terça-feira, 21 de março de 2017

Em meio ao escândalo da carne, Itaporanga e Piancó também experimentam realidade indigesta

Por Redação da Folha – Até pior do que os problemas descobertos em alguns dos grandes frigoríficos do país pela Polícia Federal na operação Carne Fraca é o que acontece no interior, onde não há, sequer, local apropriado para abate dos animais e muito menos fiscalização sobre o produto cárneo, como é o caso de Itaporanga e Piancó, que há anos estão com seus matadouros públicos fechados por determinação judicial em face de irregularidades que comprometiam o seu funcionamento.
            
O abate clandestino é hoje uma realidade indigesta não apenas nessas duas cidades, mas em grande parte do Vale, e se torna um escândalo pior do que o atualmente revelado, porque a produção e distribuição cárnea foge totalmente do controle oficial. A falta de matadouros públicos por omissão das Prefeituras obriga as pessoas que vivem profissionalmente da produção de carne bovina e suína a improvisarem locais de abate e desossa sem as condições necessárias para a manutenção da qualidade da carne. O transporte dos produtos cárneos também nem sempre é adequado. Tudo isso gera um risco ao consumidor.
            
Falta fiscalização também em granjas e açougues regionais, mas a grande falha do poder público tem sido mesmo deixar os municípios sem equipamentos adequados para o abate de animais. Em Itaporanga, há duas gestões municipais consecutivas, a Prefeitura tenta construir um novo matadouro, mas um terceiro governo já entrou e a obra ainda não foi concluída, e pior: está parada. Já em Piancó nem perspectiva existe para a cidade ganhar um novo abatedouro.

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