domingo, 12 de março de 2017

Tragédia silenciosa: nº assustador de mortes nos hospitais da PB em 2016, muitas delas no Vale

Por Redação da Folha – A quantidade de óbitos nos hospitais da Paraíba no ano passado pode ter sido a maior de todos os tempos, com um aumento expressivo em relação aos anos anteriores, ao que parece, notadamente no interior do estado. É o que aponta dados dos cartórios de registro de mortes, embora haja necessidade de estudos mais abrangentes sobre a questão.
                
Em 2016, nos hospitais de Itaporanga, Piancó, Princesa Isabel, Catolé do Rocha, Cajazeiras e Patos, por exemplo, o número de óbitos, de maneira geral, cresceu consideravelmente. Em Campina Grande, cujos hospitais recebem pacientes de todo o interior, os óbitos hospitalares também tiveram um aumento expressivo.
                
Entre as causas para essa elevada mortandade hospitalar no estado, uma questão, que, embora grave, é pouco discutida, transformando-se em uma tragédia silenciosa, estão a precarização da estrutura hospitalar, principalmente nos menores centros urbanos, e a epidemia das doenças virais transmitidas pelo mosquito aedes aegypti, especialmente a chikungunya, que vitimou dezenas de municípios do estado em 2016.
                
Apesar das mortes e do elevado número de doentes no ano passado, o Boletim Epidemiológico do estado não mostrou a gravidade da epidemia em face de outro
problema, a subnotificação, um desconhecimento oficial que só fez piorar a saúde emergencial e preventiva ao longo de 2016 e gerou tantos registros de óbito.  Em Itaporanga, mais de 60% da população foi infectada supostamente por chikungunya e nunca se registrou tantas mortes na cidade quanto no ano passado, conforme dados do registro civil.
                
Apesar da elevada morbidade hospitalar no estado, instituições como o Conselho Regional de Medicina, a Assembleia Legislativa do Estado e o Ministério Público ainda não discutiram a questão, enquanto o governo a esconde. A preocupação é que, este ano, mais uma vez, milhares de pacientes deixem os leitos dos nossos hospitais para se transformarem em números nos arquivos frios dos cartórios de registro de óbitos.

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