil crianças nasceram em 2016 na França, ou seja 1,92 filho por cada mulher.

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