segunda-feira, 13 de março de 2017

Esta coluna é bíblica e, por consequência, torna-se espírita

José Reis Chaves

Esta coluna é bíblica e, por consequência, torna-se espírita

Alguns anti-espíritas atacam a doutrina espírita como se o conteúdo dessa coluna fosse somente espírita. Mas ela é principalmente bíblica, daí as suas frequentes citações da Bíblia. Aliás, foi pela Bíblia cheia de fenômenos mediúnicos ou espíritas que este colunista chegou à doutrina dos espíritos codificada por Kardec, “o bom senso encarnado”. E diga-se, de passagem, que o espiritismo, o Consolador prometido por Jesus, vem minando os alicerces do materialismo e fortalecendo o cristianismo.
Kardec BíbliaEm atenção aos comentaristas dessa coluna no portal O Tempo, retornamo-nos à matéria “Os originais bíblicos não dizem ‘o’, mas ‘um’ Espírito Santo”, de 27.2.2017, cujo assunto já foi muito falado em outras matérias dessa coluna. Mas a postagem de um irmão evangélico pode ter deixado outros leitores confusos. Então, vamos reexplicar o assunto da citada coluna.
No grego só existe o artigo definido (“ho” ou “to”) que aparece normalmente nos textos gregos bíblicos. Mas quando se trata do artigo indefinido “um”, como ele não existe na língua grega, é óbvio que ele não pode aparecer nos textos bíblicos. Dizendo de outro modo, quando nos textos bíblicos não existe o artigo definido “o” (“ho” ou “to”), é porque se trata da existência do artigo indefinido “um”, que não aparece diante de um substantivo grego, exatamente, porque ele não existe nessa língua, mas ele existe em português, e assim, ele deve constar das traduções para a nossa língua. E jamais se deve colocar o artigo definido no lugar dele. Exemplo: “pneuma agion” (espírito santo). Como não existe na frente de “pneuma” o artigo definido (“ho” ou “to”), é porque se trata do artigo indefinido (“um”), mas por ele não existir em grego, ele não aparece. Porém, no português, esse artigo indefinido “um” existe e deve, pois, ser colocado, ficando assim, pois, a tradução de “pneuma agion”: “um espírito santo”, e não “o Espírito Santo” trinitário, que respeitamos, mas discordamos dele por estar errado. E o irmão nosso evangélico de que já falamos mantendo seu nome oculto, diz o seguinte para outro comentarista que entendeu bem o conteúdo da matéria: “Nada disso, meu amigo, no original grego de Lucas 1: 15 não existe artigo algum, daí a ‘indeterminação’...! Colocou ‘um espírito’ por quê...? Não existe ‘um’ espírito santo em Lucas 1:15..!!!”.
Acontece que a ausência do artigo definido (“ho” ou “to”) no texto grego é justamente para expressar mesmo a ideia de “indeterminação” do substantivo grego “pneuma” (espírito), “indeterminação” essa que, em português, se expressa exatamente com o artigo indefinido “um” diante do substantivo indeterminado, isto é, que não define qual é o espírito! Portanto, a tradução de Lucas 1:15 por “cheio do (de o) Espírito Santo” é erro crasso. A correta é “cheio de um espírito santo”, já que não há em grego o artigo definido. Alguns tradutores demonstrando dúvida dizem “cheio de Espírito Santo”.
Esse lamentável erro milenar em defesa do dogma da terceira pessoa da Santíssima Trindade, que temos abordado à saciedade, é difícil de ser percebido pelo povo simples que não tem um melhor conhecimento do assunto e muito menos ainda do grego. Mas os teólogos sabem do que estamos dizendo, e por uma questão de consciência, eles devem lamentar também essa adulteração da Bíblia, mesmo que em silêncio!
PS: “Presença Espírita na Bíblia”, com este colunista, na TV Mundo Maior (parabólica e www.tvmundomaior.com.br).

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