quarta-feira, 8 de março de 2017

SÍNDROME DA SOLIDÃO. POR EXCESSO DE PERMANÊNCIA NAS REDES SOCIAIS


Passar mais de duas horas por dia ligado nas redes sociais está associado a um risco bem mais importante de se sentir só, segundo resultados de um estudo que acaba de ser publicado.

Por: Cécile Thibert – Le Figaro Santé 

Bem ao contrário do que seu nome indica, as redes sociais são para muitos... dessocializantes! Segundo um estudo conduzido por pesquisadores da faculdade de medicina de Pittsburg, nos Estados Unidos, mais os jovens adultos consagram tempo às redes sociais, mais eles desenvolvem um sentimento de solidão. Pior ainda: a frequência das conexões é proporcionalmente ligada a esse sentimento negativo.

Tais resultados, publicados há poucos dias na revista American Journal of Preventive Medicine, sugerem que as redes sociais não constituem em absoluto uma panaceia para reduzir o sentimento de solidão. “É importante estudar esse fenômeno pois os problemas de saúde mental e de isolamento chegam a um nível epidêmico entre os jovens adultos”, afirma o professor Brian Primack, mestre em medicina e principal autor do estudo. “Somos seres sociais, mas a vida moderna tende a nos compartimentar em vez de nos reunir.
Embora as redes sociais pareçam, à primeira vista, oferecer oportunidades para preencher o vazio social, acredito que nosso estudo mostra claramente que elas não constituem a solução que as pessoas esperam”, completa Primack.


No máximo meia hora ao dia
Em 2014, Brian Primack e seus colegas pediram a 1787 norte-americanos com idade entre 19 a 32 anos, para que preenchessem um questionário. O objetivo era determinar a duração do tempo passado e a frequência as conexões com os 11 canais sociais mais populares( (Facebook, YouTube, Twitter, Google Plus, Instagram, Snapchat, Reddit, Tumblr, Pinterest, Vinet et Linkedin). Os cientistas, a seguir, avaliaram a sensação de isolamento dessas pessoas, com a ajuda de um outro teste.

“As pessoas utilizando as redes sociais mais de duas horas por dia tinham duas vezes mais riscos de se sentir isoladas em relação àquelas que não dedicavam mais de meia hora diária a seus contatos nas redes sociais”, relatam os autores. Os participantes que gravavam mais de 58 conexões semanais chegavam a ver esse sentimento triplicar em comparação com aqueles que se limitavam a um máximo de 9 visitas por semana.


“Ainda não sabemos se o sentimento de solidão seja preexistente ao uso intensivo das redes sociais, explica Elizabeth Miller, professora de pediatria e coautora do estudo. Ou então, é o uso repetitiva dessas plataformas virtuais que podem ter levado a uma espécie de ruptura com o mundo real, contribuindo dessa forma para aumentar o sentimento de isolamento. Pode ser também uma combinação desses dois fenômenos”. Em todo caso, os pesquisadores apontam uma realidade clara: mesmo quando o sentimento de isolamento apareceu antes, ele não foi atenuado pelo fato de a pessoa passar muito tempo navegando nessas redes.

Templo da aparência
Como explicar então que as redes sociais alimentem o sentimento de isolamento? Segundo os pesquisadores, o tempo que consagramos às redes é na verdade um tempo roubado às experiências sociais mais autênticas. Além disso, as redes sociais facilitam a aparição desse sentimentos negativos. “É o caso quando uma pessoa vê uma foto de seus amigos se divertindo numa festa ou em uma noitada para a qual a própria pessoa não foi convidada”, escrevem os autores. Nesses casos – muito mais frequentes nas redes sociais do que se pode pensar – ao sentimento de solidão soma-se o de rejeição, e sabemos que um potencializa o outro.


Enfim, as redes sociais são, por excelência, o templo da aparência e da idealização. Cada um quer mostrar o melhor da sua existência, o que pode suscitar sentimentos de inveja e a convicção falsa e deformada de que os outros têm uma vida mais feliz e mais bem sucedida.

“Não duvido, claro, que algumas pessoas podem efetivamente encontrar algum conforto e preencher as suas necessidades de sociabilidade ao  se relacionar através dessas canais”, diz o professor Primack. No entanto, os resultados desses estudos lembram claramente que, no conjunto, essa prática tende a ser associada a um incremento do sentimento de solidão, e não o contrário. E nos faz ter a certeza de que, muito melhor do que passar horas e horas surfando nas redes sociais é ir ao bar com amigos e papear ao redor de um café ou de uma cerveja.

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