sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

VIAGEM ESPACIAL. RAIOS CÓSMICOS SÃO PERIGOSOS PARA O CÉREBRO DOS ASTRONAUTAS


De acordo com um estudo em camundongos, a exposição aos raios cósmicos teria consequências negativas sobre o comportamento, a memória, a atenção e a concentração.

Por Jean-Lux Nothias – Le Figaro Santé

Irradiação. O que aconteceria com o cérebro de um astronauta durante uma viagem a Marte (e na volta)? Nada de bom, de acordo com um estudo realizado na Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em parceria com um programa da NASA cujos resultados são publicados na revista Science Advances. «Isso não é uma boa notícia para os astronautas, reconhece o Prof. Charles Limoli, um dos autores desses trabalhos. A exposição aos raios cósmicos em longo prazo provoca queda de desempenho, déficit de memória,  falta de atenção e de concentração que podem afetar a realização das missões durante o vôo.»

Para obter este resultado, os cientistas efetuaram estudos em camundongos que foram intensamente irradiados por partículas semelhantes às dos raios cósmicos. Trata-se de partículas de energia muito elevada, constituídas principalmente por prótons oriundos do
espaço interestelar e intergaláctico. Na Terra, estamos protegidos pelo campo magnético do planeta. Mas no espaço, isto não é o caso. Os roedores receberam uma dose equivalente à de uma ida e volta para Marte em cerca de  900 dias.

Os pesquisadores puderam constatar uma inflamação do cérebro dos animais causando interrupção na transmissão de impulsos elétricos entre os neurônios. O diagnóstico através de ressonância mostra que todas as comunicações dentro do córtex estão embaralhadas. «Todo o sistema nervoso central está afetado, explica o Prof. Limoli, resultando em declínio cognitivo global com sinais semelhantes aos da demência.»

Proteger os astronautas
Logicamente, salientaram os pesquisadores, estes sinais aparecem muito lentamente em astronautas, mas dada a duração da missão, isto parece inevitável. De acordo com os dados coletados pela NASA e aqueles coletados pela Rover Curiosity durante seu trajeto Terra-Marte, os astronautas de uma missão tripulada para Marte de 800 dias, receberiam uma dose de irradiação total de cerca de 1,01 Sievert (*), incluindo 320 mSv (milisierverts) durante a estadia no planeta vermelho e duas vezes 331 mSv, na ida e na volta. Por comparação, a dose anual média recebida na superfície da Terra é de 2,5 mSv. A dose recebida na Estação Espacial Internacional durante 6 meses é de 75 mSv.

Os pesquisadores estão tentando encontrar maneiras para proteger os astronautas. Mas é muito difícil escapar dos raios cósmicos. É por esse motivo que eles seguiram a pista farmacológica: as moléculas poderiam «desarmar» as partículas cósmicas e proteger os neurônios.

(*) Sievert = unidade que mede os efeitos biológicos da radiação

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