segunda-feira, 27 de março de 2017

A MACONHA NÃO É BENIGNA. ALERTA DA AAP AOS PAIS E ADOLESCENTES


À medida que a situação legal da maconha evolui, pediatras devem aconselhar adolescentes e pais sobre o potencial de dano da droga, escrevem os autores de um novo relatório clínico da American Academy of Pediatrics (AAP).


Por: Norra MacReady
Fonte: http://pediatrics.aappublications.org/

Apesar da impressão, entre muitos adolescentes e pais, de que a maconha é uma droga relativamente benigna, ela apresenta alguns riscos reais que podem ter efeito prolongado na saúde e nas funções de um indivíduo, escrevem os Drs. Sheryl A. Ryan e Seth D. Ammerman, e colaboradores, no relatório clínico publicado on-line em 27 de fevereiro no
Pediatrics. Um ponto-chave da preocupação é "o efeito do uso no desenvolvimento do cérebro", disse o Dr. Ammerman ao Medscape.

Também há o temor de que as crianças mais jovens sejam expostas à maconha na forma de comestíveis, como brownies que possam estar dentro de casa, observou ele. Já houve alguns relatos de crianças que apresentaram overdose desta forma em estados onde a maconha é legal.

Como resultado, "muitos pediatras estão sendo agora questionados, 'a maconha é segura?'"  disse ele.

O relatório fornece aos médicos algumas informações para responder a essa pergunta. Ele aborda os efeitos do uso de maconha em adolescentes, e oferece sugestões para a realização de intervenções breves nos consultórios para identificar usuários problemáticos e ajudá-los a parar com o uso.
Ele também fornece uma lista de 10 tópicos de discussão para os pediatras se lembrarem ao conversar com os pais e adolescentes. Os tópicos destacam a natureza aditiva da maconha e os efeitos dela sobre o cérebro, os perigos de dirigir sob a influência da maconha, a toxicidade do fumo passivo da maconha e a influência que os pais podem exercer como modelos para os filhos.


Efeitos adversos bem documentados
A visão da maconha como uma substância nociva tem diminuído entre os adolescentes nos últimos anos, explicam os autores.

De acordo com a Pesquisa Nacional sobre Uso de Drogas e Saúde realizada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, apenas 41% dos participantes de 12 a 17 anos perceberam "grande risco" em fumar maconha uma ou duas vezes por semana em 2015, em relação a 55% em 2007.

No entanto, muitos dos efeitos adversos da droga são "bem documentados", como prejuízo na memória de curto prazo e na concentração; alterações na capacidade de julgamento, coordenação e controle motor; diminuição da função pulmonar; e um risco aumentado para transtornos de saúde mental, como depressão e psicose.

Além disso, alguns estudos mostraram alterações no desenvolvimento cerebral em áreas como amígdala, hipocampo e córtex pré-frontal, disse o Dr. Ammerman, professor clínico da Divisão de Medicina do Adolescente, Departamento de Pediatria, Stanford University School of Medicine e Lucille Packard Children's Hospital, Stanford, Califórnia.

As implicações clínicas desses achados não estão claras, acrescentou ele, "mas provavelmente não são boas".

Há também evidências claras de que a maconha é aditiva, escrevem no relatório a Dra. Sheryl, professora de pediatria e professora clínica associada de enfermagem, Yale School of Medicine, New Haven, Connecticut, e colaboradores. No geral, 9% das pessoas que experimentam maconha se tornam viciadas, mas isso sobe para 17% das pessoas que provam durante a adolescência e entre 25% e 50% dos adolescentes que fumam maconha diariamente. 

O risco é especialmente alto entre os adolescentes que são usuários regulares ou pesados de cannabis. O uso regular é definido como 10 a 19 vezes ao mês e o uso pesado é definido como 20 ou mais vezes ao mês. 


Sugerido rastreio no consultório
O relatório pede aos pediatras que rastreiem os pacientes adolescentes para uso de drogas, como publicado anteriormente na declaração da política de Rastreio, Intervenção Breve e Encaminhamento.
O rastreio deve ser feito em todas as consultas de rotina do adolescente, ou "sempre que há preocupação de que o uso de maconha pode ser um problema", disse o Dr. Ammerman. Ele também sugeriu que, mesmo antes do início do rastreio, os pediatras devem levantar a questão com os pacientes de uma forma adequada à idade.
As técnicas de entrevista motivacional podem ser usadas tanto para apoiar pacientes que optaram por se abster quanto para desencorajar o uso entre adolescentes que fumam maconha. Alguns pacientes podem precisar de uma ou mais consultas de acompanhamento, ou um encaminhamento para um profissional de saúde mental, escrevem os autores.
Os clínicos podem usar os pontos de discussão para enfatizar as desvantagens da maconha: não só os efeitos adversos mentais e físicos, mas também o fato de que o uso por pessoas com menos de 21 anos ainda é ilegal. A acusação pode resultar "em um registro criminal permanente, que afeta escolaridade, empregos, etc.", afirmam os autores.


Além disso, os tópicos de conversa lembram os pais de que eles são modelos para os filhos. "As ações falam mais alto do que as palavras" – advertiu o Dr. Ammerman. "É muito claro que se os pais usam maconha na frente dos filhos, essas crianças têm maior probabilidade de também usar, independentemente do que digam os pais".
Adultos que veem a maconha como relativamente inofensiva podem estar pensando no produto que usaram nos anos 70 e 80, acrescentou ele. Naquela época, a dose média de maconha tinha cerca de 4% de tetra-hidrocanabinol, ou THC, o composto que dá à maconha suas propriedades eufóricas.
No entanto, a maconha de hoje tem 16% de THC. "Portanto, a droga que experimentamos é muito menos potente do que a que nossos filhos estão usando, e sabemos muito mais hoje sobre os possíveis malefícios dela".
Em média, adolescentes que se tornam viciados em maconha permanecem viciados por cerca de 10 anos, disse o Dr. Ammerman. "Então você perdeu 10 anos da sua vida, talvez se saindo mal na escola ou no trabalho, ou em seus relacionamentos. Não queremos que ninguém desperdice a própria vida assim".

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