quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

COLUNA DA SEMANA:


O Assassinato de O Norte, por Chico Pinto (publicada há cinco anos) - Chico Pinto Neto

Triste e lamentável a notícia de que os Diários Associados sepultaram na Paraíba dois dos seus filhos mais ilustres. As exéquias de O Norte e do Diário da Borborema já foram devidamente efetuadas deixando órfãos milhares de leitores e em pranto centenas de abnegados servidores.
Sorrateiramente decretaram a morte de O Norte e do Diário da Borborema sem sequer anunciarem se os pacientes ainda dispunham pelo menos de um sopro de vida. Mataram e enterraram como indigentes, na calada da noite e somente depois de embalsamados é que a notícia vazou. Faltou, no mínimo, respeito para com as vítimas e notadamente para com o povo paraibano.
Tanto O Norte como o Diário da Borborema tinham relevantes serviços prestados à Paraíba. Nos tempos áureos o matutino da Pedro II além de dominar o mercado era a referencia principal do jornalismo paraibano. O que era publicado em O Norte repercutia imediatamente junto ao leitor.
O Jornal, o primeiro a implantar na década de setenta o “off-set” no Estado. Também foi o primeiro na Paraíba a informatizar a sua redação. Em 1991, as máquinas de datilografia começaram a ser substituídas por computadores, imprimindo uma nova era em sua história, com mais velocidade e modernidade. Sempre foi de primeira!
No próximo dia 7 de maio, O Norte completaria 104 anos, e era o mais velho jornal da iniciativa privada da Paraíba. Fundado pelos irmãos Soares – Orris e Osis, nos idos de 1908, uniu-se ao sistema de comunicação comandado pelo jornalista Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo em 1954 quase cinqüenta anos após a sua fundação. A partir daí, o jornal passou a integrar a maior cadeia de comunicação da América Latina.
A realidade é que O Norte não morreu de causa natural! Ele morreu de forma premeditada, foi assassinado, sem direito de defesa. Foi emboscado soturnamente por gananciosos mandarins que após sugá-lo, desordenadamente, deixaram-no na inanição sem as mínimas condições de reagir.
Tiraram-lhe a capacidade de refletir e de discernir. Sufocaram-no moralmente e financeiramente. Dilapidaram o seu patrimônio e a sua credibilidade, transformando-o em um simples panfleto que o tempo se encarregou de levá-lo ao túmulo e, sem contar ao menos, com um convite para a missa de sétimo dia. Morreu na indigência!
Concretrizado o absurdo, resta-nos apenas o direito de revolta. E, neste momento de dor e de saudades, manifestar os nossos sentimentos de pesar a todos aqueles do passado e do presente, que tiveram o privilégio, como eu, de passar pela sua redação e pela sua oficina.
Daqui mando o meu abraço afetuoso ao decano Gonzaga Rodrigues, à Evandro e Heraldo Nóbrega bem como para Teóclito Leal. Vão os meus sentimentos para Fernando Walack, para os irmãos Barroso Pontes, Marcos e Anco Tavares e para Martinho Moreira Franco.
Também mando o meu abraço para Agnaldo Almeida, Zé Euflávio, Zé Nunes, Tião e Edmilson Lucena, vai ainda para Zé Cabral, Tarcisio Neves, Hilton Gouveia, Zé de Sousa, Domingos Sávio. Para Carlos Pereira, Nonato Guedes, Gisa Veiga, Silvio Osias, Lula Nascimento, Coni Ferreira, Marconi Brito, Land Seixas, Gilvan de Brito, Rubens Nóbrega, Júlio Santana, Marcondes Cabral e Luis Conserva.
Com lágrimas também vão os meus sentimentos para Admilson José, para Waldemar Solha, para Mineirinho e Arion, para Antônio David, Josinaldo Malaquias e Frutuoso Chaves. E para todos aqueles que a memória me falha e para aqueles que já se foram.
Enfim, com aperto no peito, vão os meus sinceros e devotados sentimentos aos valorosos companheiros da nova geração, vítimas inocentes das sanhas assassinas desses falidos capitães do papel.

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