quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Omissão: MPF não responde a denúncias da prática de dois crimes contra o rio Piancó

Por Redação da Folha - O Ministério Público Federal (MPF) em Sousa recebeu, no dia 15 de junho de 2016, um uma denúncia, anexada a qual fotos e documentos, mostrando a prática de dois crimes contra o rio Piancó, que é federal, e o mais importante do Sertão, porque alimenta o complexo hídrico Coremas/Mãe D'água, distribuidor de água para grande parte da Paraíba e do Rio Grande do Norte.
                
Passados mais de 7 meses, o MPF ainda não deu nenhuma resposta à Fundação José Francisco de Sousa, entidade ambiental e humanitária responsável pela denúncia. A primeira delas diz respeito à grande quantidade de esgoto e lixo que Prefeituras e particulares estão depositando no leito do rio ao longo de sua extensão, e um exemplo desse crime ambiental está no trecho que corta a cidade de Itaporanga.
                 
O outro crime contra o rio é também um atentado ao próprio conhecimento geográfico e hidrográfico regional. A questão é que, embora seja o rio Piancó o maior do Sertão em área de drenagem, extensão e importância, a Ana (Agência Nacional de Águas), mal influenciada por interesses políticos das regiões de Sousa e Cajazeiras, adulterou a própria condição natural do rio piancoense e comprometeu a correta literatura hidrográfica para favorecer o rio Piranhas, que se tornou, indevidamente, a principal veia da bacia hidrográfica sertaneja e foi contemplado pela transposição.
                
Mesmo sem um estudo técnico aprofundado e sério sobre a hidrografia regional, a Ana colocou o rio Piancó como um simples afluente do rio Piranhas, quando é exatamente o
contrário, como mostram fortes evidências e estudos privados, ou seja, conseguiram mudar, nos papeis oficiais, a própria natureza dos dois cursos d’água para favorecer um deles e alimentar interesses políticos.
                
O descaso demonstrado pelo MPF em Sousa com o grave problema reforça todo o desprezo histórico sofrido pelo rio Piancó, que sempre foi responsável pelo abastecimento de dezenas de cidades, através de Coremas/Mãe D’água, mas terminou excluído da transposição pela inverdade documental sobre seu curso e importância, embora suass nascentes estejam bem próximas do Eixo Norte da transposição e beneficiá-lo com uma estrada d’água seria pouco oneroso e muito importante para o estado. "A entrada de água do São Francisco na Paraíba pelo rio Piancó seria a mais barata e mais viável tecnicamente, mas, ironicamente, foi a única não contemplada pelo projeto, mostrando o quanto os políticos mandatários deste estado e deste país são irresponsáveis", comentou um especialista.

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