domingo, 29 de janeiro de 2017

QUER PARAR DE RONCAR? COMECE A CANTAR


Um estudo inglês constata que a prática regular do canto reforça os músculos da garganta e ajuda a limitar os roncos noturnos.

Por Estelle Elkaim - Le Figaro

Na França, 15 milhões de pessoas roncam à noite e cerca de 3 milhões sofrem de apneia do sono. Um número que é preciso multiplicar por dois já que esses distúrbios incomodam tanto quem dorme quanto quem está ao seu lado. Um estudo inglês publicado no British Medical Journal propôs uma solução diferente: o canto. Praticado vinte minutos por dia, ele diminuiria significativamente a intensidade e a recorrência destes distúrbios noturnos.

O ronco, assim como a apneia do sono é causado por um relaxamento dos músculos da garganta e do palato que comprometem a passagem do ar. Este fenômeno está presente em todas as pessoas já que ele é característico da diminuição do tônus muscular durante o sono.  Porém, quando este relaxamento for superior ao estado normal, ele cria vibrações (roncos) ou um estreitamento das vias respiratórias de tal forma que a respiração é interrompida (apneias).

Esses distúrbios afetam um terço dos franceses, segundo o barômetro do Institut national de Prévention et d’Éducation pour la Santé (Instituto Nacional de Prevenção e Educação para a Saúde) realizado em 2008. Há diversos fatores que os favorecem sobre os quais é mais ou menos fácil agir. A genética tem uma parte da responsabilidade: por exemplo, um indivíduo que herda uma mandíbula mais proeminente tem menos chances de ser afetado. Por outro lado, o excesso de peso aumenta os riscos devido a um depósito de gordura na garganta. Finalmente, mesmo se os soníferos ou o álcool parecem contribuir a um adormecimento rápido, eles aumentam principalmente o relaxamento dos músculos da boca e a intensidade dos roncos ou das apneias.

A terapia pelo canto
O estudo foi conduzido em 93 adultos que relatavam roncos ou apneias leves e moderadas (de 10 a 40 apneias por hora de sono). Os pesquisadores do departamento de otorrinolaringologia de Exeter propuseram que seus pacientes seguissem uma terapia pelo canto a fim de reforçar os músculos da boca. Na base de vinte minutos de exercício por dia ao som do disco terapêutico “Singing for snorers” (o canto para os roncadores), os resultados teriam sido significativos: após três meses, as pessoas roncavam menos e tinham menos apneias do sono.

“O conceito de base é interessante por que ele aborda a causa dos roncos e da apneia do sono” explica Raphaël Heiner, médico especialista em sono no Centro hospitalar Universitário de Lausanne. “Falta, porém, medidas objetivas sobre a frequência e a intensidade dos roncos ou das apneias” aponta ele. Um estudo similar, publicado no British Medical Journal em 2006, tinha, por exemplo, quantificado a recorrência dos distúrbios do sono, após ter submetido os pacientes à uma prática diária de digeridoo - um instrumento de sopro australiano - conhecido por mobilizar todos os músculos da boca.

Uma prática dificilmente viável
Existe outro inconveniente: cantar em voz alta no meio da sala requer certo sentido de humor sobre si próprio. “Além do mais, na prática, será que um médico pode dar-se por satisfeito em receitar somente um disco ao seu paciente?” duvida o Dr Raphaël Heinzer.  Hoje em dia, existem diversos tratamentos para tratar destes distúrbios. O mais eficiente é certamente a máscara de pressão positiva contínua (PPC): ela gera ar pressurizado que fazem os músculos não relaxarem.

Apesar de comuns, os distúrbios do sono merecem ser levados a sério. A apneia do sono é prejudicial e responsável por um déficit de oxigênio no sangue. Ela favorece patologias como a hipertensão ou acidentes cardiovasculares. Sobretudo, o cansaço decorrente de um ritmo noturno perturbado tem consequências sobre a vida cotidiana (atenção no volante) e profissional (diminuição da atenção).

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