terça-feira, 14 de março de 2017

Manoel Moreira Dantas

Descendente direto de João Dantas, que em 1930, matou na Confeitaria Gloria o Presidente João Pessoa, tendo a avó de João sido também avó do seu genitor, motivo pelo qual, os irmãos Antônio e Pedro vieram parar no estado do Rio Grande do Norte, na cidade que recebeu o nome de Carnaúba dos Dantas. Devido à perseguição deflagrada pelo governo da Paraíba, a família teve que buscar refúgio nos estados vizinhos. Posteriormente eles vieram morar na divisa dos estados da Paraíba e Ceará, nos sítios Deserto e Aguiar, respectivamente.

Filho de Antônio Moreira Dantas e Xanxa Maria da Conceição, Manoel Moreira Dantas nasceu no Sítio Deserto, em Misericórdia, hoje pertencente a São José de Caiana, em 4 de janeiro de 1919. Teve um professor particular, que lhe ensinou os rudimentos das quatro matérias fundamentais: Português, Matemática, História e Geografia, nos tempos em que o livro didático era chamado de “manuscrito”.

Além de ajudar na lida na roça, conseguiu três burros e trabalhou como tangerino ou tropeiro, também chamado de “matuto”, depois arrumou mais um burro e deixou de andar a pé, andava na sua montaria. Depois passou a mascatear, ou seja, vender tecidos nas feiras livre de Itaporanga, São José de Caiana, Bonito de Santa Fé e Timbaúbe, hoje Serra Grande.

Casou-se no inicio dos anos 40 com sua prima legitima Francisca Moreira Dantas, mais conhecida como Velha, de cujo matrimonio nasceram os filhos: Francinete (Netinha), José, Marinete (Galega), Janduy, Izanete, Laurinete, Juvinete (Jovem), Francisco, Ivonete (apelidada de Caçula), Luzinete (Nana), Ionete e ainda criou Antonio Moreira. Mesmo casado Manoel ainda continuou morando no Sítio Deserto, vindo pra Itaporanga em 1953, quando já tinha oito dos onze filhos. Ficou viúvo no ano de 1986, vindo a falecer, cinco anos depois, no dia 24 de junho de 1991.

Em Itaporanga começou a negociar com algodão, mamona e cereal. Foi nomeado Agente Fiscal e permaneceu no cargo até o governo de Pedro Moreno Gondim, por apoiar abertamente o seu adversário Janduhy Carneiro, o que era proibido aos funcionários do Estado. Integrou o Corpo de Jurados da Comarca de Itaporanga, durante mais de duas décadas.

Fundou o Sindicato Patronal dos Trabalhadores Rurais de Itaporanga, liderando por 22 anos, sendo substituído por Janduy Barreiro e José Pereira Sobrinho (Teté), seu genro, por alguns anos, enquanto durou o sindicato. O sindicato foi o sucessor de uma Associação Rural, presidida por João Eufrazio, sendo um dos melhores sindicatos do Brasil e o primeiro da Paraíba, por oferecer serviços médicos, odontológicos e laboratoriais em laboratório no próprio sindicato. Possuía a única ambulância do Vale do Piancó, só sendo encontrada outra, na cidade de Patos e toda criança advinda da zona rural, que era receitada no sindicato, já saia com o remédio na mão.

Manoel foi também membro da Federação dos Sindicatos Patronais do Estado da Paraíba. Foi também, vice-presidente e Fiscal do Atlântida Esporte Clube. Na política foi vice-prefeito de São José de Caiana, na primeira gestão do prefeito Francisco Joaquim de Sousa (Chico de Dezim), entre os anos de 1966 a 1970. Pertenceu, como membro, a Loja Eddeus Feitosa, aonde chegou a colar o Grau Cinco. 

Muitas causos envolvendo Mané Moreira são contados, dizem que uma vez seu filho Tico estava em João Pessoa, sua filha Marinete, ao limpar o escritório, que ficava no seu comércio, limpou o telefone com álcool, para desinfetá-lo, Manoel a pegar o telefone e discar, pois precisava falar com o filho, sentiu o cheiro do álcool, o filho atendeu e ele disparou: - Cabra safado crie vergonha, já ta bebo uma hora dessas... De outra feita, em um telefonema para um seu compadre, rolou uma discussão braba e do outro lado, lá no Viana, Antônio sacou o revolver e deu um tiro... Mane Moreira disparou: Ta bebo “cumpade”, tu quase me mata! Certa vez, iam pro Caiana, Seu Mané e Tico... Seu Mane, dirigindo e Tico, de ressaca, da noite anterior, vomitava e enjoava... Foi ai, que Mane Moreira falou: - “Infiliz”, onde já se viu um motorista enjoar carro! Essas e outras são estórias que contam do humor de Manoel Moreira, um homem a frente do seu tempo.

No dia 14 de março de 1998, por propositura do vereador Dr. Antônio de Lisboa Arruda Silva, a Câmara Municipal aprovou, por unanimidade, o seu nome come nome da rua onde ficam instalados o Fórum, as Curadorias e a 7ª Regional de Ensino, justa homenagem pelos relevantes serviços prestados por Manoel Moreira Dantas a sociedade de Itaporanga.

Se essa rua fosse minha - Volume II
Paulo Rainério Brasilino

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