quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Seca em anos seguidos gera alerta sobre futuro; Nordeste elevou em 1,5°C a temperatura...


O aquecimento global, que já elevou em cerca de 1,5°C a temperatura do Nordeste, tem acendido sinais de alerta. Previsões climatológicas para décadas à frente estão virando realidade hoje. Oscilações pluviométricas, derretimento precoce de gelo no Ártico, anos cada vez mais quentes. A possibilidade de um sexto ano de chuvas abaixo da média no Ceará também antecipa um cenário que só deveria chegar em 2050, quando o semiárido teria cada vez mais anos consecutivos de seca.

“Não tem como dizer que esses seis anos de seca são o futuro que já chegou. O que podemos informar é que, se o planeta continuar a aquecer, esse será sim o novo clima do Nordeste. Eu, como cientista, não afirmo categoricamente, mas (a situação) levanta suspeita”, avalia o climatologista e membro da Academia Brasileira de Ciência, Carlos Nobre. O grupo coordenado por ele, composto por órgãos de climatologia nacionais, prevê que há 40% de chances de que as precipitações no Norte do Nordeste sejam, mais uma vez, abaixo da média histórica. O prognóstico é referente apenas aos três próximos meses. “Não há fenômenos de grande escala que ancorem um padrão de déficit ou excessos de chuvas”, explica.

A sequência de anos secos no Nordeste chama atenção. É algo inédito. “É possível afirmar que, sim, o aquecimento já está tendo um impacto no Nordeste. Esse 1,5°C aumenta a
evaporação nos reservatórios, solos e rios. Um grau aumenta em até 10% a evaporação”, detalha Carlos Nobre. Isso é o que diferencia, por exemplo, o momento atual da seca de cinco anos seguidos registrada em 1915, quando não havia efeito estufa e aquecimento global.

A mudança de vegetação, como o desmatamento da Zona da Mata, da Caatinga, do Cerrado e até da Floresta Amazônica, também influencia na falta de pluviosidade.

Oscilações
Assim como anos sem chover dentro da média histórica, o aquecimento global pode causar episódios de chuvas intensas. “E mesmo no Nordeste, se o aquecimento continuar, serão também registrados momentos de mais chuvas. Regiões semiáridas têm alta variabilidade. Tem anos que chove como um deserto e outros que chove como a Amazônia”, descreve o climatologista.

No Sudeste, essas oscilações foram constatadas nos últimos anos. O cenário não previa seca; ao contrário, apontava condições chuvosas. “E nós tivemos dois anos de seca, 2014 e 2015, que depois foram substituídos por anos chuvosos, 2016 e 2017. Isso é realmente a nova variabilidade que se espera no futuro”, avalia Carlos Nobre.

O especialista alerta ainda para a importância de o Nordeste investir no que ele tem de mais abundante: sol. “É preciso que nós, brasileiros, saibamos nos adequar e aproveitar o que temos”.

SARA OLIVEIRA / O Povo Online

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