quarta-feira, 1 de março de 2017

Morte de mulher no hospital de Piancó vira caso de polícia. Denúncia é de negligência

Por Redação da Folha – Se os apelos insistentes da família, que pedia a remoção da paciente Maria das Neves de Sousa, de 67 anos, para outro centro hospitalar mais desenvolvido, tivessem sido atendidos pelo hospital de Piancó, a idosa poderia estar viva, conforme seus familiares, que chegaram a conseguir, na manhã do último sábado, 25, uma vaga na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital de Patos, mas a médica plantonista não autorizou a transferência, alegando que a paciente se encontrava estável e não havia necessidade de remoção.
            
Somente no final da tarde do sábado, depois do agravamento do quadro clínico da idosa, que foi diagnosticada com AVC (Acidente Vascular Cerebral), é que o hospital de Piancó autorizou a remoção, que chegou a ser feita, mas já era tarde demais. “Quando minha irmã deu entrada no hospital de Patos, o neurologista avaliou que ela já se encontrava com morte cerebral e não havia mais o que fazer, sendo o jeito retornar para o hospital de Piancó e aguardar a confirmação da morte”, disse revoltado o advogado Acilon Soares de Sousa à reportagem da Folha, ao acusar o hospital piancoense de negligência.
            
Ele registrou um Boletim de Ocorrência na delegacia de Piancó e também pretende procurar o Ministério Público e o Conselho Regional de Medicina (CRM) para que o caso
seja apurado. “Sei que minha irmã não volta mais, mas quero que tudo isso seja apurado e os responsáveis punidos para que outras mortes não ocorram por causa de negligência nesse hospital”, disse. O óbito de Maria das Neves, que era solteira e residia com uma irmã e dois sobrinhos na Rua Pedro Inácio Liberalino, foi confirmado nesta quarta-feira, 1º.
            
A primeira entrada da paciente no hospital de Piancó foi na manhã da sexta-feira, 24, depois de passar mal e ser socorrida pelo Samu. Ao chegar ao hospital piancoense, ela foi entubada e encaminhada ao regional de Patos para realização de uma tomografia. Segundo os familiares, o exame não constou derrame e ela retornou ao hospital de Piancó e foi levada para a UTI, onde recebeu um diagnóstico clínico de AVC, mas, com o passar das horas, piorou o seu quadro e terminou perdendo as funções cerebrais um dia depois de retornar ao hospital, apesar dos apelos da família para sua remoção.
            
Conforme ainda o irmão da vítima, é lamentável que as autoridades judiciárias e de saúde pública permitam o funcionamento de uma UTI no hospital de Piancó sem as mínimas condições de atendimento: faltam equipamentos para exames e médicos especialistas. Esse atendimento precário tem motivado muitos óbitos desde a inauguração da unidade na véspera da eleição de 2014.
              
“E o pior é que, mesmo essa UTI não funcionando, eles não querem autorizar a remoção dos pacientes, como no carro de minha irmã, pois só depois dela praticamente morta é que foi removida. E isso é muita irresponsabilidade, é brincar com a vida dos outros: se o hospital não tem condições de tratar o doente, o correto é tirá-lo imediatamente, e, no nosso caso, foi a própria família que conseguiu a vaga, mas não adiantou porque a gente não poderia tirar ela a força e o hospital não liberou, apesar da nossa insistência", lamementou o advogado, que, além de exigir que o caso seja investigado pelos órgãos competentes, também pretende mover uma ação judicial contra o hospital de Piancó.

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