quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

23 de fevereiro - Aconteceu em Itaporanga


Em seus últimos anos de vida, Eduardo Bernardino foi aluno do curso de Direito na FIP e dedicava-se a concursos públicos nesta área. Faleceu no dia 23 de fevereiro de 2012, vítima de um infarto fulminante. Este fato trágico ocorreu dentro do ônibus dos estudantes, quando se dirigia a Patos, para suas aulas universitárias, do curso de Direito nas Faculdades Integradas de Patos.

Requiem in pace frater Eduardo

Eduardo Bernardino Pinto / Por João Dehon Fonseca 

Recebi a notícia através do Portal do Vale onde nosso amigo e irmão Rainério com a sua precisão do bom jornalista noticiou precisamente às 19,04 hs e a manchete dizia: “O Portal do Vale e Itaporanga estão de luto.” de imediato fui ler a notícia e cada palavra que entrava na minha mente uma lágrima rolava pelo meu rosto porque do mesmo jeito que o Portal do Vale e Itaporanga entraram em LUTO com certeza todos os filhos de Dona Dazinha também entraram, mesmo cada um morando distante da terra, mas que tem as raízes fincadas nesse solo sagrado que foi a Misericórdia de ontem com as famílias bem próximas e é a Itaporanga de hoje com as mesmas convicções de fraternidade de outrora.

Transportei-me para os anos 54 e 55 e me vi com 5 anos brincando com outra criança de talvez 2 ou 3 anos na casa de Dona Mira e Seu Jardelino que nesse tempo era vizinho de parede da casa de minha mãe na Rua 5 de Agosto e que também eram avós daquela criança chamada Edílio. 

As coisas da nossa mente é um verdadeiro universo e quando determinados fatos acontecem viajamos nesse mundo de lembranças que nos faz aproximar mais ainda das famílias, das pessoas e como somos emotivos! E como diz o poeta: “Ai como o pensamento voa ao lembrar as coisas boas...”

Tentei fechar as janelas das lembranças, mas foi impossível, tudo passava na minha mente e a fita do tempo fez com que eu visse Tôta e Manoel, prosperando, trabalhando honestamente e formando uma família linda.

Depois nasceram: Edilma, Edna, Edilene,Edilce,Eduardo, Nema e Dedé, lembro-me de Eduardo criança, bem criança e eu já adolescente, não sei porque Agostinho Fonseca, meu primo e amigo de adolescência, chamava Eduardo de “PÍ” nunca consegui saber porque, mas a verdade é que Pi era bem gordinho e muito impulsivo, tinha todas as características de uma criança inteligente e isso projetou para o jovem e para o homem que foi.

Um dia cheguei a Itaporanga com uma Equipe de Fiscalização Ambiental para fazer uns trabalhos nas industrias de panificação da cidade. Primeiro fomos na de Agilandio Inácio e ali fomos bem recebidos e diga-se de passagem meu amigo deu uma aula na atividade que ainda hoje exerce; depois saímos e fomos numa padaria na Getúlio Vargas e quando chegamos lá o dono do estabelecimento era meu amigo, irmão Eduardo. Explicamos a nossa missão e ele também nos recebeu muito bem, contudo nos mostrou que o problema de queima de lenha em padarias não é o vilão da desertificação.

Quando li ontem a notícia do Portal do Vale, tudo isso passou pela minha cabeça e vi um Eduardo VALOROSO que brigava por seus ideais e não exercia uma função sem conhecê-la. Mas, são assim todos os descentes de Dona Eurides e Seu Manoel, todos eles e elas brigam pelas coisas que gostam de fazer, todos eles buscam conhecimentos para enfrentar o quotidiano.

Claro que Itaporanga está de luto, claro que cada um da gente está triste, mas como diz Reynollds não podemos ficar tão tristes, pois a vida começa após a morte.

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