sexta-feira, 21 de abril de 2017

MAPA DA SAÚDE HUMANA. GOOGLE SELECIONA DEZ MIL PESSOAS PARA CRIAR PLATAFORMA DIGITAL


Através do Baseline Study (Projeto Baseline) o Google vai compilar estatísticas sobre o humor, horas de sono, batimento cardíaco, audição, dieta, e movimento dos participantes. Milhares de voluntários já se apresentaram. Um dos objetivos do estudo é perceber a transição da saúde para a doença.

Por: Karla Pequenino
Fonte: Site https://www.publico.pt

O Google já reúne enorme massa de informação sobre a vida online dos seus utilizadores. Agora, quer acumular um histórico sobre a saúde das pessoas numa plataforma digital descrita como um "Google Maps, mas para a saúde". Para tal, lançou o Baseline Project. A missão é reunir dados suficientes para criar “um mapa e uma bússola que apontem o caminho para a prevenção de doenças.”

A primeira parte, porém, é arranjar pessoas para fazer parte deste mapa através de um estudo inicial de quatro anos. São necessárias cerca de dez mil pessoas, maiores de 18 anos, de diferentes faixas etárias, origens, e com históricos médicos de todo o mundo. Os interessados - que já começam a se apresentar nos escritórios do Google -, se escolhidos, terão de se encontrar pessoalmente com investigadores até quatro vezes por ano, testar novas aplicações e aparelhos tecnológicos para monitorizar a saúde, e preencher inquéritos e diários sobre o seu estilo de vida e saúde.

O Baseline Study irá recolher e manipular uma imensa base de dados.

Pistas que os médicos ainda ignoram
A partir dos dados, o Google vai compilar estatísticas sobre o humor, horas de sono, batimento cardíaco, audição, dieta, e movimento dos participantes. Segundo a empresa, "toda a informação ficará armazenada numa base de dados encriptada com acesso restrito". O objectivo é analisar o processo que leva alguém saudável a ficar doente, para perceber se há pistas que os médicos ainda ignoram, sobretudo em casos de câncer e de problemas cardiovasculares.
“Atualmente, grande parte do que assistimos como médicos são pequenos momentos no tempo depois de o indivíduo ficar doente. Falta-nos muita informação útil sobre os anos antes da doença”, diz Sanjiv Sam Gambhir, diretor de radiologia da Universidade de Stanford, um dos parceiros do Google no estudo. “Ao nos focarmos na saúde de uma população ampla podemos ter um impacto significativo no bem-estar de pacientes em todo o mundo”.
Além da Universidade de Stanford, o Baseline Project também conta com a participação da Universidade de Duke, e da Verily uma empresa da dona do Google, a Alphabet. Na fase inicial do estudo, os participantes virão das duas universidades parceiras.

Em escritório do Google nos Estados Unidos, voluntários já fazem fila para se inscrever no Baseline Study.  

Precisão de detalhe nunca antes vista
Segundo a diretora da Verily, Jessica Mega, o estudo vem da conclusão de que os avanços nas “áreas da ciência e tecnologia permitem caracterizar a saúde humana com uma precisão e detalhe nunca antes visto”. Não é a primeira vez que o Google investe na área da prevenção de doenças.

Além da Verily, a Alphabet também é dona da Calico, uma empresa focada nas áreas da saúde e do bem-estar e cujo propósito é combater o envelhecimento e doenças associadas.

Nancy Brown, diretora da American Heart Association diz, em comunicado, que o novo projecto do Google pode mudar o ângulo de abordagem de várias doenças: “O resultado deste estudo pode inspirar uma nova geração de ferramentas direccionadas à prevenção ao invés do diagnóstico e do tratamento”.

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