quarta-feira, 15 de março de 2017

LEVADOS DA BRECA. OS SETENTÕES ATUAIS SÃO MAIS ESPERTOS QUE ANTES


Nada de ficar em casa vendo televisão, jogando buraco com os amigos, pensando na morte da bezerra. Os idosos hoje saem muito, se divertem, viajam, fazem sexo, estudam e tiram diplomas. Um estudo sueco que se concentra há trinta anos em pessoas com 70 anos de idade ou mais  mostra um incremento da capacidade intelectual nessa idade. 

Por Martine Perez - Le Figaro Santé

O estudo H 70 é baseado em uma ideia bastante original. Ele tem como objetivo, entre outros, verificar se as habilidades intelectuais aos 70 anos de idade têm melhorado conforme as épocas. Concretamente, ele compara as funções cerebrais de homens e mulheres de 70 anos em 1970 e submetidas a testes psicométricos no ano em questão a outros voluntários que tinham 70 anos no ano 2000 e que concordaram a se submeter a uma mesma bateria de testes. Vários dados desse trabalho iniciado pela primeira vez na década de 1970 pelo departamento de neurociências e de neurobiologia da Universidade de Gotemburgo já foram publicados. Recentemente, a revista  “Neurologya” publicou novos resultados afirmando que os septuagenários atuais são intelectualmente mais eficientes que há 30 anos.

Para chegar a tal conclusão, os cientistas suecos se interessaram pelos resultados dos testes psicométricos (avaliando a memória, a velocidade, a fluência verbal, a lógica
espacial e temporal) de pessoas nascidas em 1901 e tendo completado 70 anos na década de 1970. Eles compararam seu desempenho ao de outros voluntários de 70 anos nascidos desta vez na década de 1930 e submetidos a testes similares na década de 2000. Este trabalho revela uma clara melhoria de todas as capacidades intelectuais das pessoas tendo completado 70 anos na década de 2000 em comparação às pessoas de 70 anos na década de 1970.

Como entender tal evolução? «Esta melhoria pode ser explicada, pelo menos em parte, por melhores cuidados pré e pós-natais, alimentação de melhor qualidade, melhor nível de educação, tratamentos melhores contra a hipertensão arterial e, de modo geral, contra as doenças cardiovasculares explica a Dra. Simona Sacuiu (Universidade de Gotemburgo). É preciso considerar também o nível intelectual elevado necessário atualmente, para ter acesso à televisão ou Internet que agora ocupam lugar de destaque em nosso cotidiano.»


E as coisas não vão parar por aí...
Os próximos “coortes” (*) de suecos de 70 anos de idade que deverão ser novamente analisados nas décadas seguintes, irão revelar se as habilidades intelectuais humanas continuam a progredir ao longo do tempo.…

O estudo analisou também os vínculos entre os distúrbios da memória aos 70 anos e o risco posterior da doença de Alzheimer. Os autores estimam que os problemas de memória sejam o único indicador do risco de demência. Porém, segundo eles, todos os septuagenários que sofrem de memória fraca estão longe de desenvolver uma demência posteriormente. Além disso, há 30 anos, os testes potencialmente preditivos da demência não seriam válidos atualmente por causa da progressão global das habilidades intelectuais. Os autores estimam que em três décadas, o risco da doença de Alzheimer em pessoas com mais de 70 anos não têm realmente diminuído… Enquanto outros trabalhos supõem tal declínio.

«O estudo em três cidades (Bordeaux, Dijon, Montpellier) permite ver, pelo menos para a capital da Aquitânia (**) que, atualmente, a incidência da demência é inferior ao que era há 15 anos no estudo  Paquid realizado somente em Bordeaux, observa o professor Bruno Dubois, neurologista no hospital da Pitié-Salpêtrière em Paris. A estimulação precoce das redes neurais por meio da educação permite provavelmente ter uma reserva cognitiva mais importante hoje do que no passado.»

(*) Coorte = Em estatística, é um conjunto de pessoas que tem em comum um evento que se deu no mesmo período.
(** ) Aquitânia = Região administrativa do sudoeste da França 

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