sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Coutinho fecha escola cheia de crianças em uma das áreas mais pobres de Itaporanga, e não foi a 1ª - POMPEIA NUMA PEINHA DE NADA

Por Redação da Folha - Uma história com 60 anos de vida na educação desapareceu para sempre. A escola estadual Terezinha Gomes, que servia a crianças do 1º ao 5º ano do bairro Alto das Neves, um dos mais pobres de Itaporanga, fechou suas portas por determinação do governo Coutinho às vésperas do início do ano letivo na rede estadual, previsto para esta segunda-feira, 6.
                
“Estávamos prontos para iniciar o ano letivo, quando fomos surpreendidos pela notícia de que a escola vai fechar, e foi muito desagradável e causou transtornos porque esses alunos terão que, de última hora, serem remanejados para outras escolas”, comentou uma professora veterana com lágrima nos olhos, ao lembrar o grande vínculo afetivo que a comunidade tinha com a escola, onde várias gerações do bairro, de pais para filhos, foram educados.
                
A Terezinha Gomes tinha também um papel social importante no Alto das Neves. A alimentação escolar era a refeição mais importante de muitos meninos e meninas do bairro e algumas lições e práticas de cidadania e cultura que saíam de dentro da escola se propagavam entre as famílias da comunidade, contribuindo para o seu desenvolvimento social e cultural.  
                
“O governo tira uma escola de um bairro desse, e, quando os meninos vão para as ruas fazer coisa errada, aí eles vão culpar os pais”, comentou Silvana, que tem três filhos na
escola e não ficou nada satisfeita com o fim da Terezinha. Agora as crianças da dona de casa precisarão vencer a pé alguns quilômetros para chegar à escola definida pelo governo para receber os alunos do educandário fechado, mas, em função da distância, algumas famílias deverão matricular seus filhos em unidades municipais menos distantes, embora que poderão não encontrar vagas ou um ambiente tão propício como tinham na Terezinha Gomes.
                
A escola tem 4 salas e 150 alunos estavam matriculados para o período da manhã. À tarde, como opina alguns dos próprios professores, o espaço poderia ser aproveitado para programas como o Mais Educação ou outros projetos com o objetivo de promover o ensino em tempo integral, mas nada disso foi considerado pelo governo. Com o fechamento da escola, o prédio, que é do estado, poderá ser aproveitado para outras atividades ou ficar ocioso, como muitos outros.
                
Outra grande e pobre comunidade que também perdeu sua escola foi a Vila Mocó, mas isso tem mais de três anos. O governo estadual fechou a escola da Vila, que é uma comunidade afrodescendente, e deixou, até hoje, dezenas de crianças sem educação na comunidade onde moram.
                
Outras cidades regionais também perderam escolas, mas as decisões do governo que penalizam duramente a educação não são questionadas: Ministério Público, Câmaras Municipais, Assembleia Legislativa e os próprios conselhos escolares parecem fazer vistas grossas para o problema. "É o medo ou a conivência de quem tem obrigação de fazer alguma coisa contra isso que impede que o governo seja questionado, tanto que toma essas decisões de fechar escolas sem discutir com ninguém", comentou um professor.

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