terça-feira, 21 de março de 2017

Mocidade seria campeã do carnaval do Rio, mas jurado errou

Constatação veio na tarde desta segunda-feira (20), após divulgação oficial das justificativas do júri


A Mocidade Independente de Padre Miguel deveria ter recebido o título de campeã do carnaval do Rio de Janeiro em 2017. A constatação veio na tarde desta segunda-feira (20), após divulgação oficial das justificativas de todos os jurados. Um dos responsáveis pelo julgamento penalizou a escola por acreditar que ela entrou na Marquês de Sapucaí com um destaque a menos. O problema é que a Verde Branco, que perdeu a consagração para a campeã G.R.E.S Portela por um décimo, tinha informado da mudança no esquema do desfile em tempo hábil.

A polêmica, revelada pela coluna "Roda de Samba", do jornalista Leonardo Bruno, se deu com o voto de Valmir Aleixo Ferreira. O jurado classificou o enredo como "de grande densidade cultural", mas critica a falta do “Esplendor dos 7 Mares”, descrito no roteiro do desfile, chamado de livro Abre-Alas enviado em 11 de janeiro. O desfile de Camila Silva, que vestiria a fantasia no chão, foi corrigido em um segundo livro Abre-Alas. A atualização, distribuída em 31 de janeiro, de que Camila passaria à frente da bateria, passou despercebida por Ferreira.

Nas contas do jornal Extra, se tivesse recebido a nota máxima, 10, de Ferreira em vez do 7 contabilizado, a Mocidade ficaria empatada com a Portela. O desempate viria no quesito
Comissão de Frente, em que a Mocidade tirou 10 e a Portela perdeu por um décimo. Mesmas pontuação que lhe concedeu o título deste ano.

Em nota, a Mocidade Independente de Padre Miguel questiona o "despreparo apresentado pelo julgador". "É inadmissível que o sonho de uma comunidade seja jogado fora por um erro tão crasso", diz o documento.

A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) defendeu, também em nota, que o livro Abre-Alas só chegou às mãos do júri após o primeiro curso de julgadores. “Analisando as justificativas do julgador Valmir Aleixo, depreende-se que o referido julgador utilizou a versão anterior, recebida no dia do curso de julgadores, com suas observações iniciais sobre o enredo de cada escola de samba”.

Leia a nota da Mocidade Independente de Padre Miguel

A Mocidade Independente de Padre Miguel vem a público externar todo o seu descontentamento com a justificativa da nota atribuída pelo julgador de enredo Valmir Aleixo Ferreira.

Antes de tudo, gostaríamos de exaltar o belíssimo desfile feito pela Portela e o merecido título conquistado.O que questionamos nesta nota é o despreparo apresentado pelo julgador em questão para cumprir tão importante função. É inadmissível que o sonho de uma comunidade seja jogado fora por um erro tão crasso.

Criar algo que em nenhum momento esteve no livro ‘’Abre-Alas’’ e em cima disso nos penalizar, soa estranho e sem explicação.A Mocidade se posiciona em busca de mais preparação técnica e responsabilidade para todos os julgadores.

Cobraremos isso! Meses de investimento, trabalho pesado, e a dedicação de milhares de componentes não podem ser prejudicados desta maneira.À nossa valorosa comunidade: nunca deixem de acreditar neste sonho!

O desfile que fizemos só foi possível com a participação determinante de vocês. Em 2018 vamos voltar na Avenida e buscar o título que nos foi tirado de forma tão lamentável.

Confira a justificativa da Liesa
Com relação às matérias relacionadas com a publicação dos mapas de notas e justificativas do Grupo Especial do carnaval 2017, a Liesa esclarece que:# em 11 de janeiro a Mocidade Independente de Padre Miguel enviou uma versão do livro Abre-Alas na qual cita a presença da destaque Camila Silva, descrevendo sua fantasia como “O esplendor dos sete mares”;

Em 31 de janeiro, data da realização do curso de julgadores para o quesito Enredo, os julgadores receberam esta versão impressa em preto e branco, bem como a digital colorida, para poder nortear e iniciar seu trabalho de pesquisa visando o julgamento a ser realizado por ocasião dos desfiles, conforme vem ocorrendo todos os anos;

Posteriormente, em uma segunda versão, a Mocidade Independente de Padre Miguel alterou o roteiro enviado inicialmente; na nova versão, Camila Silva já vem citada como rainha de bateria, com o figurino “Dona das Areias, Yemanjá”;

Como a versão final da Mocidade só chegou à Liesa após a realização da primeira etapa do curso de julgadores, pode ter havido uma falha de comunicação ocasionando a avaliação, pelo julgador, através de sua versão inicial, deixando de considerar o livro impresso entregue pela Liesa no dia do desfile;

Neste caso, analisando as justificativas do julgador Valmir Aleixo, depreende-se que o referido julgador utilizou a versão anterior, recebida no dia do curso de julgadores, com suas observações iniciais sobre o enredo de cada escola de samba.

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Notícias ao Minuto

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